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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Governo Temer ameaça chamar de volta o Brasil para o Mapa da Fome

No Semiárido, a sociedade civil e a democracia venceram a fome e a sede, transformando-a numa região produtora de alimentos.


SÉRIE NENHUM DIREITO A MENOS | Há quase 2 anos, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou em Roma um feito de imensa repercussão social no Brasil: a saída do país do Mapa da Fome. Segundo a ONU, no intervalo de 2002 a 2013, a cada 100 pessoas subalimentadas, 82 delas passaram a acessar alimentos para saciar sua fome. Assim, o percentual de brasileiros e brasileiras em situação de subalimentação foi para menos de 5% da população do país.

Para além dos números, essa situação é bem visível na região semiárida brasileira, que representa 18,2% do território nacional e concentrava, em 2011, 50% das pessoas em situação de miséria mapeadas pelo programa Brasil Sem Miséria do governo Dilma Rousseff. Hoje, muitas famílias da região conjugam num passado não muito distante a expressão passar fome. Um tempo que eles demarcam não pelos anos ou décadas, mas pelas gestões dos governantes à frente do país.



“Antes do governo Lula e Dilma, havia muitos saques no Mercantil [mercado da região]. Era muito difícil conseguir alimento. Tinha que ir pras frentes de serviço em troca de um saco de feijão que nem cozinhava”, conta dona Antônia Valdira Coelho, que vive no assentamento Menino Jesus, situado nos municípios de Chorozinho e Cascavel, na região metropolitana de Fortaleza já na parte semiárida do Ceará. “Antes, era uma raridade comer carne. Hoje, comemos bem. Estamos no céu”, enfatiza ela.

A vizinha de dona Valdira, Maria da Glória Santos da Silva, nem dá cabimento para relembrar o período da fome. A sua boca só anuncia os alimentos produzidos no seu quintal: “Acerola, manga, caju, seriguela, ata, banana, limão, graviola, mexerica, cheiro verde, pimentão, alface, tomate, pimentão”. E ainda tem as criações de porco e galinha. “O que nos salva é que a gente tá podendo plantar mesmo com cinco anos sem chuva, porque se fosse comprar não daria por causa da inflação. A gente está aprendendo a plantar e tirar produção a partir dos conhecimentos que os técnicos do Cetra e do Esplar dão”, diz ela fazendo referência às organizações da sociedade civil que fazem parte da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

Seu Expedito Jacobina, da comunidade Água Suja, na zona rural de Jacobina do Piauí, também não dá muito espaço para falar dos tempos tristes da fome. Desde 2013, ele armazena a água de produção da cisterna-calçadão. Nestes últimos três anos, inseridos num período de forte estiagem, ele passou a produzir macaxeira, batata e mamão sem parar. “A manga e a pinha tá florindo”, orgulha-se ele, que também cria ovino, abelha e galinha. A carne para consumo da família, ele não compra. “Quanto mais a gente puder produzir para consumo, a gente já está no lucro. Vai comprar um pacote de arroz... é R$ 6,00. Pra muitas pessoas é complicado”, diz ele que além de trabalhar na roça é funcionário de uma escola pública municipal.


“No início da década de 1980, havia no Semiárido um quadro de fome, de crianças morrendo. No início da década de 1990, [existiam] situações críticas pela não garantia do direito à água. A região passou por uma mudança radical dos anos 2000 pra cá, com a participação ativa da sociedade, organizada na ASA, e com políticas que garantiram direitos. A sociedade civil e a democracia venceram a fome e a sede no Semiárido. Uma região tida como uma região de fome e miséria passou a ser uma região produtora de alimentos em vários territórios. Não podemos retroceder”, assegura Denis Monteiro, secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
Um viés da estratégia de combate à fome construída desde o governo Lula e mantida nas gestões de Dilma foi estimular a produção de alimentos pela população vulnerável que vive na zona rural do país. Segundo o Relatório de Insegurança Alimentar no Mundo, publicado pela FAO em 2014, o fomento à produção agrícola articulado com as políticas de proteção social foram fundamentais para a saída do Brasil do Mapa da Fome. Essa estratégia foi sustentada pela priorização da agenda de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) a partir de 2003 pelos governos federais e por mecanismos de participação da sociedade civil nas políticas públicas que convergiam para esse resultado, como a política de convivência com o Semiárido.

E o que dizer agora desta estratégia diante de um governo que não visa a proteção social da população mais vulnerável e anuncia constantes medidas que ferem direitos já conquistados?

“Nós estamos vivendo, em grande medida, momento de um estado de exceção. Infelizmente, não temos como dizer que temos políticas asseguradas. O governo Temer já demonstrou que ele é capaz de desconstruir direitos mesmo aqueles que estão assegurados na Constituição de 1988. O risco de retrocesso é enorme. Agora, nos últimos anos, não foram criados não só leis, mas também espaços que a sociedade teve oportunidade de participar ativamente para construir estas políticas. O Consea [Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional], um exemplo neste sentido, foi recriado pelo governo Lula e tem um papel importantíssimo na construção de leis promotoras do direito humano à alimentação e na construção de políticas públicas, como por exemplo, as políticas voltadas para o Semiárido. É um espaço que continua vigente. Esperamos que este espaço continue tendo um protagonismo com a participação ativa da sociedade civil na cobrança e na defesa dos direitos e das obrigações do estado”, adverte Denis.

Conselheira do Consea, Elza Braga, diz que para enfrentar a fome é preciso enfrentar a pobreza, que é um quadro dotado de complexidade. “Pra melhorar os indicadores da segurança alimentar tem que ter uma conjugação de ações, não só a água, mas o PAA [Programa de Aquisição de Alimentos], o Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], a economia solidária, toda política voltada para os assentamentos, educação alimentar, é uma série de medidas além das políticas de aumento de renda – bolsa família e aumento do salário mínimo”, assegura ela que também é professora da Universidade Federal do Ceará.


Segundo a professora, a tática do governo Temer para negar direitos não se concretizará só através da redução de recursos, mas através da alteração na metodologia de algumas políticas para “subtrair o protagonismo e a participação da sociedade civil. Porque fica mais fácil retomar as relações clientelistas que perpassam as relações políticas no Brasil, especialmente, no Nordeste e Norte. É um cenário muito preocupante”, dispara Elza.
O que a conselheira do Consea prevê já acontece no Semiárido quando o governo Temer envia os recursos, que deveriam ser investidos na região, para a Codevasf, o DNOCS, governos estaduais. “[Essa opção] nada mais é do que voltar a ideia de injetar os recursos onde tem os apadrinhados políticos”, diz Alexandre Pires, coordenador executivo da ASA Brasil pelo estado de Pernambuco e coordenador do Centro Sabiá, referindo-se aos R$ 700 milhões direcionados para o DNOCS.
Segundo ele, quando os governos Lula e Dilma decidiram dialogar com a sociedade civil, por meio da ASA, para pensar numa forma participativa de construir o projeto de convivência com o Semiárido, tirou das mãos de vereadores, prefeitos e governadores a barganha política e isso fortaleceu a sociedade civil na participação de construção de um projeto político para o Semiárido.

“O que nós construímos ao longo dos anos, no âmbito da participação da sociedade civil, na construção deste projeto de convivência com o Semiárido, o foco estava na necessidade das famílias e não no interesse político-eleitoral, que compromete a eficiência e a eficácia de qualquer iniciativa de promoção da segurança alimentar e a melhoria de suas condições de vida”, assegura Alexandre.
Para a professora Elza, é lastimável que exista uma ameaça de ruptura do governo Temer com a ASA. “A Articulação fez um trabalho muito bom porque incidiu não só na política da água, mas também de produção de alimentos, de incentivo aos quintais produtivos, às feiras, à agroecologia. A gente sabe que falar de segurança alimentar e nutricional é falar de alimentação saudável. E a ASA fez esse meio de campo de articular essas políticas e incentivar o associativismo, que é fundamental para que as populações vulneráveis tenham políticas que atendam às necessidades das famílias. Construir um país democrático passa, necessariamente, pela afirmação de direitos que as populações têm. E a gente quer um país forte, democrático e soberano.”

ASA Paraíba discute Campanha pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico

O trabalho doméstico e de cuidados é algo que necessita ser tratado enquanto responsabilidades de homens e mulheres, apontando a necessidade de discutir com toda a sociedade sua origem e consequências na vida das mulheres.
Direitos são para mulheres e homens, responsabilidades também!
Qual é o lugar da casa onde você passa a maior parte do seu tempo? 
Como funciona a divisão de tarefas domésticas dentro da sua casa? 
Estas e outras perguntas foram feitas para estimular o debate dentro da reunião da coordenação ampliada da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), realizada em Campina Grande-PB. 
Serão realizados lançamentos regionais da campanha e atividades de formação em todos os territórios onde a ASA Paraíba está organizada. 
O lançamento estadual da Campanha pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico está previsto para o dia 21 de setembro, também em Campina Grande.


Programa Cisternas ganha prêmio como uma das políticas públicas mais relevantes no combate à desertificação


O Programa Cisternas, uma política pública de acesso à água que possibilita às famílias rurais do Semiárido brasileiro viver na região, foi considerada a segunda iniciativa mais importante do mundo no combate à desertificação. O reconhecimento vem do Prêmio Política para o Futuro 2017, o único que homenageia políticas em vez de pessoas a nível internacional. A divulgação do Prêmio Prata para a política brasileira foi anunciada hoje (22). A cerimônia de entrega da premiação será em 11 de setembro, durante a 13º Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas, em Ordos, na China. 


O prêmio, uma iniciativa do World Future Council que, este ano, teve a parceria da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), atesta a efetividade das ações de convivência com o Semiárido como uma política pública com potencial para reverter a degradação do solo, que impossibilita a produção de alimentos, abandono das regiões afetadas pela sua população, fome e miséria. A desertificação afeta 58% da área do Semiárido, onde vivem 11,8% brasileiros e brasileiras, muitos deles em situação de pobreza ou extrema pobreza.

Característica marcante e diferenciada do Programa Cisternas é ter nascido no seio das experiências da sociedade civil, proposta como política pública de convivência com a região pelas organizações atuantes no Semiárido através da Articulação Semiárido (ASA) e assumida pelas gestões de Fernando Henrique, Lula, Dilma e, atualmente, Michel Temer, tornando-se, na prática, uma política de Estado.

Valquíria Lima, da coordenação executiva da ASA pelo estado de Minas Gerais, destaca que o Programa Cisternas é resultado de uma solução encontrada pelas próprias famílias rurais do Semiárido para terem água. Essa solução foi potencializada pelas organizações de apoio à agricultura familiar que atuam no Semiárido e formam a ASA.

“Um dos grandes méritos da sociedade civil foi construir uma organização política e administrativa para executar esta política pública, comprovando que a sociedade civil organizada além de propor, mobilizar, pode executar políticas públicas adequadas. No nosso processo metodológico, as famílias são protagonistas. Elas se envolvem no processo de mobilização da comunidade, na construção da tecnologia, nos processos formativos”, afirma Valquíria.

Para ela, a transparência e eficiência que a ASA gerenciou os recursos públicos também contribuem para que o Programa Cisternas seja referência mundial. “A ASA criou toda uma estrutura para fazer a gestão de forma muito transparente e isso também surtiu um efeito positivo. Foi através da transparência, com nosso sistema integrado de gastos, com nossas tecnologias todas georreferenciadas, que comprovamos, de fato, que os recursos chegam na base. E isso nos respaldou para executar, ao longo destes anos, um orçamento significativo para a sociedade civil de mais de R$ 2 bilhões”.

A parceria entre Estado e sociedade civil foi um dos elementos determinantes para essa avaliação da política pública brasileira, como atesta o texto de divulgação da premiação: “Graças a um movimento social, o Brasil introduziu o Programa Cisternas para apoiar a meta de instalação de um milhão de cisternas de coleta de água da chuva para uso doméstico de milhões de pessoas que residem em áreas rurais no Semiárido. O objetivo da instalação de um milhão de cisternas foi alcançado em 2014. Também há 250 mil tecnologias de água produtiva e milhares de cisternas construídas para escolas. Agora, muito menos pessoas deixam a região devido à seca e, apesar de, desde 2012, a região ter experimentado uma das piores secas já registradas, relatórios indicam que não há incidência dos piores efeitos da seca - mortalidade infantil, fome, migração em massa - que costumava ser generalizada no Semiárido”.

Vidas transformadas - No Sertão do Araripe, em Pernambuco, a história de seu Luiz Pereira Caldas, 58 anos, e a esposa Nilza de Oliveira Caldas, 60, é emblemática quanto ao movimento inverso de migração que passou a ocorrer na região depois das políticas públicas de convivência com o Semiárido. Após duas décadas em São Paulo, eles voltaram para sua cidade natal, no município de Granito. Um dos principais motivos do retorno foram as condições favoráveis à prática da agricultura trazidas com a instalação do barreiro-trincheira na propriedade de sua mãe. Este tipo de barreiro é escavado no solo para acumular, no mínimo, 500 mil litros de água da chuva. Por ser estreito e fundo, o espelho d´água em contato com a ação do vento e do sol é pequeno, o que diminui a evaporação do líquido.

Com a água e manejo adequado do solo, as famílias agricultoras plantam de tudo, inclusive, produzem mudas de plantas nativas para preservação da Caatinga e do Cerrado, biomas que ocorrem na região semiárida, e que estão bastante degradados pelas ações do homem para criação de gado, expansão de monocultivos e extração de madeira.
“Quando comprei esse pedaço de terra não tinha nenhuma árvore plantada. Nem uma vara pra fazer um espeto pra assar um pedaço de carne, então eu plantei umburana, sabiá, catingueira, craibera e outras árvores. No meio delas planto palma e hoje coloco minhas colmeias”, conta o agricultor Francisco de Assis da Silva, popular Preguinho, da comunidade São Luiz, do município de Maravilha, em Alagoas. Ele tem alcançado bons resultados ao trabalhar com a agroecologia, como a reversão da infertilidade do solo. Essa prática tem contribuído para produção mesmo em épocas de estiagem. O agricultor pratica técnicas de uso sustentável do solo como cobertura morta, defensivos naturais, período de pousio, rotação de culturas, diversidade produtiva entre outras. “Se eu usasse veneno contaminava a terra, os alimentos, minha saúde e as abelhas não iriam produzir mel de qualidade”. Além do cultivo de espécies nativas, forragem e hortaliças, Seu Francisco também cria aves, ovinos e desenvolve a atividade de apicultura.

Desertificação – Segundo a UNCCD, as terras secas cobrem 40% da superfície da Terra, onde ocorrem os climas árido, semiárido e subúmido seco da Terra. Evidências do processo de desertificação estão presentes em quase todas as partes do Semiárido e, em alguns locais, são tão marcantes que foram rotuladas de núcleos de desertificação: Seridó (RN/ PB), Cariris Velhos (PB), Inhamuns (CE), Gilbués (PI), Sertão Central (PE), Sertão do São Francisco (BA).

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Assembléia Estadual das Pastorais Sociais da Paraíba

O Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste, junto as Pastorais Sociais do Regional Nordeste II (da CNBB), se reuniram nos dias 11 e 12 de agosto de 2017, no Centro Diocesano do Tambor - Campina Grande/PB, para Assembléia Estadual das Pastorais Sociais e Provinciais. 


Com base no tema proposto para esta Assembléia, cuidamos de fornecer, a título de “aperitivo” ou de problematização, alguns elementos que nos permitam pistas de reflexão sobre tantos desafios – velhos e novos – com que nos deparamos. Distribuímos esses subsídios em três momentos organicamente articulados: 
1) uma breve rememoração das origens de nossa caminhada; 
2) um leve ensaio de discernimento sobre aspectos de nossa gesta político-pastoral; e 3) uma reflexão sobre nossos compromissos ante os desafios sócio-eclesiais de hoje.

1) Em busca de nossas raízes...

Ao longo destas últimas décadas, muita água tem rolado debaixo da ponte. Atravessamos distintas conjunturas sócio-eclesiais, em que nossa gente experimentou momentos de profundas turbulências, dentro e fora dos espaços eclesiais, mas também de muitas lutas, alguns avanços significativos, certos reveses, sem perder a esperança. Com efeito, no curso deste período de cerca de meio século, experimentamos como e com as classes populares sucessivos desafios de monta: o tempo-auge da Ditadura empresarial-militar do Governo Médici (1969-1973), associado às ditaduras do Cone Sul (Chile, Argentina, Uruguais...), às quais Eder Sader se referia como a um “rumor de botas”; vivemos com garra e esperança a crescente resistência à(s) Ditadura(s), o (re)ascenso dos movimentos sociais (partidários, sindicais, populares, estudantis, eclesiais...); as mobilizações pela Anistia, pelas Diretas-Já, pelo impedimento de Collor, pela Constituinte, pelas políticas sociais, pelos direitos humanos, pelas conquistas significativas da primeira década deste século, do ascenso de governos pós-neoliberais na América Latna, contra sucessivas ofensivas neoliberais no país, na América Latina  e no mundo...

  No plano interno à(s) Igreja(s), após um promissor ascenso das CEBs, das PCIs, das Pastorais Sociais (CIMI, CPT, CPO, , CPP, PJMP, PMM, Pastoral Negra, Pastoral da Criança, Pastoral Universitária, etc.), de movimentos (ACR, MER – hoje, MCP, ACO/MTC, MEB, MCU, Movimentos Fé e Política, etc.), serviços (Comissão Justiça e Paz, CDDHs, Cáritas, CEBI, etc.), associações (PATAC, AMC, AMINE, GP-NE, Fraternidade do Discípulo Amado, Escolas de Formação Missionária, além de outras modalidades de atuação eclesial, no campo social, eis que irrompe, expande-se e se fortalece,  a pontir do longo pontificado do Papa João Paulo II (sucedido pelo Papa Bento XVI, da mesma linha pastoral), uma forte ofensiva reacionária e restauradora da Cristandade, com enorme incentivo ao crescimento de movimentos eclesiásticos conservadores. Fenômeno que coincide com o impetuoso ascenso de movimentos similares, no plano de Igrejas neo ou pós-pentecostais...

No decorrer da década de 1980, em especial a partir de  meados desta década, o Vaticano desencadeia uma ofensiva de grande intensidade contra a Igreja na Base e a Teologia da Libertação, no momento em que se apresentava de reconhecida fecundidade profético-pastoral o trabalho da Igreja dos Pobres. Apenas duas ilustrações a este respeito , mais precisamente duas iniciativas (dentre diversas outras protagonizadas pela Igreja na Base):
= a coletânea “Teologia e Libertação”, apoiada por mais de uma centena de bispos latino-americanos, e que contou com a efetiva participação dos principais figuras da Teologia da Libertação latino-americana, com dezenas de livros versando sobre os temas-chave deste novo jeito de teologizar (a partir da vida do povo dos pobres), abrangendo temas como Reino de Deus, Antropologia cristã, Memória do povo cristão, Cristologia, Pneumatologia, entre diversos outros temas-chave, sempre tratados com um novo olhar, isto é,  deste modo latinoamericano de produção  teológica, desde o chão experiencial da vida dos pobres;
= a organização da CEHILA - Comisión de Estudios de la Iglesia Latinoamericana y del Caribe, que se empenhou num projeto pioneiro de pesquisa, de registro e de publicação de um número considerável de livros, recuperando – tanto em linguagem acadêmica, quanto em linguagem popular (CEHILA popular) - sob a perspectiva do povo dos pobres, as trajetórias históricas de diversas Igrejas particulares do continente latinoamericano.

Estas e outras iniciativas, sobretudo após o pontificado do Papa João Paulo II (depois sucedido pelo do Papa Bento XVI), passaram a enfrentar uma sequência de questionamentos, desaprovações, censuras, punições. Montou-se uma poderosa estratégia de desmonte das iniciativas da Igreja na Base, inclusive da Teologia da Libertação, que lhe servia de suporte teórico, principalmente após o Concílio Vaticano II e, em especial, a partir da Conferência Episcopal Latino-americana, realizada em Medellín, na Colômbia  (1968), que havia proclamado a “opção preferencial pelos pobres”.

  fecunda em que se deu tal retrocesso nas organizações de base da Igreja Católica implicando perseguição à Teologia da Libertação e algumas de suas figuras exponenciais; a estratégia de desmonte ou esvaziamento da chamada “Igreja na Base” (desmembramento autoritário da Arquidiocese de São Paulo, contra a vontade do arcebispo e seus auxiliares; fechamento do ITER; intervenção nas universidades e institutos católicos; nomeação e transferência de bipos, com perfil de obediência incondicional à nova linha pastoral imposta por Roma; advertência e medidas punitivas a figuras representativas da Teologia da Libertação; oposição explícita a figuras eclesiais comprometidas com a causa dos pobres, entre outras medidas tomadas.

Em nosso Regional Nordeste II, inclusive na Província da Paraíba, nossas Pastorais Sociais viveram momentos profundamente traumáticos, sobretudo em consequência da sucessão de Dom Helder Câmara por Dom José Cardoso Sobrinho. Tempos de profundo e prolongado desmonte da Igreja dos Pobres, inclusive com a expulsão de vários padres da Arquidiocese de Olinda e Recife, que tiveram acolhida pastoral, na Arquidiocese da Paraíba, por Dom José Maria Pires.

Foi, por outro lado, durante esse periódo de gandes provações, que, gaças ao acolhimento de pastor por parte de Dom José Maria Pires, prosperaram fecundas iniciativas pastorais. Já em meados/finais dos anos 60, começavam a dar sinais alvissareiros, em especial no Agreste paraibano, iniciativas de evangelização animadas pelos pobres do campo, por meio de suas comunidades, a exemplo das que se organizavam em tono da região de Mogeiro, onde tiveram lugar importantes iniciativas litúrgico-pastorais, inclusive com círculos bíblicos, com profundo teor formativo, como foram relatadas no livro de autoria do Pe. Gabriele, “Um Saberzinho de nada”, bem como, um pouco mais tarde, as ações de resistência ao latifúndio, em tempos de Ditadura Empresarial-Militar. Ganhou ampla repercussão a resistência dos posseiros de Alagamar, com as imagens de Dom José Maria, Dom Hélder e Dom Francisco Mesquita, a tangeremo gado das plantações dos agricultores.    

Na década de 1980, uma outra experiência pastoral de reconhecido alcance formativo, em terras paraibanas, mais precisamente no município de Pilões: o Seminário Rural, pouco depois substituído pelo Centro de Formação Missionária (CFM), em Serra Redonda. Uma fecunda experiência, inspirada e animada por uma Equipe de Formadores coordenada pelo Pe. José Comblin. Experiência que, em seguida, teria desdobramentos frutuosos, com mais uma meia dúzia de novas experiências formativas, missionárias, contemplativas, de peregrinação...

Nas décadas seguintes, nossas Pastorais Sociais, em estreita e orgânica parceria com outras organizações de base eclesiais (ACR, MER, CDDHs, o CEDUP, o MTC, o MAC, Comissão de Justiça e Paz, Movimento Fé e Política e outras) e com movimetnos populares do campo e das periferias urbanas, inclusive com organizações como o CENTRU, Fundação Margarida Alvesas organizações de convivência com o Semiárido,  continuaram sua trajetória de resistência e de avaços, em várias frentes, tais como em sucessivas conquistas de assentamentos da Reforma Agrária, com um saldo superior ao do período dos governos do PT; os excelentes frutos das organizações de base, empenhadas em relevantes iniciativas de convivência com o Semiárido (ASA, Cáritas, PATAC, várias iniciativas fecundas atuando na Borborema, no alto Sertão, no Cariri; iniciativas desenvolvidas no âmbito da Pastoral da Criança; o empenho na defesa e na promoção dos grupos indígenas, das comunidades quilombolas, dos trabalhos junto a distintos grupos de Mulheres; iniciativas de grande valia, no terreno agroecológico e de tecnologias alternativas de convivência com a região; empenho nos trabalhos de memória histórica (Memorial das Ligas Camponesas da Paraíba), entre outras.

2) Ensaio de discernimento

No curso de nossa trajetória, temos muito a render graças a Deus, bem como a celebrar. De fato, ao nos pormos a rememorar feitos e gestas de cinco décadas, sentimo-nos profundamente tocados com tantas conquistas significativas alcançadas. Ao mesmo tempo, temos consciência de muitas limitações que também nos acompanha(ra)m. Como nosso desejo é seguir avançando, em nossa caminhada, somos chamados a uma constante (re)avaliação retroprospectiva. Para tanto, inspiramo-nos em balizas que provêm, não da posição de uma corrente teológica – eventualmente esposada por uns, em desfavor de outros -, mas se acham inspiradas nos textos fundantes de nossa crença comum: o Evangelho, a cujas diretrizes somos todos chamados a responder, com generosidade, lembrados do que Jesus nos adverte: “Não foram vocês que escolheram, mas fui Eu quem os chamei, para que vocês vão e dêem fruto, e este fruto permaneça.” (Jo 15, 16). De que fruto se trata, senão de respondermos ao que o Espírito do Ressuscitado nos inspira de justiça, de paz, de solidariedade, de partilha, de amor, de misericórdia? Em especial, em nossas relações com o povo dos pobres? A despeito de nossos limites, não era um tanto isso que buscávamos testemunhar naquelas primeiras décadas, e que, em grande medida, deixamos para trás, seduzidos pelos atalhos político-eleitoreiros movidos pelo aliancismo, em que acabomos por privilegiar? Os bons frutos que semeamos, junto com o povo dos pobres, permaneceram mesmo ou restaram como “coisas do passado”?



Busquemos fazê-la, também em mutirão, por meio de questionamentos que nos ajudem, nesta empreitada.

Tendo sob nossa mira auto-avaliativa, significiativas conquistas alcançadas  vale a pena que nos perguntemos, por exemplo:
= Que condições objetivas e subjetivas nos permitiram alcançar tais conquistas, em especial aquelas que se mostram bem resistir à nova ofensiva neoliberal?
= Elas têm ou não muito a ver com o nosso jeito de nos organizar? Quem tomava as decisões? Como elas eram tomadas? A quem recorríamos para obtermos ajuda e apoio?

= Até que ponto conseguimos, a contento, dar sequência ao processo de formação contínua, que nos forneceu preciosas ferramentas conceituais e da prática prática, no processo dessas conquistas, e para além delas?
= Há ou não diferença considerável entre “conquistas” concedidas (de cima para baixo) e conquistas resultantes de nosso processo de luta, com autonomia, seja em relação ao Mercado, seja em relação ao Estado?
= Sem ignorar vantagens (em geral, mais de ordem pessoal do que em relação às nossas organizações de base), qual é mesmo o verdadeiro saldo de nossa opção por ocupar os espaços governamentais?
= Quais os verdadeiros frutos de nossa opção, a partir das últimas décadas, por aproximar-nos, como nunca antes havíamos feito, do campo partidário e eleitoral, distanciando-nos (em alguns casos, até abandonando) a saudável postura de um necessário distanciamento crítico das instâncias governamentais e das forças do Mercado?
= Mesmo no plano especificamente eclesial, constatamos diferenças acentuadas entre a forma de nos organizarmos nas décadas de 70 e 80 e como vimos nos organizando nas últimas décadas. Trata-se de diferenças  substancialmente favoráveis ou, antes, em grande parte, equivocadas? Um exemplo concreto: nos círculos de cultura, nos núcleos, nos encontros, nas assembleias ou nas reuniões ordinárias, tínhamos sempre o cuidado de superar a tendência a uma aposta desmedida no protagonismo individual, em prejuízo do protagonismo comunitário. Será que tal postura não foi significativamente negligenciada ou mesmo abandonada, em favor de uma aposta cega em “salvadores” individuais ou de pequenos grupos?
= Diferentemente de um apoio crítico a forças partidárias aliadas, que mantínhamos,  nas primeiras décadas, será que não nos afastamos demasiado desta saudável postura ético-política, à medida que passamos a um alinhamento quase automático ou incondicional a forças partidárias, ainda quando tínhamos consciência  do seu perigoso distanciamento das bases e de posições ético-políticas, que sempre defendemos? (  Pensemos, por exemplo, na campanha “Ética na Política”, em meados dos anos 90.

= No modo de nos organizarmos junto com o povo dos pobres, inclusive no processo formativo, quando é que mais nos aproximamos do núcleo da mensagem do Evangelho e da Tradição de Jesus (cf., por ex., Mc 10, 42-45: “Entre vocês não seja assim”...), com a qual tão bem se afina o espírito das conclusões de Medellin, hoje atualizado na gesta de Francisco, Bispo de Roma:
* nas primeiras décadas de nossa caminhada pastoral, quando lutávamos por uma nova sociedade, ou
*nas últimas décadas, quando preterindo do sonho da construção de uma nova sociedade, sucumbimos à ilusão de lutar por um “novo Estado”? Em termos de denúncia-anúncio, o que nos inspira o Espírito do Ressuscitado? Aonde nos tem levado a teimosia de nos conformarmos com as estruturas do Estado? Serão mesmo estruturas renováveis ou, antes, isto tem significado tentar pôr “remendo novo em pano velho”? “Pelos seus frutos, vocês os conhecerão.”).

3. Renovando/atualizando nossos compromissos de cidadã(o)s e de cristã(o)s

Sabemos que só faz sentido para nós ensaiarmos passos de avaliação de nossa caminhada, se - e somente se – implicar sinceros propósitos de mudança e conversão, tanto no plano comunitário, quanto no âmbito pessoal. Eis o sentido do que estamos propondo como pistas de uma (auto)avaliação retroprospectiva, à luz da caridade assumida como dimensão pastoral socioestruturante: não nos basta rememorar o que foi (bem ou mal) feito. É fundamental voltarmos os olhos e o coração para frente, como é que vamos caminhar, daqui por diante. Que passos somos historicamente chamados a ensaiar, em vista de testemunhar, nos vários campos de atuação sócio-pastoral, nossa ação transformadora em nós, seja nos espaços de atuação cidadã, seja ao interno de nossa(s) Igreja(s)?
Nesse sentido, graças a Deus e à generosa dedicação de vários grupos espalhados pela nossa Paraíba, alegramo-nos com diversas experiências fecundas que já vêm acontecendo, e que somos chamados a consolidar e ampliar. Por outro lado, há também muita estrada a percorrer, nessa direção. Exemplifiquemos algumas urgências a serem enfrentadas, no campo e na cidade, a desafiarem nossa ação pastoral e – conforme a natureza de cada um desses sujeitos e sua adequada relação: no caso das Pastorais Sociais, sempre atuando como um serviço cristão no meio do povo dos pobres, sem reivindicar “paternidade” em sua ação de caridade gratuita, pela força do Ressuscitado.
·        Considerando que o amor cristão nos move a agir em atos concretos, convém lembrar, para além de nossas fronteiras paroquiais e diocesanas, a marca universal ( isto é, tomando em consideração as dores, as lutas e as esperanças de toda a humanidade) de nossa vocação de Batizados – “ sacerdote, profeta e rei” ( isto é: pastores, profetas e cidadãos ). Neste sentido, sem prejuízo de nossa ação pastora local, sentimo-nos comprometidos com os grandes dramas presentes da humanidade, seguindo os passos da Tradição de Jesus. Fazendo nossas estas situações dramáticas, lançamos sobre cada uma delas nosso olhar solidário, em relação às graves consequências das guerras em curso, a afligirem enormes parcelas das populações do Oriente Médio, da África e de outras regiões,  na Ásia, em nossa América Latina...

Solidarizamo-nos com as vítimas da profunda chaga social das migrações forçadas e dos refugiados, em várias partes do mundo. Trazemos como tarefa também nossa tomar conhecimento e combater as causas das diversas e crescentes formas de violência espalhadas pelo mundo, inclusive entre nós: as várias formas de agressão contra a Mãe-Terra; genocídio; etnocídio; racismo; feminicídio; misoginia; tráfico de pessoas, de armas e de drogas; formas modernas de escravidão, homofobia, xenofobia, ódio de classe, as situações sofridas pelos povos de rua, os sem-terra, os sem-teto, os povos das águas, das florestas, os povos tradicionais, ribeirinhos, os desempregados, os sub-empregados....

Eis um panorama de nosso campo de missão. Assustam-nos sua complexidade e vastidão, quando temos consciência de nossas limitações ( pessoais e coletivas ). Consola-nos, todavia, o lembrete paulino acerca da Graça: “ A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” ( 2cor 12,9 ). Sabemos, por um lado, que, dadas as nossas limitações, sentimo-nos impotentes para responder, a contento, a tais desafios, mas, por outro lado, somos chamados e encorajados a enfrentá-los, a curto, médio e longo prazos, a partir do chão do dia-a-dia. Uma primeira pista, neste sentido, é atentarmos para o alcance sistêmico, globalizado desses desafios, profundamente interconectados pelo modelo capitalista, apontando pra necessidade e urgência de um novo modo de produção, de um novo modo de consumo e de um novo modo de gestão societal, em harmonia com a dignidade do planeta e de toda a comunidade dos viventes.
Sucede que é, a partir do local, que somos chamados a agir  na atualidade  de modo a nos comprometer com efetivas mudanças, a partir do chão de nossa realidade.

Alguns questionamentos nos sirvam de aperitivo para uma busca de discernimento sobre os desafios nossos a merecerem prioridade de enfrentamento, de nossa parte.

= Examinando nossa ação pastoral, à luz da ação transformadora da Caridade cristã, como prosseguirmos, em novo estilo, nossa ação pastoral, frente aos graves desafios da atual conjuntura? Sucumbindo a velhos esquemas de fazer Política, com falsas polarizações, ou (re)orientando nossa ação pastoral, de modo a recuperar o espírito de enraizamento, convívio e comprometimento com o povo dos pobres, do campo e da cidade, desde suas necessidades e aspirações libertadoras?

= Conforme os critérios da Caridade socioestruturante (também) da vida pastoral e do Reino de Deus e Sua justiça, que experiências frutuosas, em curso, merecem continuar sendo animadas e consolidadas por nós?
* no âmbito dos trabalhos atinentes aos cuidados sócio-ambientais comprometidos com a nossa “Casa Comum”, seja no âmbito da produção, seja no tocante ao consumo, seja no plano da gestão comunitária?

* No tocante às experiências no terreno das relações sociais de gênero (trabalhos de apoio, de acompanhamento, de formação, de defesa e promoção da dignidade das mulheres vítimas de violência de todos os tipos, a começar pelo feminicício?

* Nos trabalhos e experiências, no âmbito das relações étnicas, de defesa e promoção dos direitos dos povos originários, das comunidades quilombolas, dos povos das águas, das florestas, dos ribeirinhos, dos pescadores...?

* Nos trabalhos e experiências mais diretamente voltadas para as relações geracionais, na defesa e promoção dos direitos das crianças, dos adolescentes, dos jovens, das pessoas idosas?

* Nos trabalhos e experiências com os Trabalhadores e Trabalhadoras do campo e da cidade, incluindo as experiências de acompanhamento e apoio às vítimas do desemprego, do sub-emprego, do trabalho terceirizado, das vítimas de tráfico humano, de armas e de drogas, das formas dissimuladas de trabalho escravo?

* Nas experiências de solidariedade e acompanhamento do cotidiano do povo da rua, das vítimas de migração forçada, dos refugiados, das vítimas de prostituição, das vítimas de expulsão em razão de barragens, de implantação de equipamentos montados a pretexto de renovação de fontes energéticas, à revelia ou sem a participação das comunidades locais?

· Movidos pela convicção da necessidade e urgência de uma (auto)avaliação retroprospectiva, como vamos nos organizar para retomar, em novo estilo, nossos compromissos nos mais distintos trabalhos e experiências pastorais, priorizando e pondo em prática critérios organizativos (animação dos círculos de cultura, dos círculos bíblicos, do protagonismo de todos na tomada de decisões pela base, na alternância de cargos e funções, na observância do princípio da delegação, no cuidado da relação com as diferentes instâncias pastorais, na promoção da autonomia relativa frente ao Mercado e ao Estado...) e formativos ( formação permanente a ser assegurada não apenas aos coordenadores, mas igualmente à base, na perspectiva de uma  Educação integral, em diálogo com a Educação Popular).

                                                                                           Alder Júlio Ferreira Calado






Reunião Preparatória da VII FESP



A comissão da 7° Festa Estadual das Sementes da Paixão esteve reunida na manhã do dia 09 de agosto na sede do Casaco, em Boqueirão/PB, para preparação da sétima edição da festa, que acontecerá nos dias 05, 06 e 07 de Outubro de 2017. 




terça-feira, 22 de agosto de 2017

Convivência com o Semiárido: Oficina de Educação Contextualizada

O Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste está promovendo Oficinas de Educação Contextualizada para a convivência com o Semiárido, durante o mês de agosto, até a presente data, nos municípios de Riachão de Bacamarte/PB nos dias 09 e 10 de agosto e em Salgado de São Félix/PB, dias 15 e 16 de agosto de 2017. Esses encontros fazem parte do Projeto Cisternas nas Escolas que é financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário – MDSA e excetuado pelo SPMNE em parceria com a Articulação do Semiárido Brasileiro - ASA, e envolve três módulos com encontros de dois dias cada um.
O objetivo da Oficina de Educação Contextualizada é abordar temas diversos com os professores, como a convivência com o semiárido, a realidade de cada comunidade escolar no semiárido e a educação contextualizada para a convivência com o semiárido.
No primeiro módulo, estão envolvidos momentos de apresentação para interação do grupo, análise de conjuntura, contextualização do semiárido, os paradigmas (combate à seca x convivência com o semiárido).
No módulo II, a apresentação é da comunidade local e escolar, os professores relatam sobre a realidade educacional no contexto do semiárido brasileiro, o Projeto Político Pedagógico (PPP), suas especificidades e as propostas pedagógicas aplicadas em sala de aula (conteúdos, objetivos, metodologia e recursos).
Já no III módulo, a reflexão é sobre os fundamentos e princípios da Educação Contextualizada para a convivência com o semiárido, os aspectos legais que regem a educação do campo, a cisterna como elemento pedagógico, a água como tema gerador no contexto escolar e do semiárido, além da construção de uma proposta pedagógica fundamentada nos princípios e fundamentos da Educação contextualizada para a Convivência com o Semiárido. Os cursos reuniram cerca de 40 professores e professoras cada um, e tiveram um bom aproveitamento e envolvimento dos participantes, pois são desenvolvidos por meio de uma metodologia participativa, tendo como base a Educação Popular, utilizando diversos recursos dinâmicos para que os conteúdos compartilhados possam ser apreendidos com maior facilidade. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

INGÁ: COMEMORA ANIVERSÁRIO DA FEIRA AGROECOLÓGICA

Na quarta-feira 02 de Agosto, foi um dia de festa para o agricultor e agricultora familiar do Ingá, pois aconteceu a comemoração do I aniversário da Feira dos Agricultores e Agricultoras de Ingá e Região, localizada no centro da cidade, ao lado da Prefeitura Municipal, onde acontece semanalmente toda quarta-feira a Feira Agroecológica.

A Feira da Agricultura Familiar de Ingá teve início no ano de 2014, na sede da Pastoral dos Migrantes, no bairro Ananias. Através de parcerias com a EMATER e outros órgãos, a feira foi transferida para o centro da cidade, e hoje comemorou seu primeiro ano, após a reorganização. Na feirinha são comercializados produtos 100% saudáveis, vindo diretamente do campo e produzidos sem o uso de agrotóxicos.

O evento contou com a participação de parceiros como a Central das Associações dos Pequenos Produtores Rurais do Ingá e Região, da Gestão Unificada da EMATER-PB, da Secretaria de Agricultura, Fórum de Lideranças do Agreste e do CMDRS, e da Comissão de Orgânicos.
A programação teve início as 6 horas da manhã e encerramento com um almoço no Salão Pastoral da cidade. No decorrer do evento, podemos partilhar um pouco do relato da história da feira do ingá, na fala do representante da Pastoral dos Migrantes Arivaldo Seshyta, como também um pouco sobre as outras feiras agroecológicas da Paraíba, com Severino Henrique (Coordenador Estadual das Feiras do Produtor). A feirinha teve muita animação, com convidados tocadores da velha guarda, moradores do município.
Um dos momentos ápice da comemoração se deu nas falas da agricultora Rosa Bernardo e do agricultor José Roberto, que falaram sobre a importância da feira na vida do agricultor e testemunharam os benefícios em geral que a feira traz para o povo do campo e da cidade. Algumas autoridades municipais estavam presentes, Arlene Magna (Emater), Robério Burity (Vice-Prefeito), Antônio Burity (Ex-Prefeito de Ingá), e enfatizaram sobre a importância da feira agroecológica no município, como também a importância de conscientização da população em se preocupar com a comida que está chegando a nossa mesa.

Ainda, algumas palestras foram proporcionadas aos agricultores e a comunidade presente, sobre as Sementes da Paixão, Agrotóxicos e Comissão de Orgânicos. Conduzindo o momento tivemos Amélia Marques (SPMNE), Amália Marques (Comissão de Orgânicos) e Toinho (CENTRAC).

Durante o almoço de encerramento cada agricultor e agricultora foram distribuídos brindes, como agradecimento pela força, garra e dedicação de nos proporcionarem uma alimentação saudável.  

Compre produtos de qualidade, direto do campo para sua mesa, alimentação saudável, livre de agrotóxicos.