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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Escolas do campo no município de Santa Cecília recebem capacitação do Programa Cisterna nas Escolas.

O Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste realizou entre os dias 19 e 20 de Junho de 2017, no município de Santa Cecília/PB, mais uma etapa do Projeto Cisterna nas Escolas, que é financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário – MDSA e excetuado pelo SPMNE em parceria com a Articulação do Semiárido – ASA.

Nessa etapa do projeto, professores participaram da Oficina de Educação Contextualizada, enquanto os auxiliares e merendeiras da escola participaram do curso de Gerenciamento de Recursos Hídricos Escolares - GRHE. 
O GRHE é o momento pelo qual os profissionais das escolas beneficiadas, como auxiliares e merendeiras, conhecem o processo de construção das cisternas, os cuidados com a água, as ações de convivência com o semiárido, troca de experiências, as tecnologias sociais, ações desenvolvidas pelos agricultores, pelas entidades como o SPMNE, e/ou a rede ASA.

Como também, na OFICINA DE EDUCAÇÃO CONTEXTUALIZADA, acontece um processo de formação que estimula uma maior reflexão à cerca de temas como educação do campo, o semiárido, a importância do papel dos professores e professoras na valorização desses temas, assim como na construção do Projeto Político Pedagógico da escola, entre outros.



Os cursos reuniram cerca de 80 pessoas ao todo, e tiveram um bom aproveitamento e envolvimento dos participantes.

sábado, 17 de junho de 2017

NESSE DOMINGO ACONTECERÁ A 9ª CAMINHADA NA NATUREZA "CIRCUITO URUÇU E SERRA DO CATOLÉ"


Esta se aproximando a 9ª Caminhada na Natureza “Circuito Uruçu e Serra do Catolé, será realizada neste domingo, dia 18 de Junho de 2017. Junto a Caminhada será celebrada a abertura da 32ª Semana do Migrante, que tem como tema “Migração Biomas e Bem Viver: Uma oportunidade de imaginar outros mundos, de 18 a 25 de junho em todo o Brasil, uma realização do Serviço Pastoral dos Migrantes que todos os anos promove uma semana de celebrações e reflexões em continuidade a Campanha da Fraternidade da CNBB, a partir dos processos migratórios que ocorrem em todo o planeta.
Percebemos as atividades de turismo rural de base comunitária (a exemplo das Caminhadana Natureza), como um espaço fundamental de interação com a vida em todas as suas formas, no qual temos a oportunidade de ver, ouvir e sentir a Mãe Terra e suas interações tão essenciais ao bem viver, a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Além de possibilitar reflexões sobre o nosso modo de vida, os padrões de consumo que temos adquirido ao longo do tempo, e como estes afetam a saúde da Mãe Natureza e das populações que estão à margem de uma parcela da sociedade privilegiada.


Neste espírito de interação e solidariedade, convidamos a todos a compartilhar essa vivência com a Natureza e com as comunidades e fortalecer nossas relações de harmonia e paz com a natureza e com as histórias do nosso povo. Caminharemos por moradias, escolas, igrejas, montanhas, lajedos, riachos e áreas agrícolas.

A caminhada será iniciada a partir das 7h com as inscrições e café da manhã, com saída prevista para às 8h. E encerraremos com almoço que será servido na Escola Anália Arruda da Silva.

Mais informações através dos contatos: (83) 98619-3675/98859-5278/99664-3131.

Coordenação
Caminhada na Natureza “Circuito Uruçu e Serra do Catolé

sexta-feira, 16 de junho de 2017

FÓRUM DE LIDERANÇAS DO AGRESTE (FOLIA) REALIZA ENCONTRO TERRITORIAL EM MOGEIRO/PB COM O TEMA: TERRA E TERRITÓRIO

O Fórum das Lideranças do Agreste (FOLIA), articulação que reúne pessoas e organizações de trabalhadores e trabalhadoras rurais de mais de 10 municípios do Agreste da Paraíba (Salgado de São Félix, Itatuba, Mogeiro, Fagundes, Campina Grande, Itabaiana, Natuba, Umbuzeiro, Ingá, Aroeiras e Gado Bravo), se reuniu nessa sexta-feira, dia 09 de Junho de 2017, no salão da Paróquia de Mogeiro/PB, para debater o tema Terra e Território.
O encontro teve início com o café da manhã, seguido de uma mística de abertura com música e oração. Dando continuidade ao encontro, Emanoel, educador da CPT (Comissão Pastoral da Terra) fez a introdução do tema e um breve debate com o grupo.
Em um segundo momento, o grupo foi convidado a visitar na comunidade Salgadinho, o Assentamento Paraíso de Mogeiro, onde vivem cerca de 27 famílias, que lutam bastante para conquistar sua terra e partilharam um pouco da sua trajetória com o grupo visitante. Vários assentados falaram dos conflitos enfrentados para a conquista da terra. Os despejos, sofrimentos, o que enfrentaram, os sentimentos, as estratégias utilizadas, o trabalho desenvolvido, enfim, as lutas e vitórias daquele povo. Seu Joselito conta como é difícil a luta pela terra, mas demonstra a força e coragem desse povo, quando afirma: 

“Se for pra sair daqui a gente só sai morto, desistir da luta não vamos não”.



Seguindo com a partilha e discussão no horário da tarde, o grupo analisou o que foi encontrado no assentamento, e colocou o quão gratificante é o trabalho no campo, principalmente por meio de vitórias conquistas através da luta. Percebendo também exemplos de resistência e perseverança diante as dificuldades. Nota-se o quanto a visita deixou sua marca por percebermos a organização e a resistência das famílias naquele acampamento, o que nos leva a não tirar da memória as lutas de tantos que já passaram e passam por aqui. Após os informes e encaminhamentos, o encontro foi finalizado com uma mística de encerramento. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

SPMNE RETOMA PROJETO DAS CISTERNAS NAS ESCOLAS

O Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste (SPMNE), localizado no município de Ingá, estado da Paraíba, retomou nesta quinta-feira, dia 01 de Junho do ano de 2017,  a execução do projeto Cisterna nas Escolas. O programa conta com o apoio do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário e da instituição Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA).

No SPMNE, o projeto de Cisterna nas Escolas teve sua primeira execução no ano de 2014 e desde então vem executando-o em todo território da pastoral. Nesse dia as atividades relacionadas ao projeto foram dadas inicio com um encontro territorial, no município de Campina Grande/PB, onde reuniram-se cerca de trinta pessoas. Contamos com a participação da equipe do SPMNE e de representações de comissões municipais, de prefeituras, de secretarias de educação, direção escolar, agricultores, comunidade em geral, dos municípios contemplados com as águas do saber, sendo eles: Aroeiras, Natuba, Riachão de Bacamarte, Santa Cecília e Salgado de São Felix. Na ocasião, foram apresentados os detalhes sobre todo o processo de construção das 49 cisternas escolares,  desde mobilização à construção. 


quinta-feira, 9 de março de 2017

Oitava Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia leva cinco mil mulheres às ruas de Alagoa Nova-PB pelo fim da cultura do estupro e contra a Reforma da Previdência

Em 2017, neste dia oito de março, a oitava Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, organizada pelo Polo da Borborema, uma articulação de 14 sindicatos de trabalhadores rurais da região da Borborema na Paraíba em parceria com a AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, levou às ruas do município de Alagoa Nova, no Brejo Paraibano, um grito pela liberdade das mulheres e contra a chamada ‘cultura do estupro’, que é quando em uma sociedade, a violência sexual é naturalizada por meio da culpabilização das vítimas.


Outra grande pauta trazida pela Marcha em 2017, foi o repúdio à reforma da Previdência Social proposta pelo governo de Michel Temer (PMDB), por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que atualmente está em discussão no Congresso Nacional. Para as mulheres, a proposta significa um forte retrocesso no que diz respeito a direitos já conquistados, como a diferença de idade mínima para aposentadoria entre homens e mulheres de cinco anos a menos para as mulheres, a acumulação dos benefícios de pensão por morte e a aposentadoria e até a própria condição de segurado especial para trabalhadores e trabalhadoras rurais.


A programação teve início com a concentração, a partir das 8h, na Lagoa do Parque Manoel Pereira, no bairro Mário Lima, onde foi feita a animação e acolhida às centenas de caravanas que traziam mulheres dos municípios do Polo, de outras regiões da Paraíba e de estados vizinhos. Daniele Duarte, da direção do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Alagoa Nova, fez a abertura oficial da VIII Marcha: “Nós não viemos aqui para nos amostrar, cada mulher que está aqui sabe muito bem o que viemos fazer. E nós estamos radiantes de felicidade por receber um evento tão grandioso como esse aqui no nosso município. Lutamos pela vida das mulheres e pela agroecologia”, disse.

Alessandra Luna, secretária de mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da coordenação da Marcha das Margaridas, fez uma fala sobre o significado do 8 de março em uma conjuntura política de avanço do conservadorismo e retrocesso com a retirada de direitos, a partir da proposta de reforma da Previdência: “O 8 de março de 2017 é mais que nunca, um dia de luta contra os retrocessos como essa reforma da Previdência. Sabemos que esse é só mais um passo na consolidação do golpe que foi dado, mas não podemos aceitar que se iguale, por exemplo, a idade entre homens e mulheres para aposentadoria. Como ter direitos iguais se nós não conquistamos ainda condições iguais? Quem é mulher sabe que as condições não são iguais, sente o peso da sua jornada de trabalho. Então fazer esse corte raso, só pela idade, é acabar com uma das poucas políticas que temos de reparação. Dizer para as populações mais pobres que você só vai se aposentar aos 65 anos, é o mesmo que dizer que você vai morrer sem o direito de se aposentar. Quem está propondo isso não sabe o que é viver com um salário mínimo. Você não poder acumular a pensão por morte e a aposentadoria também, quando a gente sabe que é um direito adquirido pela pessoa que morreu”, afirmou a liderança.  

Após as falas, houve a apresentação da peça “Zefinha não tem culpa!” encenada pelo Grupo de Teatro Amador do Polo da Borborema. Esse ano, a peça trouxe a história de uma jovem agricultora que é abusada e estuprada por um conhecido de sua família. Mesmo vítima, Zefinha é acusada de ter ‘provocado o estuprador’ ao usar uma roupa curta e andar sozinha, sofrendo dessa forma uma dupla violência. No entanto, através de uma rede de apoio e acolhimento à jovem, sua família consegue perceber que em casos de violência sexual contra as mulheres só existe um culpado: o homem que estupra. Ao final, o estuprador é punido. Após a peça, as mulheres da coordenação do Polo perguntam à plateia: “O que aconteceu com Zefinha poderia acontecer com uma de nossas filhas? Com nossa vizinha? Vocês acham que ela tem culpa? Então de quem é a culpa?”.
Após a peça as mulheres saíram em caminhada pelas ruas da cidade. Foi feita uma parada no meio do percurso, onde aconteceu um ato público em memória de Margarida Maria Alves, sindicalista assassinada a tiros a mando de latifundiários da região, em 1983. Margarida dedicou sua vida à luta pelos direitos dos trabalhadores rurais e, em especial, às mulheres. Presidente do sindicato rural do município vizinho, Alagoa Grande, a memória da liderança inspira até hoje a luta camponesa por mais direitos.

Segurando flores em apologia ao seu nome, um grupo de mulheres cantou a letra “Canção pra Margarida” do cantor e compositor de Zé Vicente. A agricultora Maria de Lourdes de Sousa, ou dona ‘Quinca’ como é conhecida, de 66 anos, liderança do sindicato dos trabalhadores rurais de Alagoa Nova, que lutou ao lado de Margarida, fez uma fala resgatando a trajetória da companheira sindicalista e reafirmando o compromisso de seguir lutando para manter as conquistas de Margarida. Quase 40 anos depois de sua morte, as mulheres se encontram novamente no Brejo Paraibano para voltar a lutar, agora pela manutenção dos direitos já conquistados. Surgiram mulheres segurando enxadas com lenços lilás que gritaram palavras de ordem e de rechaço à reforma da Previdência. Foram lembrados os nomes dos 11 deputados federais paraibanos que ainda não se posicionaram contra a proposta na Câmara dos Deputados, exigindo o voto contrário.

A caminhada seguiu até a Praça João Pessoa, no Centro de Alagoa Nova, onde em um segundo palco montado no local houve o show de Lia de Itamaracá, acompanhada pelas também cirandeiras conhecidas como “As filhas de Baracho”, considerado o rei da ciranda. Com muita animação, as participantes da marcha dançaram ao ritmo da ciranda e do coco de roda. Visitaram ainda a feira de “sabores e saberes” com venda e exposição de produtos e experiências de mulheres trabalhadoras dos municípios do Polo da Borborema.

A mística de encerramento mostrou um grupo de mulheres que tem uma caminhada histórica de luta e resistência pela agricultura familiar na região. Empunhando suas enxadas, elas gritaram “Margarida virou 100, Margarida virou mil, Margarida virou milhão!”. Em um gesto simbólico, as mulheres de idade entregaram suas enxadas para um grupo do mesmo tamanho de mulheres jovens, para dizer que a luta de Margarida que elas ajudaram a seguir, precisa continuar, e pelas mãos da juventude. “A gente quer sair daqui levando a mensagem de que a enxada não é um símbolo de sofrimento. Mas o nosso instrumento de trabalho, na nossa missão de produzir o alimento. Pra nós, ela é sagrada e símbolo de luta, de vida e de esperança”, afirmou Roselita Vitor, da coordenação do Polo.



Para Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA e da coordenação da Marcha, um dos grandes legados das oito edições da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia é a consolidação do protagonismo das mulheres na luta política assumida pelo Polo da Borborema, a partir de sua atuação no movimento sindical: “Hoje em dia, as mulheres estão cada vez mais presentes nos espaços de poder, na presidência e nas direções dos sindicatos e das associações, como gestoras de fundos rotativos solidários e de feiras agroecológicas. Hoje os sindicatos do território não têm mulheres em seus espaços por uma questão de cota, mas sim porque entendem a importância e o papel das mulheres na construção do seu projeto político”, frisou.



 Fonte:  http://aspta.org.br/

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Presidente da Fundação Banco do Brasil visita cisternas dos Programas P1+2 e P1MC no município de Itabaiana-PB

Uma comitiva formada pelo presidente da Fundação Banco do Brasil (FBB), Gerôncio Luna, pelo gerente geral da Agência Setor Público do Banco do Brasil de João Pessoa, Edilberto Passos e pelo Gerente de Mercado da Superintendência do Banco do Brasil da Paraíba, Alexandre Carvalhaes, visitou na última quinta-feira (29) propriedades rurais do Assentamento Almir Muniz, município de Itabaiana-PB, distante 75km da capital,João Pessoa, no Agreste Paraibano.

O objetivo da visita foi conhecer as tecnologias sociais de captação de água de chuva, cisternas para consumo humano e para produção de alimentos e criação de animais construídas pelas organizações da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), rede integrante da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), por meio de projetos financiados pela Fundação Banco do Brasil. Também acompanharam a visita Ary Sezhyta, Shirley Luiz da Silva e Fernando Pereira do Serviço Pastoral do Migrante (SPM), Madalena Medeiros, Maria do Socorro Oliveira e Áurea Olimpia do Centro de Ação Cultural (Centrac) e Glória Araújo Batista do Patac e da Coordenação Executiva da ASA Paraíba e da coordenação Nacional da ASA Brasil.

Foram visitadas três famílias participantes dos Programas Um Milhão de Cisternas (P1MC), que constrói cisternas com capacidade de 16 mil litros e captação de água de chuva a partir do telhado das casas e é usada para beber e cozinhar e do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que por sua vez, trabalha com cisternas de 52 mil litros para a produção e a criação de animais. Nesse tipo cisterna, a captação de água pode acontecer de duas formas: por meio de um calçadão inclinado de 200 metros quadrados, construído ao lado do reservatório, a chamada cisterna calçadão, ou por meio da instalação de duas caixas de decantação que colhem a água trazida pela inclinação do próprio terreno, a cisterna de enxurrada.

Números – A parceria da ASA Brasil com a Fundação Banco do Brasil na construção de cisternas, de 2010 a 2014, já beneficiou, nos 10 estados do Semiárido Brasileiro, 350 mil pessoas, com um investimento de 330 milhões de reais, vindos da própria FBB e do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Estes valores foram investidos na construção de 92 mil cisternas, sendo 12 mil cisternas de produção e 80 mil cisternas de beber e cozinhar. “A ASA é um dos nossos principais parceiros, temos muito orgulho de apoiar esse trabalho, porque ele é muito sério. Eu quis vir aqui para escutar os moradores, pois esse depoimento é muito importante para ratificar os benefícios que as cisternas traz em para as comunidades. O sentimento de inclusão sócio-produtiva é gratificante, ver as pessoas vivendo com dignidade e envolvidas, principalmente os filhos, muito comprometidos com a agricultura, o que denota uma boa perspectiva de futuro. O que a gente percebe é que o povo está feliz”, disse Gerôncio Luna.

Dos 50 milhões de reais de recursos para investimento social da Fundação, que inclui outros temas, como resíduos sólidos, cerca de 25 milhões de reais, foram investidos na Paraíba, em 8.100 cisternas do P1MC e 1.200 cisternas do P1+2. De acordo com o Presidente, a FBB está comprometida com a universalização da água de beber e cozinhar. Segundo levantamento da ASA Brasil, seriam necessárias ainda 350 mil cisternas desse tipo. “A Fundação estuda as possibilidades de ampliar a sua participação nesta ação. Estamos buscando fontes de recursos que criem condições para que os programas e projetos, além de não sofrerem de descontinuidade, possam ser ampliados. Por isso, deverá continuar contando com aportes do Banco do Brasil, par ceiros estratégicos a exemplo do BNDES e outros investimentos sociais como entidades privadas e entidades não governamentais no Brasil e no exterior”, explicou o Presidente da FBB.

De acordo com Gerôncio, a Fundação Banco do Brasil, nos últimos 10 anos, teve um investimento social na ordem de 2,4 bilhões de reais, que beneficiaram 3,3 milhões de pessoas em mais de 6 mil projetos. A entidade está presente em 1.900 cidades brasileiras, “a cada três cidades, em uma, ela está presente” completou.

O processo de construção de cisternas vai além da entrega da tecnologia, um programa de formações permite que as famílias reforcem suas práticas de manejo agroecológico e ampliem os seus conhecimentos por meio dos intercâmbios de experiências, entre duas comunidades de um mesmo município ou entre municípios diferentes, como destacou Madalena Medeiros, assessora técnica do Centrac, uma das organizações da ASA Paraíba executora do projeto na região. “A gente veio de uma agricultura muito tradicional, desde os fazendeiros, o normal era usar veneno, produzir uma coisa só e vender para o atravessador. A gente achava que essa era a única forma de produzir. Com o apoio do P1+2, as formações, a gente percebeu que pode sim, não usar veneno e que dá para produzir bem. Hoje a gente planta um pouco de tudo”, conta Lidiane Muniz, de 23 anos, moradora do Assentamento Almir Muniz.

No lote de 13,5 hectares, a jovem, que é técnica em Agroecologia, trabalha com os pais na criação de galinhas, gado, caprinos e ovinos e na produção de uma diversidade de culturas, como macaxeira, amendoim, jerimum, batata doce, cana de açúcar, abacaxi, limão, acerola, banana e hortaliças. Junto com os pais Maria José, ou ‘dona Zezé’ e seu Moacir eles participam, todos os sábados, da Feira Agroecológica de Itabaiana. “Para a gente melhorou muito, porque, além de não precisar mais comprar um monte de coisas, a gente ainda melhora a nossa renda com a venda”, avalia seu Moacir.

Dona Zezé diz que, por conta da seca, a maior que eles têm enfrentado (desde 2011, não chove com regularidade na região), a produção de hortaliças as vezes diminui: “Ainda assim eu faço e levo para a feira bolo de macaxeira, pé de moleque, beijú, tapioca, macaxeira e batata doce cozidas e galinha de capoeira guisada”, disse. Dona Maria José Dias da Silva, ou dona ‘Nenê’, como é conhecida, também mora no Assentamento Almir Muniz. Ela diz que a chegada da cisterna ajudou a resgatar a sua criação de galinhas, que por conta da falta de água, havia sido obrigada a abandonar: “Para mim foi ótimo, além da minha criação de galinhas, tem o meu coentro, o meu pimentão, que eu já não compro mais. A minha cisterna, mesmo com a pouca chuva, sangrou, eu ainda enchi uns ‘camburões’, mas não dei conta, se outra cisterna eu tivesse, ela tinha enchido também, é uma benção! ”, diz a agricultora.

De acordo com as famílias visitadas, com a água armazenada na cisterna de beber e cozinhar, por exemplo, é possível abastecer a casa de cinco a seis meses, dependendo do uso. Na Paraíba, as famílias ainda desenvolvem uma série de estratégias, como a recarga de cisternas, retirando água de pequenos barreiros com ajuda de uma pequena bomba, o que evita a evaporação e ainda tem investido em um sistema de reuso da água do banho e das pias da casa, a chamada “água cinza”, que são usadas para aguar fruteiras. “Nós da ASA Paraíba, inclusive, estamos em uma parceria com o INSA (Instituto Nacional do Semiárido) para realizar estudos da qualidade desse tipo de água e dos produtos, produzidos à partir desse reaproveitamento, para poder investir com toda a segurança”, explicou Glória Araújo Batista. “A cisterna não é início, meio e fim. Outros projetos devem ser agregados no futuro, a exemplo do reuso da água cinza”, disse ainda Gerôncio Luna.