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segunda-feira, 31 de maio de 2010

SPM realiza 3ª Etapa do Coletivo de Formação



A cidade de São Paulo/SP acolheu, entre os dias 09 e 11 de abril de 2010, os Agentes de Pastoral do SPM vindos de todas as regiões de nosso imenso Brasil. Mulheres e homens que saíram do Norte e do Sul para participarem da terceira etapa do Coletivo de Formação do SPM (trienal 2008-2010).

O Coletivo de Formação tem como objetivo principal fornecer subsídios, teóricos e práticos, de estudo para os Agentes de Pastoral de todo País. Nesta terceira etapa participaram aproximadamente 50 pessoas, as quais puderam estudar temas e compartilhar experiências ao caminhar de cada equipe em atenção a todo povo Migrante.





SETOR TEMPORÁRIOS

No dia 09 de abril, articulado pelo Setor dos Temporários, foi discutido o tema Desenvolvimento Territorial Sustentável e Solidário, que animado por Arivaldo Sezyshta (SPM PB) nos conduziu a uma reflexão de que tipo de desenvolvimento está sendo implantado no mundo e qual é o modelo que queremos em nossas comunidades.




SETOR URBANOS

O segundo dia do Coletivo foi dedicado a reflexão sobre o meio urbano, esse dia esteve sob a coordenação à professora Janete Romano que nos apresentou os diversos enfoques sobre o mundo urbano: desde a cidade como um fenômeno humano, as imagens das periferias das grandes metrópoles até como é abordado nos meios de comunicação os corpos dos jovens brasileiros.




SETOR IMIGRANTES

No dia 11, José Carlos Pereira (Carlinhos), ajudou o Coletivo de Formação a debater sobre a Cidadania Universal, pois como todo nós sabemos temos o direito de ir e vir e migrar para onde desejarmos, e não são os poderes políticos e econômicos que devem determinar as nossas condutas individuais e direitos universais.



Em suma, a terceira etapa do Coletivo de Formação do SPM foi um rico encontro de estudo, troca de experiências e articulações; momentos como esse só reforça o espírito de unidade e o aprofundamento no enfoque à questão da mobilidade Humana que o Serviço Pastoral dos Migrantes sempre buscou nestes 25 anos de existência.

terça-feira, 23 de março de 2010

P Á S C O A

Quanto mais ardente a sede,
Mais refrescante a água;

Quanto mais aguda a fome,
Mais saboroso o alimento;

Quanto mais árida a terra,
Mais bela a flor;

Quanto mais estéril o deserto,
Mais aconchegante o oásis;

Quanto mais escura a treva,
Mais vivo o brilho da luz;

Quando mais longa a noite,
Mais esperada a aurora;

Quanto mais profundo o silêncio,
Mais criativa a palavra;

Quanto mais prolongada a ausência,
Mais ansiado o reencontro;

Quanto mais cortante o frio,
Mais calorosa a lareira da casa;

Quanto mais ausente o amor,
Mais doce a saudade;

Quanto mais pesada a cruz,
Mais leve a ressurreição;

Quanto mais intensa a quaresma,
Mais gloriosa a Páscoa!



Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
São Paulo, 23 de março de 2010

segunda-feira, 15 de março de 2010

MIGRANTES TEMPORÁRIOS - Visita a usina Tabu


SPM, Ministério do Trabalho e STR Caaporã visitam alojamentos em Caaporã

No dia 10 de março de 2010 o Serviço Pastoral dos Migrantes em articulação com o Ministério do Trabalho em Emprego e o sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caaporã realizaram uma visita de fiscalização aos alojamentos da Usina Tabu – Caaporã PB.

A fiscalização teve como objetivo verificar as condições físicas e sanitárias dos alojamentos e ouvi dos trabalhadores quais são os principais problemas enfrentados no dia-a-dia do corte da Cana; entre os entraves relatados destacamos: jornada de trabalho, benefícios sociais, esclarecimentos sobre o contrato safra e condições da água fornecida pela usina Tabu.

Após a verificação in loco das denúncias relatadas pelo SPM e o STR de Caaporã o auditor do Ministério do Trabalho e Emprego, Fernando Milanez, afirmou que vai exigir imediatamente da usina Tabu um exame de potablilidade da água fornecida aos trabalhadores e também vai verificar as outras denúncias relatadas pelos trabalhadores.

A visita realizada ao alojamento da Usina Tabu no dia 10 de março reforça o poder da articulação entre as organizações (SPM, Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e Ministério do Trabalho) na busca de melhorias das condições de trabalho dos trabalhadores Assalariados da Cana.

DIREITOS HUMANOS: DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
Comparar os presos políticos de Cuba aos prisioneiros comuns do Brasil foi mais um dos deslizes do presidente Lula. Não se trata apenas de “uma frase infeliz”, mas de uma postura que levanta interrogações mais sérias e profundas. Por que um dissidente de determinada ordem institucional é qualificado de preso político sob um regime, enquanto, sob outro, ele não passa de um simples criminoso? Por que é protegido de um lado e criminalizado de outro? Por que dois pesos e duas medidas? Mais grave ainda: por que alguém que fez uso dessa forma de luta hoje a equipara aos crimes mais banais do cotidiano?

A defesa dos Direitos Humanos está acima das fronteiras políticas e ideológicas. Coloca-se para além das bandeiras e hinos nacionais. Desconhece as diferenças entre raças e culturas e está acima da religião, do sexo ou da cor da pele. A integridade física e psicológica de uma pessoa, a liberdade de opinião e expressão, o mínimo vital para a sobrevivência são coisas que devem ser preservada a qualquer custo. O respeito aos direitos primordiais da pessoa humana representa, simultaneamente, uma herança dos regimes democráticos e uma exigência ética dos princípios evangélicos e de várias outras opções religiosas.

A greve de fome, por outro lado, constitui não raro o último recurso contra a ordem estabelecida. Tem uma história longa de resistência e teimosia. Muitos exemplos poderiam ser enumerados, inclusive o do então metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. O mais recente na memória do povo brasileiro, sem dúvida, é o de Dom Frei Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra – BA, em sua luta contra a transposição das águas do Rio São Francisco. Constituem formas extremadas de opositores que não dispõem de outras armas para lutar.

Confundir estes atos solitários e heróicos com as ações violentas do crime organizado é algo inaceitável, para dizer o mínimo. A privação livre do alimento enquanto forma de oposição a formas ou decisões totalitárias de governo, desde um ponto de vista moral, não tem base de comparação com o comércio de drogas, os assaltos à mão armada, o latrocínio e outros crimes do gênero. A greve de fome ou a greve em suas variadas conotações carrega um anseio de transformação social, política, econômica ou cultural. De alguma forma, está alicerçada num sonho de justiça e paz. Já o crime, embora possa ter motivações de natureza sócio-política, como a pobreza e a miséria, entre outras, traz sempre a marca de uma violência que tende a estender-se em cadeia espiral.

Só para recordar, os combatentes do regime stalinista ou nazi-fascista, bem como os opositores das ditaduras militares latino-americanas, deixam na história pegadas vivas na luta pela defesa dos direitos humanos. Desnecessário aqui citar nomes, eles estão à flor da memória. O mesmo não se pode afirmar dos chefes do crime organizado em nível mundial. Sua passagem deixa como pegadas nefastas a destruição de vidas, de famílias e às vezes de populações inteiras. Uma coisa é opor-se a qualquer tipo de totalitarismo: religioso, político, econômico ou cultural. Bem outra é o tráfico de drogas, armas, seres humanos ou órgãos para transplante.

Em síntese, ditadura é sempre ditadura, resistência é sempre resistência. Podemos questionar o grau, as motivações, as formas e as estratégias de luta. Mas nunca criminalizar os movimentos de oposição que procuram a defesa, a conquista ou a garantia dos direitos humanos. Menos ainda ressuscitar o espectro da ideologia de segurança nacional, isto é, comparar as lutas sócio-políticas a atos de delinqüência comum.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher

MULHERES, MÃES, TRABALHADORAS, GUERREIRAS...

São elas que nos nutrem,

quando sequer sabemos o que é alimentar-se;

São elas que nos ensinam os primeiros passos,

quando as pernas fraquejam e o medo nos domina;

São elas que perdoam nossas primeiras aventuras,

das quais mais cedo ou mais tarde nos arrependeremos;

São elas que ouvem nossas dores e enxugam nossas lágrimas,

quando o chão foge debaixo dos pés e os marcos desaparecem da estrada;

São elas que nos ensinam a amar,

quando do amor apenas sabemos míseros balbucios;

São elas que nos emprestam o olhar, o sorriso e a palavra,

quando a noite se faz escura, o deserto estéril e o céu indiferente;

São elas que fazem do próprio coração um refúgio,

quando os embates do mundo nos fazem desabar;

São elas que fortalecem o pretensioso “sexo forte”,

quando essa mesma força se bate contra as adversidades da vida;

São elas a luz da resistência, da teimosia e da esperança,

quando um abismo se abre à nossa frente e o horizonte se fecha;

São elas que, apesar de dupla e tripla jornada,

seguem com salários inferiores a seus companheiros de trabalho;

São eles que assumem o leme do frágil barco familiar,

quando os ventos da tempestade rugem furiosos em suas janelas;

São elas que sustentam os movimentos sociais,

quando nos dominam o desencanto e a disputa surda pelo poder;

São elas que sujam as mãos nos mais diferentes serviços,

sem perder o mistério do carinho e do afago, do beijo e do abraço;

São elas que nos chamam ao chão, à terra, à vida cotidiana,

quando os projetos nos fazem perder a cabeça e voar pelas alturas;

São elas estrelas no firmamento incerto,

quando a história pessoal e coletiva parece errar sem bússola.


Alfredo J. Gonçalves, CS

São Paulo, 08 de março de 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

SPM NE realiza Assembléia de Avaliação e Planejamento.

Nos dias 29, 30 e 31 de janeiro aconteceu na cidade do Conde/PB Assembléia do SPM NE que teve como objetivo avaliar as atividades realizadas no ano de 2009 e fazer o planejamento para o ano de 2010.

Vindos das mais variadas regiões do Estado (Litoral, Brejo e Cariri) os Agentes Pastorais começaram na sexta-feira pela manhã com um momento de mística: cada um foi motivado a refletir sobre sua vida respondendo a três questões: O que gosto de fazer no meu dia-a-dia? O que faço de melhor? Quais as minhas fragilidades? Construindo assim a identidade coletiva do SPMNE.



Na tarde do dia 29 foi realizada uma avaliação dos trabalhos desenvolvidos em 2009, neste momento os representantes de cada projeto do SPMNE apresentaram dados sobre os desafios enfrentados e os impactos alcançados pelas ações desenvolvidas. Ainda na sexta-feira, os Agentes Pastorais refletiram sobre os rumos do SPM NE; Como meio de motivação e orientação foi lida a carta da XV Assembléia Nacional do SPM e foi pedido aos grupos que discorressem sobre os sonhos para o conjunto do SPMNE; Neste momento também foi construído, coletivamente, a missão do SPM NE: “Construir processos organizativos, defender os direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, sendo presença inculturada e profética no enfrentamento da migração forçada.”

O dia 30 teve uma pauta repleta, em todo período da manhã foi construída uma agenda coletiva para as atividades do SPM NE na Paraíba, vale-se destacar: o calendário trimestral de formação, as visitas ao eito e aos alojamentos dos trabalhadores temporários, os cursos de Gerenciamento de Recursos Hídricos e a disposição dos Agentes Pastorais em realizar a 15ª Romaria do Migrante na cidade de Fagundes/PB.
Na tarde de sábado, a equipe de Tratamento Comunitário, ministraram uma oficina de sensibilização quanto à metodologia do CBT (Centro Brasileiro de Tratamento Comunitário), nela os presentes puderam conhecer um pouco desta nova metodologia e ainda foi agendado um calendário de formação para multiplicadores.

O domingo, dia 31, como já é de costume nos encontros do SPM NE foi destinado ao lazer, no qual os presentes confraternizaram-se e reafirmaram seus respectivos compromissos com os migrantes do Nordeste brasileiro.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

OS TERREMOTOS NO HAITI

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS


O abalo sísmico que recentemente devastou a capital do Haiti, Porto Príncipe, e seus arredores, só fez desvendar outros abalos sísmicos, históricos e estruturais, que marcam a face desfigurada daquele país. Primeiramente, temos os tremores políticos. Segundo país das Américas a conquistar a independência, só perdendo para os Estados Unidos, o Haiti revela uma trajetória de grande turbulência. A revolta dos escravos na ex-colônia francesa tentou forjar uma república negra ou afro-americana , única no continente, mas raramente logrou uma estabilidade política sobre a qual construir as bases de uma nação minimamente autônoma. De um extremo ao outro, da ditadura ao desgoverno, a instabilidade e a insegurança são páginas dolorosas e às vezes sangrentas de sua história.


Também do ponto de vista econômico, a nova república não conseguiu levantar os alicerces de uma infra-estrutura sólida, robusta e sustentável. Os empreendimentos na agricultura, por exemplo, não tem dado conta de matar a fome crônica de seus habitantes. Mais precárias ainda são as fontes energéticas, a tecnologia e a malha viária e portuária. Como no campo da política, a produção agrícola e industrial não floresceu em direção a uma economia minimamente autônoma. Os embargos sofridos pela ilha pioraram ainda mais se desenvolvimento.


Filho dessa política e dessa economia, o campo social resultou um caos generalizado ao longo dos séculos. Igualmente aqui, as turbulências não foram menos profundas. A pobreza e a miséria recorrentes degeneram em saques e revoltas, onde a criação e/ou fortalecimento de grupos rivais, mescladamente étnicos e sociais, ganha dimensões trágicas, violentas e, não raro, conflitos sanguinários. O índice de alfabetização e de escolaridade constitui um dos mais baixos do planeta, equiparando-se aos países mais pobres da África subsaariana.


Quando cidadãos que reverenciam a mesma bandeira e cantam o mesmo hino nacional, nas ruas e à plena luz do dia, disputam aos gritos, socos e empurrões caixas de comida, recipientes de água e um lugar na fila, algo se rompeu definitivamente na chamada civilização humana. Irreversivelmente, o tecido social se rasga e a dignidade da pessoa humana se vê aviltada e pisoteada.


Na Haiti, a precariedade na saúde, nos transportes públicos, na habitação e no consumo de um mínimo de calorias diárias é notória e mundialmente conhecida. Conhecida mas historicamente ignorada! A verdade é que o mundo, especialmente os países ricos, a começar pela antiga colonizadora França, tem marchado para o progresso indiferente ao abandono do Haiti, bem como de outros países do Caribe, da América do Sul, da África e da Ásia. Talvez a pronta solidariedade frente ao terremoto recente expresse, entre outras coisas, um sentimento de culpa desses países centrais. Uma forma de se ressarcir e purgar a indiferença passada. Daí o atropelo, a disputa e, por que não dizer, o caos pelo comando da ação humanitária.


Os abalos sísmicos - terremotos, revoluções, transformações tecnológicas ou políticas, culturais ou sociais – além de desnudar as feridas de uma nação esquecida, costumam também trazer lições. Lições duras e sofridas, aprendidas no fogo que torce o ferro e o aço. Quem sabe se abre um momento histórico não apenas para uma ação humanitária às vítimas do Haiti devastado, mas para a reconstrução conjunta da dignidade de todo um povo, de uma república e de uma esperança! Não bastam conferências e jogo de retórica, não basta jogar para a platéia. Faz-se necessário e urgente um investimento maciço para salvar a utopia de uma nação cuja bandeira expõe os símbolos da teimosia e da resistência.