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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

20 ª Romaria do Migrante

Data: 8 de Novembro de 2015 
Hora: 6 horas 
Local: Fagundes (Concentração de frente a igreja Matriz)
Venham participar conosco da 20° Romaria do Migrante, uma tradição que acompanha nossa região agreste. 

A Romaria traz como tema "Sociedade e Migração por Direitos e participação".


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Por um Semiárido vivo com direito à água e Soberania Alimentar

CARTA ABERTA

Exma. Presidenta da República Federativa do Brasil
Srª. Dilma Rousseff

“A luta contra a miséria e a fome tem dupla dimensão: a emergencial e a estrutural. A articulação entre as duas
dimensões é complexa e cheia de astúcias. Atuar no
emergencial sem considerar o estrutural é contribuir para
perpetuar a miséria. Propor o estrutural sem atuar no
emergencial é praticar o cinismo de curto prazo em nome da
filantropia de longo prazo”. (Betinho)


Nós, cidadãos e cidadãs, brasileiros e brasileiras, intelectuais, acadêmicos, artistas, parlamentares, religiosos, jornalistas e integrantes de movimentos sociais populares, do campo e da cidade, somos testemunhas dos muitos avanços vividos no Brasil nos últimos anos, que resultaram na redução de desigualdades sociais e econômicas.


A situação apontada pelo sociólogo Betinho em relação à seca de 1979 a 1983, onde quase um milhão de pessoas morreram de sede e de fome, em decorrência da falta de ação do Estado, é uma realidade distante. O Semiárido de hoje é reconhecido por sua beleza, resiliência, alta capacidade de inovação e produção de conhecimento e alimentos. Tudo isso graças à força do povo que vive nessa região, que, com acesso a uma série de políticas públicas integradas, deu novo rumo à sua história.


Políticas como o Bolsa Família, o Crédito, o PAA, o PNAE, o Seguro Safra, o Bolsa Estiagem e o Água para Todos propiciaram nova condição de vida ao povo do Semiárido. O acesso à água contribuiu diretamente com a desconstrução da imagem de um Semiárido sem vida e sem capacidade produtiva. Atualmente, quase um milhão de famílias têm água de qualidade para beber ao lado de casa, através das cisternas de placas; cerca de 120 mil famílias podem produzir de forma agroecológica, através das diversas tecnologias de armazenamento de água para esse fim, a exemplo das cisternas-calçadão, barragens subterrâneas, barreiros-trincheiras, entre outras. Foi com a contribuição do Água para Todos que 40 milhões de pessoas saíram da miséria e da indigência.


E apesar de todas as conquistas, ainda há muito o que fazer. O Semiárido vive uma das maiores secas dos últimos 60 anos. Por essa razão, neste momento de crise nacional e internacional, ao fazermos escolhas Sra. Presidenta, é fundamental reconhecer a existência de grupos sociais historicamente penalizados, e assim, os necessários ajustes não devem recair sobre eles.


Queremos continuar assistindo à histórica redução das desigualdades que marcam o País. Não podemos parar, tampouco diminuir o ritmo dessas políticas, especialmente às responsáveis por garantir soberania alimentar.


Reforçamos nosso apelo à Vossa Excelência para que n ão deixe o ajuste fiscal paralisar ações que vêm mudando radicalmente a paisagem e as faces do Semiárido para melhor e que garantem vida digna ao seu povo.

Tenha certeza, Senhora Presidenta, estamos juntos nesta batalha de justiça e dignidade e não aceitaremos nada menos que a ampliação das políticas que transformam para sempre a vida das pessoas.
Fome e miséria nunca mais!!!

15 de setembro de 2015.

Assinam esta carta:
1. Leonardo Boff - Ecoteólogo e membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra
2. Maria Emília Lisboa Pacheco - Presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea Nacional)
3. Chico César – Cantor
4. Dom Luiz Demétrio Valentini - Bispo de Jales/SP
5. João Pedro Stédile - Coordenador Nacional do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Via Campesina
6. Tânia Bacelar de Araújo - Economista e Professora Aposentada da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
7. Sérgio Sauer - Professor da Faculdade da UnB de Planaltina (FUP/UnB) no Programa de Pós Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural (Mader); Bolsista do CNPq e Professor Visitante no ISS/Holanda
8. Alberto Ercílio Broch - Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag)
9. Paulo Victor Melo - Articulador do Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes)
10. Pedro Carlos Gama da Silva - Chefe-Geral da Embrapa Semiárido
11. Francisco Menezes - Pesquisador de Políticas Públicas de Segurança Alimentar, Pobreza e Desigualdade do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) / Ex-Presidente do Consea Nacional
12. Florestan Fernandes Júnior - Jornalista
13. Rafaela da Silva Alves - Diretora Nacional do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA)
14. Vera Masagão Ribeiro - Diretora Nacional da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) / Coordenadora Geral da Ação Educativa
15. Alex Federle do Nascimento - Secretário Executivo do Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC)
16. Humberto Carrão - Ator de Cinema e TV
17. Elmano de Freitas - Deputado Estadual do Ceará (PT/CE)
18. Ana Lúcia Vieira Menezes - Deputada Estadual de Sergipe (PT/SE)
19. Glênio Martins de Lima Mariano - Presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável do Estado de Minas Gerais
20. Haroldo Schistek - Fundador e Presidente do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)
21. Xico Sá - Escritor e Jornalista
22. Irio Conti - Fian Internacional (FoodFirst Information & Action Network)
23. Jorge Rabanal - Coordenador Adjunto do Fórum Sergipano de Combate aos Venenos Agrícolas e Transgênicos
24. Josefa Neide Santos - Presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (SE)
25. Josevanda Mendonça Franco - Professora da Coordenadoria de Combate à Violência na Escola (SEED/SE)
26. Lídia Anjos - Articuladora Estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos em Sergipe (MNDH/SE)
27. Luiz Couto - Deputado Federal da Paraíba (PT/PB)
28. Moema Gramacho - Deputada Federal da Bahia (PT/BA)
29. Karina Buhr - Cantora e Compositora
30. Lúcio Marcos Oliveira Santos - Presidente do Comitê Estadual de Educação no/do Campo (EDUCAMPO/SE)
31. Dom Jacinto Brito - Arcebispo de Teresina e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) Regional Nordeste 04
32. Luzijan Aragão - Presidente do Conselho Regional de Serviço Social da 18ª Região (CRESS)
33. Miguel Caetano Neto - Líder da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE)
34. Nelson Araújo – Ex-Deputado Estadual de Sergipe e Presidente da Federação das Associações das Micro e Pequenas Empresas do Estado de Sergipe (FAMPEME)
35. Renato Salim Maluf - Ex-Presidente do Consea Nacional
36. Sônia Lúcia Lucena Sousa de Andrade - Conselheira do CONSEA Nacional representando o Conselho Federal de Nutricionistas (CNF)
37. Thiago Oliveira - Presidente do Instituto Braços
38. Irandhir Santos - Ator
39. Victor Furtado - Realizador e Pesquisador de Cinema
40. Silvio Caccia Bava - Diretor e Editor-Chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
41. Dom André De Witte - Bispo de Rui Barbosa/BA
42. Dom Egídio Bisol - Bispo da Diocese de Afogados da Ingazeira/PE / Grupo “Fé e Política”
43. Dom Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de Mariana/MG
44. Dom João José Costa - Bispo Coadjutor da Arquidiocese Metropolitana de Aracaju
45. Dom José Gonzáles Alonso - Bispo da Diocese de Cajazeiras/PB
46. Dom Juarez Sousa da Silva - Bispo da Diocese de Oeiras/PI
47. Mayara Ingrid Sousa Lima - Secretária Nacional da Juventude Franciscana do Brasil (JUFRA)
48. Neusa Cadore - Deputada Estadual da Bahia (PT/BA)
49. Anivaldo Padilha - Líder Ecumênico e Ativista dos Direitos Humanos
50. Cibele Kuss - Secretária Executiva da Fundação Luterana de Diaconia
51. Presbítero Darli Alves de Souza - Secretário Regional para o Brasil do Conselho Latino-Americano de Igrejas
52. Renato Roseno - Deputado Estadual do Ceará (PSOL/CE)
53. Eliana Bellini Rolemberg - Conselho Latino Americano de Igrejas (CLAIBrasil) / Membro do Comitê Facilitador da Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil
54. Francisco de Assis da Silva - Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil/ Diocesano em Santa Maria
55. Waldenor Pereira - Deputado Federal da Bahia (PT/BA)
56. Franques Rodrigo de Souza - Pastor da Igreja Batista Presbiteriana Independente de Aracaju (IPI Aracaju)
57. José Marcos da Silva - Pastor da Igreja Batista de Coqueiral (Recife/PE) / Instituto Solidare
58. Naudal Alves Gomes - Bispo da Diocese Anglicana do Paraná / Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB)
59. Dom Sebastião Armando Gameleira Soares - Bispo Emérito da Diocese Anglicana do Recife / Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
60. Sônia Gomes Mota - Diretora Executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE)
61. Anísio Maia - Deputado Estadual da Paraíba (PT/PB)
62. Orlangelo Leal - Diretor Artístico da Banda Dona Zefinha
63. Elmano Férrer - Senador (PTB/PI)
64. Fernando Mineiro - Deputado Estadual do Rio Grande do Norte (PT/RN)
65. Jailton Santana - Vice-Presidente da Câmara de Vereadores de Aracaju
66. Nelson Martins - Ex-Secretário do Desenvolvimento Agrário e atual Secretário de Relações Institucionais do Governo do Estado do Ceará
67. Paulo José Ferreira - Prefeito Municipal de Várzea do Poço/BA
68. Raquel Marques - Deputada Estadual do Ceará (PT/CE)
69. Aldrin Martin Perez Marin - Correspondente Científico do Brasil junto à Convenção das Nações Unidas para o Combate à desertificação (UNCCD) / Coordenador de Pesquisa do Instituto Nacional do Semiárido (INSA)
70. Dorival Fernandes - Coordenador da Rede de Educação Cidadã (RECID)
71. Edni Oscar Schroeder - Coordenador da REDEgenteSAN/FAURGS e Presidente do CONSEA-RS
72. Elza Braga - Professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) / Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea Nacional)
73. Fátima Bezerra - Senadora (PT/RN)
74. Gema Galgani Esmeraldo - Professora da Universidade Federal do Ceará (UFC)
75. Guilherme da Costa Delgado - Presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA); Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Consultor da Comissão Brasileira de Justiça e Paz
76. Helena Selma - Professora da Universidade Federal do Ceará (UFC)
77. Ignácio Herman Salcedo - Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Professor Convidado da Universidade Federal da Paraíba (UFPB/Campus Areia)
78. Irene Maria Cardoso - Presidenta da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e Professora da Universidade Federal de Viçosa/MG
79. Ivo Lesbaupin - Sociólogo, Pesquisador do CNPq, Coordenador do Núcleo de Pesquisa “Exclusão Social e Poder Local” na Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Secretário Executivo do ISER Assessoria
80. José Borzacchiello - Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC)
81. José Jonas Duarte da Costa - Professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Professor da Comissão Pedagógica Nacional do Pronera e Pesquisador Convidado do Instituto Nacional do Semiárido (INSA)
82. José Levi Furtado Sampaio - Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC)/LEAT
83. Leonardo Bezerra de Melo Tinôco - Pesquisador do Programa de Pós Graduação em Ciências do Solo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
84. Manfredo Araújo de Oliveira - Professor da Universidade Federal do Ceará (UFC)
85. Marcia Maria Monteiro de Mirada - Educadora Popular do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis/RJ
86. Marilene Nascimento Melo - Núcleo de Extensão Rural Agroecológico da Universidade Estadual da Paraíba
87. Lídice da Matta – Senadora (PSB/BA)
88. Salomão de Sousa Medeiros - Pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (INSA)
89. Ângela Maria de Melo - Presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial do Estado de Sergipe (SINTESE)
90. Francisco Wil e Silva Pereira - Vice-Presidente da Diretoria Executiva Estadual Ceará da Central Única dos Trabalhadores (CUT/CE)
91. Luiz Carlos Ribeiro de Lima - Presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece)
92. João Somariva Daniel - Deputado Federal de Sergipe (PT/SE)
93. Willian Clementino - Vice-Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag)
94. Moisés Braz - Deputado Estadual do Ceará (PT/CE)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Curso de Especialização em Direito Agrário, promovido pelas Pastorais do Campo, inicia nova etapa

xTeve início nessa segunda-feira, 14 de setembro, a segunda etapa do Curso de Especialização em Direito Agrário, organizado pelas Pastorais do Campo em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).

A primeira aula dessa nova etapa foi ministrada por Claudio Maia, historiador, professor do Mestrado em Direito Agrário da UFG e vice-coordenador da Especialização. O professor discorreu, entre outros temas, sobre a semiótica do Direito, ideia defendida por Moacir Palmeira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em que o estado disciplinou, a partir do Estatuto da Terra, a luta pela reforma agrária. Com isso, a luta muda de patamar, não se pode mais esperar do Estado nada além do limite constitucional, mas ainda é possível que através de negociações se consiga acordos que vão além do projeto de Estado vigente.

Ao mesmo tempo, analisou Maia, teve fim os mediadores na questão agrária, o camponês passou a poder falar diretamente com o Estado. A luta por reforma agrária, portanto, passou a ser também uma luta por cidadania. Os envolvidos nessa luta passam a aparecer como protagonistas sociais.

Composto por quatro módulos, dois em 2015 e dois em 2016, o curso tem cerca de 40 alunos e alunas, da CPT, do Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), da Pastoral do Migrante, da Cáritas Brasileira e do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Paulo César Moreira, da coordenação executiva nacional da CPT, destaca a importância do curso para a formação dos agentes das pastorais e para o seu trabalho com os povos do campo. 
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“Cada vez mais o campo do Direito tem se tornado um campo de disputa, como também temos acompanhado a atuação conservadora e atrelada ao domínio econômico de diversos setores do judiciário brasileiro. Isso tem significado o agravamento de diversos problemas sociais, dentre eles os conflitos no campo. A consequência real para a luta pela terra tem sido o descaso e desrespeito aos direitos de povos e comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, e também de milhares de famílias que lutam pela terra. Tem sido grave o aumento das liminares de despejo e o avanço de grandes projetos sobre a terra e os territórios. Nesse processo dois elementos são fortes, a violência e a impunidade. A importância desse curso é justamente refletir sobre essa realidade e potencializar o agente no debate e implantação de uma visão popular do Direito, que seja fiel ao processo de construção de uma sociedade mais justa e igualitária”.

O curso segue até o dia 26, em Goiânia (GO), na Casa de Retiros Nossa Senhora da Assunção.


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Levanta te, come e caminha

Artigo do Pe. Alfredo J. Gonçalves que toma a passagem de Elias pelo deserto como elemento para uma espiritualidade dos agentes do Serviço Pastoral dos Migrantes.
"De acordo com alguns teólogos, exegetas e outros estudiosos das Sagradas Escrituras, Elias é a figura profética que representa o pano de fundo, ou o protótipo, para prática do “profeta itinerante de Nazaré”. Além de outras referências implícitas ou explícitas, é ele que, juntamente com Moisés, comparece ao lado de Jesus no momento da Transfiguração. Assim sendo, numa tentativa de buscar elementos para uma espiritualidade da Pastoral dos Migrantes, pode ser ilustrativo tomar o episódio da passagem de Elias pelo deserto (1Re 19, 1-8), para tecer alguns comentários. A imagem do deserto, com o empenho de sua travessia, representa o itinerário de cada peregrino. E representa também o esforço de acompanhar a trajetória da imensa multidão de peregrinos e migrantes."
Continue lendo, aqui

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Como chegam os alimentos à nossa mesa?

Revista Ideias na Mesa nº 5 - Abastecimento

Rede Virtual Ideias na Mesa lança a quinta edição da sua revista semestral, agora com o tema Abastecimento - como chegam os alimentos à nossa mesa? A publicação traça um panorama sobre a história do abastecimento de alimentos no Brasil. Embora ainda poucos percebam, o tema influencia diretamente a alimentação cotidiana do brasileiro e integra a base do debate sobre a Segurança Alimentar e Nutricional da população.

A matéria de capa apresenta os desafios e obstáculos do sistema de abastecimento no Brasil, frente às mudanças no perfil da população, organização das cidades e ao processo concentração e desregulamentação do abastecimento no país. Apresentamos ainda experiências de abastecimento desenvolvidas por grupos de agricultores que têm contribuído para melhorar a qualidade e a variedade dos alimentos consumidos por comunidades, reduzindo também a distância entre quem produz e quem consome.

Nesse número teremos também uma entrevista com Carlos Eduardo Leite, coordenador do Serviço de Assessoria à Organizações Populares Rurais (SASOP), e membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), além da coluna Saiba Mais, com indicações de sites, vídeos e publicações para que o público conheça mais o tema.
A revista Ideias na Mesa é uma publicação periódica da Rede Virtual Ideias na Mesa, fruto de uma parceria entre o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição (Opsan-UnB) e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

Para acessar a Revista no formato online clique aqui. Para o formato em .pdf clique no anexo abaixo.

Serviço:
Publicação: Revista Ideias na Mesa
Formato: eletrônico
Realização: Opsan-UnB e MDS
Distribuiçao gratuita. 
Uso de informações liberado desde que citada a fonte.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

“Hoje, eu sou feliz porque meus filhos não passaram fome como eu passei”

Até junho, mais de 120 mil tecnologias sociais foram entregues para que famílias captem água da chuva e utilizem na produção de alimentos nos períodos de estiagem, garantindo renda e segurança alimentar para agricultores familiares do Semiárido

Brasília, 24 – José Nivaldo dos Santos, 49 anos, e Maria Aparecida dos Santos, 44 anos, criaram quatro filhos na zona rural de Areial (PB), debaixo de muito sol e com muito trabalho. Localizado a 170 quilômetros da capital paraibana, no sertão do estado, o município tem solo arenoso. Lá a chuva é esparsa, como em todo Semiárido.

“Hoje, eu sou feliz porque meus filhos não passaram fome como eu passei”, lembra dona Cida. Além da fome, a sede também castigava. Em 1998, eles construíram por conta própria uma cisterna para armazenar a água da chuva que caía pelo telhado da casa. Antes, eles tinham que caminhar até 12 quilômetros para ter água para beber. “Tinha vez que eu saía às 4 horas da manhã e retornava perto do meio dia.”

Fotografias: Ubirajara Machado/MDS
O sofrimento do passado é apenas uma recordação. O sorriso brota feliz no rosto do casal, da mesma forma que as hortaliças, frutas e legumes agroecológicos surgem, mesmo em meio ao solo pobre em nutrientes e que, por isto, precisa de muita água. “Hoje, só dou risada”, brinca Seu Niva.

Em junho de 2013, o casal recebeu a cisterna calçadão – um dos modelos de tecnologia social para captação de água para produção –, resultado da parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e a Articulação Semiárido Brasileiro (Asa). Seu Niva fez questão de registrar a data no cimento da tecnologia. “Antes das cisternas, o pobre só plantava o coentro para temperar o feijão. Agora, a gente come salada, coisas que a gente não comia antes, como berinjela, repolho...”

A cisterna calçadão ganhou esse nome porque ela capta a água da chuva a partir de um calçadão de 200 m², o que equivale à metade de uma quadra de futebol de salão. Cercada por um meio fio, a construção é feita em declive. A água é conduzida para uma caixa de decantação e daí para o reservatório, no mesmo formato das cisternas de água para consumo, que têm capacidade para armazenar 52 mil litros de água. Coberta e fechada, a tecnologia é protegida da evaporação e das contaminações causadas por animais.

A melhoria da produção abriu outras possibilidades de geração de renda para o casal. Em 2014, primeiro ano após a construção, eles receberam R$ 10 mil com as vendas que fizeram para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Em 2015, já conseguiram receber R$ 2 mil, no período entre janeiro e junho. “É o mesmo que antigamente conseguíamos ganhar em um ano todo. Os atravessadores diminuíam muito o preço das nossas coisas”, compara Dona Cida.

A renda ajuda também a apagar as marcas que a fome deixou. “Hoje eu como carne todos os dias. Antes, o pobre só comia carne no domingo”, lembra Seu Niva. Na propriedade, eles têm 24 tipos de produtos agrícolas, além de criar gansos, perus, galinhas e porcos. A família também tem um banco de sementes crioulas – sem modificação genética – que garante autonomia na hora de produzir.


Nivaldo conta que a felicidade da família é ali na zona rural de Areial. “Se me tirarem daqui, eu sou capaz de morrer logo. A minha vida é aqui”, conta. O filho Adevam Firmino dos Santos, de 20 anos, faz curso técnico em Agropecuária para ajudar o pai na plantação.

“Não tinha onde guardar água” – A cisterna calçadão também mudou a vida de Clóvis Galdino de Souto, 66 anos, e Maria José Barros de Souto, 62 anos, que prefere ser chamada de Dona Dé. Aposentados, eles vivem desde 1978 na zona rural de Cubati (PB), onde criaram cinco filhos.

A seca também os maltratou. Como o marido tinha que trabalhar fora para garantir o sustento, Dona Dé caminhava até seis quilômetros para poder pegar água. “Eu saía às três horas da madrugada, com os meninos todos pequenos, para ir pegar água. Não tinha água por aqui perto não.”



Hoje, com as cisternas de água para beber e para ajudar na produção, a vida está diferente. “Antigamente chovia, mas não tinha onde a gente guardar a água”, afirma Clóvis. “A vida está boa demais em vista do sofrimento que a gente vivia aqui.”

A produção de alimentos, gradualmente, começa a ultrapassar as fronteiras da propriedade e da mesa da família. Por mês, mesmo com a seca, eles comercializam cerca de R$ 150, que ajuda a completar a feira. Para dona Dé, no entanto, a melhor conquista é uma alimentação mais saudável. “Antigamente era só o coentro pra colocar no feijão, agora eu tenho uma variedade muito grande.”

 

A cisterna calçadão é uma das tecnologias sociais que o governo federal financia para que os agricultores familiares do Semiárido captem a água da chuva para utilizar na produção durante os períodos de estiagem. Segundo o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Arnoldo de Campos, já foram implantadas 120 mil tecnologias de água para produção, que estão transformando a vida das pessoas da região. “Em muitos casos é a primeira vez que a família sertaneja está tendo acesso à água para produzir. Por isso, estas cisternas são um pontapé inicial numa nova etapa da vida dessas famílias, que darão um salto na forma de convivência com o Semiárido, podendo até mesmo acessar novos mercados.”



Fonte: MDS
Informações sobre os programas do MDS:
0800-707-2003
mdspravoce.mds.gov.br