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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Profetas, Romeiros e Migrantes

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
Desloco-me para Juazeiro do Norte – CE, para uma espécie de leitura orante do já bem conhecido episódio do profeta Elias (1 Reis, 19,4-8), no espírito e na memória do Pe. Cícero Romão Batista. Leitura que ganha maior relevância com a nova postura da Igreja e da Pastoral da Romaria, especialmente na pessoa de Dom Fernando Panico, bispo da Diocese de Crato, na tentativa de reabilitar a figura e a santidade do “Padim Pe. Ciço”. Mas também com o empenho de representantes do mundo acadêmico e do poder público, além de outras entidades e organizações da região. Também ganham maior visibilidade as dores e esperanças dos romeiros que, em sua fé e devoção, acorrem à cidade de Juazeiro. No pano de fundo de uma espiritualidade do caminho e do templo, recíproca e complementar, convém sublinhar alguns pontos.
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Alguns pontos abordados:
O cansaço do profeta/romeiro; A árvore como templo; Os anjos e o alimento; Retomada do caminho; O horizonte da fé.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

UM OLHAR NA COMUNIDADE – oficina de fotografia e intervenção no papel fotográfico


Como o objetivo de compartilhar técnicas fotográficas, fomentar o uso da arte como instrumento de conhecimento interior e estimular o desenvolvimento da criatividade de jovens, o SPM NE está realizando na comunidade “Comercial Norte” Bayeux PB por meio do projeto Protagonismo Juvenil.

Aproximadamente 20 adolescentes da Escola Municipal Vereador João Jacinto Dantas participaram da primeira etapa da oficina, no dia 15.08, que teve como meta apresentar a fotografia como um instrumento de comunicação e expressão de sentimentos e linguagens. Segundo Darcy Lima, Assessor de Comunicação do SPM NE e facilitador da capacitação, relata que os jovens foram convidados a olhar para o local onde moram de uma forma diferenciada procurando fazer um retrato do local: “Neste 1º momento a ideia foi fazer com que os adolescentes registrassem as sutilezas que existem na comunidade e muitas vezes passam despercebidas”.

Nesta semana, dia 23.08, acontecerá a segunda etapa da capacitação, na qual os adolescente com os seus registros em mãos irão aplicar técnicas de intervenção manual no papel fotográfico para que possam reconfigurar  todo o material capturado.

Veja algumas imagens dos alunos da oficina:


Dayanna dos Santos

Kallahang Mccallister


Stefanny Gomes

Lidiane Sena

Mikaelly Formiga



Mônica Esther

Rian Paulo


Vandemberg Rodrigues



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sociedade de Risco

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

“Sociedade de Risco – rumo a uma outra modernidade” – esse é o título do livro de Ulrich Beck, publicado pela Editora 34 Ltda., tradução de Sebastião Nascimento. O autor contrapõe a produção distribuição de riqueza à produção e distribuição de riscos. São os riscos da modernização, “produzidos no estágio mais avançado do desenvolvimento das forças produtivas”.

Geram-se, assim, crescentes situações de ameaça não somente à natureza e ao meio ambiente, mas à qualidade de vida entendida como biodiversidade (a vida em todas as suas formas). Não que a fome e as necessidades básicas tenham sido equacionadas. Mas, a essas ameaças que rondam especialmente a existência das camadas de baixa renda, acrescentam-se outras, desta vez sem fronteiras de qualquer espécie, atingindo a tudo e a todos em qualquer lugar do planeta.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ditadura ruralista e os rios intermitentes

Roberto Malvezzi (Gogó)

Estamos atravessando uma cíclica e grande seca no Nordeste. Quem vive por aqui sabe que, ao andar pela caatinga, se avistar um conjunto de árvores verdes, é porque elas devem estar à beira de um riacho intermitente. No cerrado essa vegetação também é chamada de mata de galeria. Costuma ser mais frondosa que a vegetação ao redor.

O próprio povo do sertão aprendeu a fazer cacimbas – pontos de coleta de água de minação – no leito dos riachos temporários. Eles só “botam água”, como diz o povo, quando chove. Mas, mesmo intermitentes, é em seus subsolos que muitas vezes se busca água em tempos de seca.

Além do mais, quando não existe mata ciliar ao redor desses rios com características tão próprias, as suas enchentes costumam ser mais abruptas e violentas, como aconteceu no sertão pernambucano, região de Palmares e outras cidades, quando uma chuva torrencial arrasou cidades que ainda hoje estão sendo reconstruídas.

O Conselho Nacional de Recursos Hídricos fez uma oficina para debater a questão da outorga da água nos rios intermitentes. Fui representar a sociedade civil na oficina. Decidimos o óbvio: “outorga só para coleta de águas, jamais para lançamento de dejetos”. É que nesses rios estão importantes mananciais de abastecimento das populações do semiárido.

Pois bem, a ditadura ruralista imposta ao povo brasileiro pela Câmara dos Deputados, quer eliminar qualquer proteção aos rios intermitentes nas novas regras do Código Florestal. A proposta é defendida pela senadora Kátia Abreu que afirmou, em toda sua ignorância, que “se precisasse dessa matas, na Europa não haveria mais rios”. Alguém precisa esclarecer à senadora o que é um rio, o que é um bioma, um que é um continente e a diferença entre eles.

O senador do Acre, Jorge Viana, reagiu dizendo que isso é prejudicar 50% dos rios brasileiros. O senador deveria saber que no Nordeste 99,99% dos nossos rios são intermites, à exceção do São Francisco, Parnaíba e alguns outros rios menores.

Assim, sem interferência do mundo científico, desprezando as seguidas advertências dos técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA), contra a vontade de 80% do povo brasileiro, a bancada ruralista, numa ditadura via Congresso, fulmina nossas florestas, nossos rios e o promove o solapo das bases naturais que sustentam nossas riquezas.

III SEMINÁRIO REGIONAL DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO E DEGRADANTE


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

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DE OLHO NA MIDIA


Cisternas no Nordeste apresentam defeito e ficam mais caras


DIMMI AMORA
ENVIADO ESPECIAL AO NORDESTE

Cisternas de polietileno (leia-se plástico) compradas pelo governo para a região Nordeste ficaram mais caras, atrasaram, estão dando defeito e a instalação é realizada pela empresa de um doador de campanha do filho do ministro da Integração, Fernando Bezerra.

As cisternas de polietileno são alvo de polêmica na região desde 2011. Até então, o governo contratava ONGs para construir o tanque em alvenaria. Foram erguidas mais de 450 mil com recursos federais em oito anos.

Em meio a período eleitoral, ministra defende uso do caminhão-pipa para seca.

Afirmando que era necessário agilizar a instalação, o Ministério da Integração Nacional comprou 60 mil cisternas de polietileno, uma espécie de plástico resistente.

Quem fez a licitação foi a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco), vinculada à Integração Nacional. Seu presidente à época era Clementino Coelho, irmão de Bezerra.

As entidades que construíram as cisternas de alvenaria protestaram alegando que as de polietileno eram mais caras, pouco resistentes e concentrariam os recursos na mão de grandes empresas.

A licitação para a compra das cisternas teve um único concorrente, a Dalka, subsidiária de uma companhia mexicana. Elas foram vendidas a R$ 210 milhões em novembro de 2011 e deveriam estar prontas até junho.

Mas, em julho, apenas 32% delas estavam prontas, e 21% haviam sido instaladas. Apesar disso, o governo permitiu um aditivo de R$ 3 milhões ao contrato, afirmando que era necessário incluir "dispositivo de alívio de água".

Segundo a Codevasf, 134 cisternas instaladas apresentaram defeito. Além delas, o governo ainda precisa comprar uma bomba ao custo médio de R$ 115 e pagar pelo transporte e instalação.

Os contratos de instalação foram repassados às superintendências regionais da Codevasf. A contratação em Pernambuco ficou a cargo da unidade de Petrolina, cidade em que Bezerra foi prefeito e que seu filho, o deputado federal Fernando Filho (PSB-PE), é candidato ao cargo.

Quatro empresas disputaram um pregão em novembro passado para a instalação e a Engecol venceu, com preço de R$ 1.249 por unidade para instalar 22.799 cisternas (total de R$ 28,4 milhões).

O dono da Engecol é Carlos Augusto de Alencar, irmão da presidente da Câmara de Petrolina, Maria Elena de Alencar (PSB), do mesmo partido de Fernando Filho. Desde 2004, ele e suas empresas têm feito doações para as campanhas de Maria Elena e Fernando Filho. No total, foram R$ 84 mil.

A Codevasf defendeu o uso das cisternas de polietileno dizendo que elas já foram testadas em outros países com sucesso. O órgão diz que é "uma tecnologia limpa e ecológica" e que o custo de instalação e montagem é compatível "com os benefícios auferidos". Sobre o aditivo, afirmou que "detectou-se a necessidade de realizar uma melhoria técnica" para aproveitar o excedente de água.

Segundo o órgão, a administração central fez só uma preparação geral da licitação das superintendências e houve concorrência por pregão eletrônico. O dono da Engecol, Carlos Augusto de Alencar, e assessoria de Fernando Filho afirmaram que eles não tiveram interferência.
Editoria de arte/Folhapress 



OUTRO LADO

A Codevasf defendeu o uso das cisternas de polietileno dizendo que elas já foram testadas em outros países com sucesso. Segundo o órgão, trata-se de "uma tecnologia limpa e ecológica". "É uma matéria prima de alta performance e durabilidade, não tóxico, inodoro, impermeável e de alta resistência."

A Codevasf diz ainda que o custo de instalação e montagem é compatível "com os benefícios auferidos com este sistema" e a vida útil do produto é de, no mínimo, 20 anos.

Sobre o aditivo, a empresa disse que "após verificação 'in loco' da instalação das cisternas, nos municípios pilotos, detectou-se a necessidade de realizar uma melhoria técnica" para aproveitar a água melhor, aproveitando o excedente de água.

"Em vez de transbordar, o dispositivo [permite que a água] seja canalizada para ser armazenada em outros recipientes ou para irrigação de hortas e fruteiras", informou a nota da Codevasf.

A estatal informou ainda que não houve qualquer ingerência da empresa no resultado da licitação para a implantação das cisternas.

Segundo o órgão, a administração central fez apenas uma preparação geral da licitação das superintendências e houve concorrência por pregão eletrônico.

O dono da Engecol, Carlos Augusto de Alencar, também negou interferência política.

"Num pregão eletrônico não tem nem como fazer isso porque ninguém vê quem participa", afirmou Alencar. Segundo ele, o contrato está sendo cumprindo.

A assessoria de Fernando Filho disse que ele não teve interferência.

A Aqualimp informou que já corrigiu os problemas que levaram as primeiras cisternas a amassarem. Segundo a empresa, será disponibilizado um telefone para que a famílias tirem dúvidas quanto ao uso da cisterna.

Sobre o aditivo, a empresa informou que seguiu "especificações definidas pelo pregão. A Codevasf identificou a necessidade de inclusão do dispositivo", que foram contemplados, diz a empresa.