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quinta-feira, 8 de março de 2012

Cinco esclarecimentos sobre agrotóxicos, alimentos orgânicos e agroecológicos





Por Campanha Permanente contra o uso de Agrotóxicos e pela Vida*
Na primeira semana de 2012, veículos da mídia de grande circulação divulgaram informações parciais e incorretas sobre o uso de pesticidas nos alimentos.
Nós, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, contestamos essas informações e, com base no conhecimento de diversos cientistas, agrônomos, produtores e distribuidores de alimentos orgânicos, aproveitamos essa oportunidade para dialogar com a sociedade e apresentar nossos argumentos a favor dos alimentos sem venenos.


1. O nome correto é agrotóxico ou pesticida e não “defensivo agrícola"

Como afirma a engenheira agrônoma Flávia Londres: “A própria legislação sobre a matéria refere-se aos produtos como agrotóxicos.” E o engenheiro agrônomo Eduardo Ribas Amaral complementa: “Mundialmente o termo utilizado é ‘pesticida’. Não conheço outro país que adote o termo ‘defensivo agrícola”.

2. O nível de resíduos químicos contido nos alimentos comercializados no Brasil é muito preocupante e requer providências imediatas devido aos sérios impactos que gera na saúde da população

Voltamos a palavra à engenheira agrônoma Flavia Londres: “A revista se propõe a tranquilizar a população, certamente alarmada pelo conhecimento dos níveis de contaminação da comida que põe à mesa. Os entrevistados na matéria são conhecidos defensores dos venenos agrícolas, alguns dos quais com atuação direta junto a indústrias do ramo. Os limites ‘aceitáveis’ no Brasil são em geral superiores àqueles permitidos na Europa – isso pra não dizer que aqui ainda se usam produtos já proibidos em quase todo o mundo”.

O engenheiro agrônomo Eduardo Ribas Amaral nos traz outra informação igualmente importante: “A matéria induz o leitor a acreditar que não há uso indiscriminado de agrotóxicos no país, quando a realidade é de um grande descontrole na aplicação desses produtos, fato indicado pelo censo do IBGE de 2006 e normalmente constatado a campo por técnicos da extensão rural e por fiscais responsáveis pelo controle do comércio de agrotóxicos”.

3. Agrotóxicos fazem muito mal à saúde e há estudos científicos importantes que demonstram esse fato

Com a palavra a Profª Dra. Raquel Rigotto, da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará: “No Brasil, há mais de mil produtos comerciais de agrotóxicos diferentes, que são elaborados a partir de 450 ingredientes ativos, aproximadamente. Os agrotóxicos têm dois grandes grupos de impactos sobre a saúde. O primeiro é o das intoxicações agudas, aquelas que acontecem logo após a exposição ao agrotóxico, de período curto, mas de concentração elevada. O segundo grande grupo de impactos dos agrotóxicos sobre a saúde é o dos chamados efeitos crônicos, que são muito ampliados. Temos o que se chama de interferentes endócrinos, que é o fato de alguns agrotóxicos conseguirem se comportar como se fossem o hormônio feminino ou masculino dentro do nosso corpo; enganam os receptores das células para que aceitem uma mensagem deles. Com isso, se desencadeia uma série de alterações – inclusive má formação congênita; e hoje está provado que pode ter a ver com esses interferentes endócrinos. Pode ter a ver com os cânceres de tireóide, pois implica no metabolismo. E cada vez temos visto mais câncer de tireóide em jovens. Pode ter a ver com câncer de mama. E também leucemias, nos linfomas. Tem alguns agrotóxicos que já são comprovadamente carcinogênicos.Também existem problemas hepáticos relacionados aos agrotóxicos. A maioria deles é metabolizada no fígado, que é como o laboratório químico do nosso corpo. E há também um grupo importante de alterações neurocomportamentais relacionadas aos agrotóxicos, que vão desde a hiperatividade em crianças até o suicídio.”

De acordo com o relatório final aprovado na subcomissão da Câmara dos Deputados que analisa o impacto dos agrotóxicos no país (criada no âmbito da Comissão de Seguridade Social e Saúde), há realmente uma “forte correlação” entre o aumento da incidência de câncer e o uso desses produtos. O trabalho aponta situações reais observadas em cidades brasileiras. Em Unaí (MG), por exemplo, cidade com alta concentração do agronegócio, há ocorrências de 1.260 novos casos da doença por ano para cada 100 mil habitantes, quando a incidência média mundial encontra-se em 600 casos por 100 mil habitantes no mesmo período. Como afirma o relator, deputado Padre João (PT-MG), “Diversos estudos científicos indicam estreita associação entre a exposição a agrotóxicos e o surgimento de diferentes tipos de tumores malignos. Eu concluo o relatório não tendo dúvida nenhuma do nexo causal do agrotóxico com uma série de doenças, inclusive o câncer”, suste nta. Fonte: Globo Rural On-line, 30/11/2011.

4. Não é possível eliminar os agrotóxicos lavando ou descascando os alimentos já que eles se infiltram no interior da planta e na polpa dos alimentos

A única maneira de ficar livre dos agrotóxicos é consumir alimentos orgânicos e agroecológicos. Não adianta lavar os alimentos contaminados com agrotóxicos com água e sabão ou mergulhá-los em solução de água sanitária ou, mesmo, cozinhá-los. Os resíduos do veneno continuarão presentes e serão ingeridos durante as refeições. Além disso é importante lembrar que o uso exagerado de agrotóxicos também faz com que estes resíduos estejam presentes nos alimentos já industrializados, portanto, a melhor forma de não consumir alimentos contaminados com agrotóxicos, é eliminar a sua utilização

5.Os orgânicos não apresentam riscos maiores de intoxicação por bactérias, como a salmonela e a Escherichia coli

Segundo a engenheira agrônoma Flávia Londres: “Ao contrário dos resíduos de agrotóxicos, esses patógenos– que também ocorrem nos alimentos produzidos com agrotóxicos – podem ser eliminados com a velha e boa lavagem ou com o simples cozimento”.
A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida recomenda o documentário “O Veneno está na Mesa” (veja abaixo), de Silvio Tendler, totalmente disponível no site da campanha (www.contraosagrotoxicos.orgwww.contraosagrotoxicos.org) bem como todos os materiais disponíveis na página.

Participe você também nos diferentes comitês da campanha organizados nos diversos estados do Brasil, para maiores contatos envie e-mail para contraosagrotoxicos@gmail.com Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo


Publicado orginalmente em: www.contraosagrotoxicos.org

MULHER, MÃE E TRABALHADORA A LINGUAGEM DE AMOR


Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS [www.provinciasaopaulo.com]

De retorno a São Paulo, ao meu lado no ônibus viajava uma senhora ainda jovem com duas crianças: uma filhinha de alguns anos e um bebê de alguns meses. Logo surgiu um pequeno impasse. Dois ou três passageiros resmungaram sobre a luz acesa nas poltronas ocupadas pela mãe e filhos. Era evidente, porém, que ela não apagava a lâmpada individual para evitar o choro da criança de colo. Tinha perfeita consciência que seu bebê temia o escuro e devia esperar que ele dormisse.

Enquanto isso, a jovem mãe oferecia o peito e “falava” com o bebê. Falava entre aspas, porque se tratava de um monólogo de palavras e frases entrecortadas, um murmúrio de sons e afagos, incompreensível e ao mesmo tempo cheio de significado; um sussurro inarticulado de mimimi-mumumu, como diria um comentarista esportivo; a magia da água que, mansa e borbulhante, brota da fonte. Fonte cristalina e transparente, onde tudo é límpido e refrescante.

Num relance, pude observar os dois rostos praticamente colados um ao outro. O nariz da mãe entrecruzava-se com o do filho, num jogo de comunicação bem conhecido de quem costuma lidar com a infância. Mais expressivo ainda era o olhar dela fascinado pelos olhinhos da criança, abertos e fixos naquele rosto familiar e amado. Podia-se adivinhar o esboço de um sorriso divino de ambos os lados, num enternecimento inexprimível. A imagem transbordava de ternura e afeto.

Neste caso, pouco ou nada importavam a lógica e o sentido das palavras. O amor, a dedicação e o carinho expressavam-se, antes, pela entonação da voz, pelo calor do corpo, pelos braços acolhedores, pelo balanço ritmado dos embalos, pela profusão de carícias e beijos. A linguagem do amor, na expressão animal e humana, não é construída com um edifício de palavras, frases, discursos, e sim com balbucios, gestos, olhares, sorrisos, toques, canções, presença... É a arte daquela que, além de carregar a sua “cria” por nove meses no aconchego de seu ventre e amamentá-la depois de nascida, ensina-lhe em seguida as primeiras palavras, as primeiras preces e os primeiros passos. Aquela que, no berço e na casa, vela pela vida que cresce e amadurece: primeira a levantar-se, última a deitar-se.

Semelhante cena, tão simples e singela, levou-me às palavras do salmo: “eu fiz calar e repousar a minha alma, como uma criança recém-amamentada no colo da mãe” (Sl 131,2). Tanto a linguagem do amor quanto a linguagem da oração não são feitas como narrativas articuladas, gramaticamente corretas em seus conceitos e argumentações. Ao contrário, ela constitui uma mistura de sons e silêncios, comunicação de fala e escuta, onde prevalece uma tonalidade de voz que é única e irrepetível em cada pessoa e em cada relação.

A razão, com sua lucidez fria e cortante, apaga muitas vezes o encanto de uma relação amorosa, quer em termos espirituais quer em termos afetivos. Aqui a alma, o coração e o corpo falam mais alto, mesmo sem nada dizer de inteligível ou traduzível. Isso explica o encantamento da música, do afago amoroso, do olhar banhado de luz, da expressão facial que se abre em flor. Aliás, explica também a gratuidade da própria flor que se oferece inteira e bela, para logo murchar e morrer.

Amor e oração, meditação e contemplação nascem e crescem num terreno distinto da racionalidade. Podem e devem contar com ela, evidentemente, mas se guiam por outra bússola e rumam em direção a outro porto. Tampouco seguem a lógica estreita e taxativa da matemática, embora sem esquecê-la. Oblação e gratuidade jamais se esgotam nos números e nos conceitos. Seu mistério secreto, sem deixar de ser humano, encontra-se muito além (ou acima) da compreensão humana. Finitude e infinitude se entrelaçam: numa trajetória de vida finita habita um espírito infinito, inquieto e irrequieto, que sempre busca superar-se a si mesmo, somente repousando na Casa de Deus, como lembra Santo Agostinho.

O amor da mulher/mãe/trabalhadora, na vida de cada um de nós, é ao mesmo tempo um lugar de chegada e de partida, que nos acompanha em toda a trajetória, desde o berço ao túmulo, do nascimento à morte. Ponto de referência onde o humano e o divino se cruzam, deixando marcas indeléveis gravadas na pedra viva da história. A mulher em sua entrega materna e em sua contribuição na sociedade, a exemplo do poeta e do artista, carrega em si algo de profundamente humano-divino, revelando na face da terra um pouco do oxigênio que se respira nos céus! Em cada mulher esconde-se uma oração, às vezes não recitada, mas potencialmente presente.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Codevasf propagandeia inverdades sobre as cisternas do P1MC


Objetivo é convencer a sociedade que as cisternas de plástico possuem mais benefícios
Asacom
01/03/2012
O superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraníba (Codevasf) em Juazeiro, aproveitou a plateia do IV Festival do Umbú, realizado de 24 a 26 de fevereiro, em Uauá, Semiárido baiano, para enaltecer as cisternas de plástico polietileno em detrimento das cisternas de placas do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC).

Além de ser uma atitude que não condiz com a postura de um representante do poder público, as informações por ele utilizadas são equivocadas e comprometedoras, inclusive, para o próprio governo do qual ele faz parte.

 
Cisterna de plástico que se deformou depois de fortes chuvas no município de Cedro/PE
Vale salientar que em seu discurso, informações como o valor da cisterna de plástico, o destino dos recursos e o desemprego a que estão fadados os pedreiros do Semiárido foram assuntos ignorados pelo representante da Codevasf. Além do fato de que já existem cisternas de plástico, entregues recentemente em Pernambuco, que necessitaram de troca devido ao afundamento de parte delas depois de fortes chuvas.

Segundo ele, “faltam ainda 750 mil cisternas serem construídas no Programa Um Milhão de Cisternas, criado pelo Governo Lula, porque em oito anos foram construídas apenas 250 mil cisternas”. Ele também afirmou que “as cisternas de plástico têm 30 anos de garantia. As de barro têm dois anos”.

A ASA sente-se no dever de esclarecer que:

1.  O Programa Um Milhão de Cisternas não pertence ao Governo Federal. Ele é da ASA. O Governo Federal, baseado em propostas da ASA, Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), entre outros, criou o Programa Cisternas, no qual está inserido o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC).

2. É inverídica a informação de que apenas 250 mil cisternas foram construídas até hoje. Somente a ASA construiu 372 mil cisternas. Essa informação pode ser comprovada através de documentos, como os termos de recebimento das cisternas. Se forem contabilizadas todas as cisternas já construídas no Semiárido, através de outras iniciativas, como os convênios federais com os Estados, Municípios, Consórcios, além de cisternas de outros programas governamentais e da sociedade civil, esse número deve chegar a aproximadamente 600 mil cisternas.

3. Não nos consta que a garantia das cisternas de plástico seja de 30 anos. Existem documentos de pelo menos um dos fabricantes, comprovando que a garantia oferecida é de 5 anos e não de 30 anos.

4. A ASA desconhece a existência de cisternas de barro no Semiárido. Além disso, qualquer problema que eventualmente venha a ocorrer com as cisternas do Programa Um Milhão de Cisternas (feitas de solo-cimento) pode ser facilmente resolvido pela própria comunidade, que possui o conhecimento da técnica. No entanto, a ASA nunca se furtou em atender famílias que tenham tido problemas com as cisternas, mesmo após anos de construídas. Vale salientar que no próprio evento, em Uauá, havia pessoas que afirmaram ter cisternas do P1MC há mais de 10 anos sem nunca apresentar qualquer problema.

5. Finalmente, queremos enfatizar que enquanto as cisternas de placa empregam os pedreiros da região, gerando renda e empregos, as cisternas de plástico concentram os recursos em duas ou três grandes empresas, que não guardam nenhuma relação com a região, tampouco com os municípios, pois não movimentam a economia local, pois não é necessário comprar materiais de construção.



Fonte: ASA BRASIL

quinta-feira, 1 de março de 2012

DIREITOS HUMANOS DOS MIGRANTES

lançamento em breve...

FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA


Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

"A Campanha da Fraternidade da CNBB sempre nos propõe um tema para estudo, reflexão e ação durante o tempo litúrgico da Quaresma. Trata-se, na verdade,  de complementar a conversão pessoal, própria deste período, com uma conversão de caráter pastoral e sociopolítico. Nessa perspectiva, a campanha elege determinada situação de abandono ou precariedade como centro de nossa atenção. Neste ano de 2012, está em pauta a Fraternidade e a Saúde Pública, cujo lema sublinha uma frase bíblica: “que a saúde se difunda sobre a terra...” (Eclo, 38,8)". Leia mais