Por Campanha Permanente contra o uso de Agrotóxicos e pela Vida* Nós, da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, contestamos essas informações e, com base no conhecimento de diversos cientistas, agrônomos, produtores e distribuidores de alimentos orgânicos, aproveitamos essa oportunidade para dialogar com a sociedade e apresentar nossos argumentos a favor dos alimentos sem venenos. 1. O nome correto é agrotóxico ou pesticida e não “defensivo agrícola"Como afirma a engenheira agrônoma Flávia Londres: “A própria legislação sobre a matéria refere-se aos produtos como agrotóxicos.” E o engenheiro agrônomo Eduardo Ribas Amaral complementa: “Mundialmente o termo utilizado é ‘pesticida’. Não conheço outro país que adote o termo ‘defensivo agrícola”.2. O nível de resíduos químicos contido nos alimentos comercializados no Brasil é muito preocupante e requer providências imediatas devido aos sérios impactos que gera na saúde da populaçãoVoltamos a palavra à engenheira agrônoma Flavia Londres: “A revista se propõe a tranquilizar a população, certamente alarmada pelo conhecimento dos níveis de contaminação da comida que põe à mesa. Os entrevistados na matéria são conhecidos defensores dos venenos agrícolas, alguns dos quais com atuação direta junto a indústrias do ramo. Os limites ‘aceitáveis’ no Brasil são em geral superiores àqueles permitidos na Europa – isso pra não dizer que aqui ainda se usam produtos já proibidos em quase todo o mundo”.O engenheiro agrônomo Eduardo Ribas Amaral nos traz outra informação igualmente importante: “A matéria induz o leitor a acreditar que não há uso indiscriminado de agrotóxicos no país, quando a realidade é de um grande descontrole na aplicação desses produtos, fato indicado pelo censo do IBGE de 2006 e normalmente constatado a campo por técnicos da extensão rural e por fiscais responsáveis pelo controle do comércio de agrotóxicos”. 3. Agrotóxicos fazem muito mal à saúde e há estudos científicos importantes que demonstram esse fatoCom a palavra a Profª Dra. Raquel Rigotto, da faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará: “No Brasil, há mais de mil produtos comerciais de agrotóxicos diferentes, que são elaborados a partir de 450 ingredientes ativos, aproximadamente. Os agrotóxicos têm dois grandes grupos de impactos sobre a saúde. O primeiro é o das intoxicações agudas, aquelas que acontecem logo após a exposição ao agrotóxico, de período curto, mas de concentração elevada. O segundo grande grupo de impactos dos agrotóxicos sobre a saúde é o dos chamados efeitos crônicos, que são muito ampliados. Temos o que se chama de interferentes endócrinos, que é o fato de alguns agrotóxicos conseguirem se comportar como se fossem o hormônio feminino ou masculino dentro do nosso corpo; enganam os receptores das células para que aceitem uma mensagem deles. Com isso, se desencadeia uma série de alterações – inclusive má formação congênita; e hoje está provado que pode ter a ver com esses interferentes endócrinos. Pode ter a ver com os cânceres de tireóide, pois implica no metabolismo. E cada vez temos visto mais câncer de tireóide em jovens. Pode ter a ver com câncer de mama. E também leucemias, nos linfomas. Tem alguns agrotóxicos que já são comprovadamente carcinogênicos.Também existem problemas hepáticos relacionados aos agrotóxicos. A maioria deles é metabolizada no fígado, que é como o laboratório químico do nosso corpo. E há também um grupo importante de alterações neurocomportamentais relacionadas aos agrotóxicos, que vão desde a hiperatividade em crianças até o suicídio.”De acordo com o relatório final aprovado na subcomissão da Câmara dos Deputados que analisa o impacto dos agrotóxicos no país (criada no âmbito da Comissão de Seguridade Social e Saúde), há realmente uma “forte correlação” entre o aumento da incidência de câncer e o uso desses produtos. O trabalho aponta situações reais observadas em cidades brasileiras. Em Unaí (MG), por exemplo, cidade com alta concentração do agronegócio, há ocorrências de 1.260 novos casos da doença por ano para cada 100 mil habitantes, quando a incidência média mundial encontra-se em 600 casos por 100 mil habitantes no mesmo período. Como afirma o relator, deputado Padre João (PT-MG), “Diversos estudos científicos indicam estreita associação entre a exposição a agrotóxicos e o surgimento de diferentes tipos de tumores malignos. Eu concluo o relatório não tendo dúvida nenhuma do nexo causal do agrotóxico com uma série de doenças, inclusive o câncer”, suste nta. Fonte: Globo Rural On-line, 30/11/2011. 4. Não é possível eliminar os agrotóxicos lavando ou descascando os alimentos já que eles se infiltram no interior da planta e na polpa dos alimentosA única maneira de ficar livre dos agrotóxicos é consumir alimentos orgânicos e agroecológicos. Não adianta lavar os alimentos contaminados com agrotóxicos com água e sabão ou mergulhá-los em solução de água sanitária ou, mesmo, cozinhá-los. Os resíduos do veneno continuarão presentes e serão ingeridos durante as refeições. Além disso é importante lembrar que o uso exagerado de agrotóxicos também faz com que estes resíduos estejam presentes nos alimentos já industrializados, portanto, a melhor forma de não consumir alimentos contaminados com agrotóxicos, é eliminar a sua utilização5.Os orgânicos não apresentam riscos maiores de intoxicação por bactérias, como a salmonela e a Escherichia coliSegundo a engenheira agrônoma Flávia Londres: “Ao contrário dos resíduos de agrotóxicos, esses patógenos– que também ocorrem nos alimentos produzidos com agrotóxicos – podem ser eliminados com a velha e boa lavagem ou com o simples cozimento”.A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida recomenda o documentário “O Veneno está na Mesa” (veja abaixo), de Silvio Tendler, totalmente disponível no site da campanha (www.contraosagrotoxicos.orgwww.contraosagrotoxicos.org) bem como todos os materiais disponíveis na página. Participe você também nos diferentes comitês da campanha organizados nos diversos estados do Brasil, para maiores contatos envie e-mail para contraosagrotoxicos@gmail.com Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo Publicado orginalmente em: www.contraosagrotoxicos.org |
PESQUISAR
quinta-feira, 8 de março de 2012
Cinco esclarecimentos sobre agrotóxicos, alimentos orgânicos e agroecológicos
MULHER, MÃE E TRABALHADORA A LINGUAGEM DE AMOR
Pe. Alfredo J.
Gonçalves, CS [www.provinciasaopaulo.com]
De retorno a São Paulo, ao meu lado no ônibus viajava
uma senhora ainda jovem com duas crianças: uma filhinha de alguns anos e um bebê
de alguns meses. Logo surgiu um pequeno impasse. Dois ou três passageiros
resmungaram sobre a luz acesa nas poltronas ocupadas pela mãe e filhos. Era
evidente, porém, que ela não apagava a lâmpada individual para evitar o choro
da criança de colo. Tinha perfeita consciência que seu bebê temia o escuro e
devia esperar que ele dormisse.
Enquanto isso, a jovem mãe oferecia o peito e
“falava” com o bebê. Falava entre aspas, porque se tratava de um monólogo de palavras
e frases entrecortadas, um murmúrio de sons e afagos, incompreensível e ao
mesmo tempo cheio de significado; um sussurro inarticulado de mimimi-mumumu, como
diria um comentarista esportivo; a magia da água que, mansa e borbulhante,
brota da fonte. Fonte cristalina e transparente, onde tudo é límpido e
refrescante.
Num relance, pude observar os dois rostos
praticamente colados um ao outro. O nariz da mãe entrecruzava-se com o do
filho, num jogo de comunicação bem conhecido de quem costuma lidar com a
infância. Mais expressivo ainda era o olhar dela fascinado pelos olhinhos da
criança, abertos e fixos naquele rosto familiar e amado. Podia-se adivinhar o
esboço de um sorriso divino de ambos os lados, num enternecimento inexprimível.
A imagem transbordava de ternura e afeto.
Neste caso, pouco ou nada importavam a lógica e o
sentido das palavras. O amor, a dedicação e o carinho expressavam-se, antes,
pela entonação da voz, pelo calor do corpo, pelos braços acolhedores, pelo
balanço ritmado dos embalos, pela profusão de carícias e beijos. A linguagem do
amor, na expressão animal e humana, não é construída com um edifício de
palavras, frases, discursos, e sim com balbucios, gestos, olhares, sorrisos,
toques, canções, presença... É a arte daquela que, além de carregar a sua
“cria” por nove meses no aconchego de seu ventre e amamentá-la depois de
nascida, ensina-lhe em seguida as primeiras palavras, as primeiras preces e os
primeiros passos. Aquela que, no berço e na casa, vela pela vida que cresce e
amadurece: primeira a levantar-se, última a deitar-se.
Semelhante cena, tão simples e singela, levou-me às
palavras do salmo: “eu fiz calar e repousar a minha alma, como uma criança
recém-amamentada no colo da mãe” (Sl 131,2). Tanto a linguagem do amor quanto a
linguagem da oração não são feitas como narrativas articuladas, gramaticamente
corretas em seus conceitos e argumentações. Ao contrário, ela constitui uma
mistura de sons e silêncios, comunicação de fala e escuta, onde prevalece uma
tonalidade de voz que é única e irrepetível em cada pessoa e em cada relação.
A razão, com sua lucidez fria e cortante, apaga muitas
vezes o encanto de uma relação amorosa, quer em termos espirituais quer em
termos afetivos. Aqui a alma, o coração e o corpo falam mais alto, mesmo sem
nada dizer de inteligível ou traduzível. Isso explica o encantamento da música,
do afago amoroso, do olhar banhado de luz, da expressão facial que se abre em
flor. Aliás, explica também a gratuidade da própria flor que se oferece inteira
e bela, para logo murchar e morrer.
Amor e oração, meditação e contemplação nascem e
crescem num terreno distinto da racionalidade. Podem e devem contar com ela,
evidentemente, mas se guiam por outra bússola e rumam em direção a outro porto.
Tampouco seguem a lógica estreita e taxativa da matemática, embora sem
esquecê-la. Oblação e gratuidade jamais se esgotam nos números e nos conceitos.
Seu mistério secreto, sem deixar de ser humano, encontra-se muito além (ou
acima) da compreensão humana. Finitude e infinitude se entrelaçam: numa
trajetória de vida finita habita um espírito infinito, inquieto e irrequieto,
que sempre busca superar-se a si mesmo, somente repousando na Casa de Deus,
como lembra Santo Agostinho.
O amor da mulher/mãe/trabalhadora, na vida de cada
um de nós, é ao mesmo tempo um lugar de chegada e de partida, que nos acompanha
em toda a trajetória, desde o berço ao túmulo, do nascimento à morte. Ponto de
referência onde o humano e o divino se cruzam, deixando marcas indeléveis
gravadas na pedra viva da história. A mulher em sua entrega materna e em sua
contribuição na sociedade, a exemplo do poeta e do artista, carrega em si algo
de profundamente humano-divino, revelando na face da terra um pouco do oxigênio
que se respira nos céus! Em cada mulher esconde-se uma oração, às vezes não
recitada, mas potencialmente presente.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Codevasf propagandeia inverdades sobre as cisternas do P1MC
| ||||
| O superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraníba (Codevasf) em Juazeiro, aproveitou a plateia do IV Festival do Umbú, realizado de 24 a 26 de fevereiro, em Uauá, Semiárido baiano, para enaltecer as cisternas de plástico polietileno em detrimento das cisternas de placas do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC). Além de ser uma atitude que não condiz com a postura de um representante do poder público, as informações por ele utilizadas são equivocadas e comprometedoras, inclusive, para o próprio governo do qual ele faz parte.
Segundo ele, “faltam ainda 750 mil cisternas serem construídas no Programa Um Milhão de Cisternas, criado pelo Governo Lula, porque em oito anos foram construídas apenas 250 mil cisternas”. Ele também afirmou que “as cisternas de plástico têm 30 anos de garantia. As de barro têm dois anos”. A ASA sente-se no dever de esclarecer que: 1. O Programa Um Milhão de Cisternas não pertence ao Governo Federal. Ele é da ASA. O Governo Federal, baseado em propostas da ASA, Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), entre outros, criou o Programa Cisternas, no qual está inserido o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC). 2. É inverídica a informação de que apenas 250 mil cisternas foram construídas até hoje. Somente a ASA construiu 372 mil cisternas. Essa informação pode ser comprovada através de documentos, como os termos de recebimento das cisternas. Se forem contabilizadas todas as cisternas já construídas no Semiárido, através de outras iniciativas, como os convênios federais com os Estados, Municípios, Consórcios, além de cisternas de outros programas governamentais e da sociedade civil, esse número deve chegar a aproximadamente 600 mil cisternas. 3. Não nos consta que a garantia das cisternas de plástico seja de 30 anos. Existem documentos de pelo menos um dos fabricantes, comprovando que a garantia oferecida é de 5 anos e não de 30 anos. 4. A ASA desconhece a existência de cisternas de barro no Semiárido. Além disso, qualquer problema que eventualmente venha a ocorrer com as cisternas do Programa Um Milhão de Cisternas (feitas de solo-cimento) pode ser facilmente resolvido pela própria comunidade, que possui o conhecimento da técnica. No entanto, a ASA nunca se furtou em atender famílias que tenham tido problemas com as cisternas, mesmo após anos de construídas. Vale salientar que no próprio evento, em Uauá, havia pessoas que afirmaram ter cisternas do P1MC há mais de 10 anos sem nunca apresentar qualquer problema. 5. Finalmente, queremos enfatizar que enquanto as cisternas de placa empregam os pedreiros da região, gerando renda e empregos, as cisternas de plástico concentram os recursos em duas ou três grandes empresas, que não guardam nenhuma relação com a região, tampouco com os municípios, pois não movimentam a economia local, pois não é necessário comprar materiais de construção. Fonte: ASA BRASIL |
quinta-feira, 1 de março de 2012
FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA
Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
"A Campanha da Fraternidade
da CNBB sempre nos propõe um tema para estudo, reflexão e ação durante o tempo
litúrgico da Quaresma. Trata-se, na verdade,
de complementar a conversão pessoal, própria deste período, com uma
conversão de caráter pastoral e sociopolítico. Nessa perspectiva, a campanha
elege determinada situação de abandono ou precariedade como centro de nossa
atenção. Neste ano de 2012, está em pauta a Fraternidade
e a Saúde Pública, cujo lema sublinha uma frase bíblica: “que a saúde se difunda sobre a terra...”
(Eclo, 38,8)". Leia mais
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Carta de esperança e compromisso das Pastorais do Campo
O Centro de Formação Vicente Cañas, do Conselho Indigenista Missionário, Cimi, em Luziânia, Goiás, acolheu nos dia de 4 a5 de fevereiro de 2012, quarenta representantes das Pastorais Sociais do Campo. Sentimos bater à nossa porta a história atual das populações do campo com suas preocupações e indignações cada vez mais se avolumando no atual momento. O avanço dos projetos econômicos, nacionais e transnacionais, respaldados e, muitas vezes, patrocinados pelo Estado brasileiro, estão ameaçando os espaços de reprodução física e cultural dos povos e comunidades campesinas no Brasil. Nosso encontro foi vivido como uma urgência que finalmente realizamos, para nos conhecer mais, nos reanimar e dobrar o empenho na construção de estratégias conjuntas de enfrentamento aos desafios existentes. Os gritos que nos vêm, das florestas, das terras e territórios dos povos e das comunidades tradicionais, sobretudo por conta dos impactos e das contínuas ameaças que sofrem, exigiram de nós este primeiro momento de articulação que desejamos continuar e reforçar.
Recebemos a visita, e se mantiveram o tempo todo conosco, nossos ancestrais, os mártires e todos os que tombaram nas lutas antigas e recentes, em defesa da Vida. Foi emocionante e de grande responsabilidade para nós, sentir a presença deles e de suas grandes causas. Nós nos recusamos esquecê-las, pois são causas em prol de uma igreja e de uma sociedade nova e diferente. Oscar Romero, Josimo, Dorothy, Nísio Guarani-Kaiowá, Flaviano, quilombola do Charco MA… nos convidaram a olhar com fé para as novas sementes de resistência e de rebeldia que teimosamente são plantadas em todo canto da Abya Yala, a Pátria Grande, pelos povos indígenas, quilombolas, camponeses e camponesas de inúmeros territórios e culturas.
De fato, além destes, acompanhados por Cristo ressuscitado, entre outros entraram na aldeia que nos hospedava:
- os Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul, expropriados de seus territórios e de sua cidadania, massacrados, proibidos, alijados da convivência nacional;
- os quilombolas do Moquibom – MA, cerca de 80 quilombos que defendem e reivindicam os seus territórios, cercados pela violência do latifúndio e do Estado;
- os quilombos do Recôncavo Baiano do Rio dos Macacos e do São Francisco do Paraguaçu...
- os povos indígenas do Xingú impactados pelo absurdo e autoritário projeto de Belo Monte;
- os jovens, a quem se fecham os horizontes de uma vida digna e prazerosa no campo;
- os Guarani e sem terra do Paraguai que lutam para retomar as terras, ocupadas ilegitimamente por latifundiários brasileiros;
- Os indígenas da Bolívia que não aceitam e impedem no TIPNIS (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure) a construção de uma rodovia;
- Os campesinos de Honduras que, em Bajo Aguán, ainda aguardam uma solução para não perder a terra…
A narrativa viva que apareceu em nossos diálogos e em nossas reflexões projetaram, em sua crueza, imagens que, há muito tempo, estamos vendo e que a grande mídia quase não revela mais: invasões, traições da palavra, explorações, violências permanentes contra nossos irmãos quilombolas, ribeirinhos, pescadores, quebradeiras de coco, camponeses, jovens e indígenas, migrantes assalariados e escravizados …
Desta terra depredada e de seus filhos resistentes, vemos renovar-se a cada dia, reações e sinais de esperança. Para quem quer ver, são os sinais, do Reino, da Terra sem Males, do Sumak Kawsay (o Bem Viver Quechua) que fermentam e aquecem nossas lutas, nossas comunidades, nossas vidas.
Esta é a hora, agora mais do que nunca, de tecer, com os fios da história, uma só rede de solidariedade, resistência, teimosia e reação. Com a força dos pequenos, do campo e das cidades, nas ruas e nas praças, de noite e de dia. O sangue derramado pelos nossos irmãos e irmãs de luta, não foi e nem será em vão. Este é para nós o Evangelho do Ressuscitado e esta é a mística que nos faz acreditar na vitória de nossa pequena “pedra” (cfr. Daniel 2, 26-35) chamada esperança, que nasce e renasce da terra e que lançaremos, cotidianamente, contra o gigante dos pés de barro e em favor dos nossos irmãos. Esta pedra de nossa esperança é eficaz quando, com nossos compromissos unitários, reconhecemos e aceitamos a riqueza e a diversidade que o espírito de Javé faz surgir entre os pobres. Isso, da parte de nossas pastorais missionárias, implica
- aceitar sermos parteiros e parteiras de um mundo novo através de formas novas de vivificar nossas igrejas e nossas comunidades;
- exigir que o Estado deixe de iludir, reprimir e violentar, com seus aparatos, os povos que não aceitam entrar na estrutura desumana do capitalismo e dos seus latifúndios;
- impedir que nossas terras e territórios estejam cada vez mais monopolizados pela mineração selvagem e os monocultivos;
- recusar, decididamente, a canga, sempre renovada, de uma política que quer reduzir os territórios de vida a novos feudos a serviço do lucro e transformando-os em novos currais eleitorais para legitimar o poder concentrado;
- promover a participação e o protagonismo de quem, uma vez despertado para o valor da cidadania, ameaça ser novamente tolhido por uma democracia formal que mascara um autoritarismo e uma dependência deprimente de marco neocolonial.
Sobre nosso Brasil indígena, negro, camponês, sobre os jovens desta hora tão ameaçadora e sobre todos os que se solidarizam com outro modelo de Brasil, pedimos a benção do Deus de tantos nomes que Jesus veio nos mostrar com sua missão que é também a nossa.
PARTICIPANTES DO ENCONTRO DAS PASTORAIS BRASILEIRAS DO CAMPO
Brasília, 5 de fevereiro 2012.
Cimi – Conselho Indigenista Missionário ;
Recebemos a visita, e se mantiveram o tempo todo conosco, nossos ancestrais, os mártires e todos os que tombaram nas lutas antigas e recentes, em defesa da Vida. Foi emocionante e de grande responsabilidade para nós, sentir a presença deles e de suas grandes causas. Nós nos recusamos esquecê-las, pois são causas em prol de uma igreja e de uma sociedade nova e diferente. Oscar Romero, Josimo, Dorothy, Nísio Guarani-Kaiowá, Flaviano, quilombola do Charco MA… nos convidaram a olhar com fé para as novas sementes de resistência e de rebeldia que teimosamente são plantadas em todo canto da Abya Yala, a Pátria Grande, pelos povos indígenas, quilombolas, camponeses e camponesas de inúmeros territórios e culturas.
De fato, além destes, acompanhados por Cristo ressuscitado, entre outros entraram na aldeia que nos hospedava:
- os Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul, expropriados de seus territórios e de sua cidadania, massacrados, proibidos, alijados da convivência nacional;
- os quilombolas do Moquibom – MA, cerca de 80 quilombos que defendem e reivindicam os seus territórios, cercados pela violência do latifúndio e do Estado;
- os quilombos do Recôncavo Baiano do Rio dos Macacos e do São Francisco do Paraguaçu...
- os povos indígenas do Xingú impactados pelo absurdo e autoritário projeto de Belo Monte;
- os jovens, a quem se fecham os horizontes de uma vida digna e prazerosa no campo;
- os Guarani e sem terra do Paraguai que lutam para retomar as terras, ocupadas ilegitimamente por latifundiários brasileiros;
- Os indígenas da Bolívia que não aceitam e impedem no TIPNIS (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure) a construção de uma rodovia;
- Os campesinos de Honduras que, em Bajo Aguán, ainda aguardam uma solução para não perder a terra…
A narrativa viva que apareceu em nossos diálogos e em nossas reflexões projetaram, em sua crueza, imagens que, há muito tempo, estamos vendo e que a grande mídia quase não revela mais: invasões, traições da palavra, explorações, violências permanentes contra nossos irmãos quilombolas, ribeirinhos, pescadores, quebradeiras de coco, camponeses, jovens e indígenas, migrantes assalariados e escravizados …
Desta terra depredada e de seus filhos resistentes, vemos renovar-se a cada dia, reações e sinais de esperança. Para quem quer ver, são os sinais, do Reino, da Terra sem Males, do Sumak Kawsay (o Bem Viver Quechua) que fermentam e aquecem nossas lutas, nossas comunidades, nossas vidas.
Esta é a hora, agora mais do que nunca, de tecer, com os fios da história, uma só rede de solidariedade, resistência, teimosia e reação. Com a força dos pequenos, do campo e das cidades, nas ruas e nas praças, de noite e de dia. O sangue derramado pelos nossos irmãos e irmãs de luta, não foi e nem será em vão. Este é para nós o Evangelho do Ressuscitado e esta é a mística que nos faz acreditar na vitória de nossa pequena “pedra” (cfr. Daniel 2, 26-35) chamada esperança, que nasce e renasce da terra e que lançaremos, cotidianamente, contra o gigante dos pés de barro e em favor dos nossos irmãos. Esta pedra de nossa esperança é eficaz quando, com nossos compromissos unitários, reconhecemos e aceitamos a riqueza e a diversidade que o espírito de Javé faz surgir entre os pobres. Isso, da parte de nossas pastorais missionárias, implica
- aceitar sermos parteiros e parteiras de um mundo novo através de formas novas de vivificar nossas igrejas e nossas comunidades;
- exigir que o Estado deixe de iludir, reprimir e violentar, com seus aparatos, os povos que não aceitam entrar na estrutura desumana do capitalismo e dos seus latifúndios;
- impedir que nossas terras e territórios estejam cada vez mais monopolizados pela mineração selvagem e os monocultivos;
- recusar, decididamente, a canga, sempre renovada, de uma política que quer reduzir os territórios de vida a novos feudos a serviço do lucro e transformando-os em novos currais eleitorais para legitimar o poder concentrado;
- promover a participação e o protagonismo de quem, uma vez despertado para o valor da cidadania, ameaça ser novamente tolhido por uma democracia formal que mascara um autoritarismo e uma dependência deprimente de marco neocolonial.
Sobre nosso Brasil indígena, negro, camponês, sobre os jovens desta hora tão ameaçadora e sobre todos os que se solidarizam com outro modelo de Brasil, pedimos a benção do Deus de tantos nomes que Jesus veio nos mostrar com sua missão que é também a nossa.
PARTICIPANTES DO ENCONTRO DAS PASTORAIS BRASILEIRAS DO CAMPO
Brasília, 5 de fevereiro 2012.
Cimi – Conselho Indigenista Missionário ;
SPM – Serviço Pastoral dos Migrantes;
CPT – Comissão Pastoral da Terra;
CPT – Comissão Pastoral da Terra;
PJR – Pastoral da Juventude Rural;
CPP – Conselho Pastoral dos Pescadores e
CPP – Conselho Pastoral dos Pescadores e
Cáritas Brasileira
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
De olho na Midia!
MPT manda Via Engenharia indenizar operários do Centro de Convenções
“Determinamos que fossem pagas todas as indenizações trabalhistas e as passagens para os trabalhadores que foram aliciados que desejam voltar para os estados do Maranhão e Piauí", disse Varandas
De acordo com o procurador, durante a inspeção foram encontradas diversas irregularidades como: alojamentos inadequados, falta de higienização, problemas na alimentação e aliciamento de trabalhadores vindos do Maranhão e Piauí.
Fonte: WSCOM
Assinar:
Postagens (Atom)


