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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

14ª ROMARIA DO MIGRANTE




O sol já aparecia na Serra onde fica a Pedra de Santo Antonio na cidade de Fagundes - PB, quando os romeiros e romeiras chegavam à Praça da Matriz de São João Batista de Fagundes, para participarem da 14ª Romaria do Migrante. Evento iniciado pelos Padres Carlistas há 15 anos. Nesse tempo, apenas em 2008 não houve a Romaria. Dessa vez, cerca de 5 mil migrantes reavivaram a sua fé, caminhando na Romaria que não é da paróquia São João Batista, nem da Pastoral dos Migrantes, nem da cidade de Fagundes, mas sim dos migrantes, vindos de tantos lugares, cidades grandes e pequenas, do interior e da capital. Foi sim um ato de fé do povo que sempre acompanhou e fez, deste momento de fé e de luta dos migrantes que habitam estas serras do agreste e cariri Paraibano, um reencontro de comunidades, de jovens, homens e mulheres, ponto alto de um grito pelo fim da migração forçada e muitas vezes escravista, ainda existente em nosso país.


O SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes – retomou neste ano com seus projetos em andamento,de convivência com o semi-árido através da mobilização das famílias para a construção de cisterna, de Educação Ambiental, de fortalecimento dos Fundos Solidários e de Combate ao trabalho escravo e degradante, a Romaria do Migrante como um dos pontos altos de uma espiritualidade libertadora. Neste momento de retomada, os romeiros e romeiras chegaram de todas as partes e logo demonstraram sua alegria pelo reencontro. A celebração eucarística foi iniciada um pouco depois das 6h da manhã, presidida pelo padre da Paróquia de Fagundes, Pe. Jaime e concelebrada pelos padres Valdezio, da cidade de Itatuba, e Pe. Alceu, dos Missionários de São Carlos, vindo de São Paulo para esse momento de fé e de reencontro dos migrantes e comunidades onde trabalhou por vários anos.


Celebramos com muita animação a VIDA, o TRABALHO e as ESPERANÇAS de dias melhores para todos aqueles e aquelas que foram forçados e forçadas a deixarem sua terra de origem. Passava das 08h quando iniciamos a caminhada rumo à Pedra de Santo Antonio. Foi feita uma primeira parada para denunciar a violação dos direitos das comunidades e migrantes pela indústria canavieira: “o nosso Deus é o Senhor do Direito e da Justiça”, nos convoca a Palavra do Senhor no Livro do Profeta Isaias e nossa missão é lutar por justiça que é fruto da paz. Aqui foram lembrados os gritos das mulheres dos migrantes temporários que a Pastoral do Migrante ouviu durante as Missões nas cidades de Itatuba e Fagundes nos dias 30, 31/outubro e 01/novembro: gritos da Terra grilada, da Água presa, das propriedades cercadas, das famílias sem trabalho, dos baixos salários, da exploração do trabalho, da migração forçada para o corte da cana ‘nos brejos’ e para a construção civil na capital e no Centro Sul do país, os gritos contra a violação dos Direitos Trabalhistas e Previdenciários.


Continuamos animados e animadas rumo à segunda parada onde anunciamos ‘um novo céu e uma nova terra’: acreditamos que em cada município de origem dos Migrantes é possível construir uma nova cidade, é preciso lutar por um desenvolvimento local, solidário e sustentável, por Políticas Públicas de geração de emprego e renda, garantia de acesso a Terra e Água na região do agreste paraibano, para que nenhuma pessoa se veja forçada a migrar. Esse ato de fé é sinal da nova Jerusalém, ‘lugar onde corre leite e mel’, onde o direito primeiro à vida vão é negado à ninguém. Finalmente, debaixo de um sol quente e de um vento suave e refrescante chegamos à Pedra de Santo Antonio, onde pedimos as bênçãos do Deus da VIDA, sob os pães, os alimentos, a terra e a água, sob as vidas de todos. Partilhamos os pães e a água que mata a sede, num gesto de compromisso na luta por JUSTIÇA e PAZ.


Nesse dia de ação de graças e de luta contamos com a participação de pessoas dos municípios de Caturité, Campina Grande, Fagundes, Itatuba, João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cruz do Espírito Santo e outros da região de origem dos migrantes. Foi um dia forte de afirmação de nossa presença Pastoral e Evangélica no meio dos Migrantes e excluídos. Este momento trouxe aos romeiros e romeiras a certeza de que a Fé deve estar também a serviço de uma cidadania amadurecida e de um povo que não perde a esperança na possibilidade de viver com dignidade em seu próprio torrão. Vimos tantas pessoas idosas, crianças e especialmente uma juventude ardorosa e comprometida, que clama por atenção e espaço, na vida do país, na política, nas nossas igrejas.


Junto com esses jovens e com todos os migrantes reafirmamos nosso compromisso de luta, pois acreditamos em “todos os direitos para todas as pessoas”. Renovamos nossa missão de lutar pela Paz fazendo acontecer a Justiça.


Equipe da Pastoral dos Migrantes da Paraíba

Fagundes – PB, 15 de novembro de 2009.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009




OLHARES DE ESPERANÇA

UM PERÍODO| 30, 31 de outubro e 01 de novembro de 2009 CLIMA| Quente e seco COMUNIDADES| São Sebastião, São Francisco, Jacaré e Cabatã MUNICÍPIOS| Itatuba e Fagundes UMA REGIÃO| Agreste Paraibano MISSÃO| Visitar famílias marcadas pela Migração Forçada para conhecer a realidade vivida e ajudá-las a encontrar um caminho de transformação MARCAS SOCIAIS| Fome, Falta de água potável para consumo humano, desemprego, saudade de quem foi ou lá está O QUE VIMOS| Negros e brancos, crianças e idosos, homens e mulheres ansiosos pelas políticas públicas que garantam a efetividade de seus direitos LIÇÕES| A esperança não é a última que morre, pois a nossa fé é eterna CERTEZA| Os locais que passamos é uma terra prometida onde pode-se produzir leite e mel.


terça-feira, 10 de novembro de 2009

CASA DE DEUS VII

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

Do ponto de vista da piedade popular, falar da Casa de Deus é falar do coração de Jesus. De fato, impressiona a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, não apenas no catolicismo tradicional, mas também nos dias atuais. Basta constatar quantas paróquias ou comunidades são dedicadas a essa devoção, ou ainda os numerosos grupos que se reúnem ao redor do coração de Jesus. As sextas-feiras, em geral, e a primeira sexta-feira do mês, em particular, são testemunhas desse fervor religioso tão arraigado na fé do povo luso-brasileiro.

De onde vem isso? Nem precisaria lembrar que os próprios Evangelhos são os primeiros a salientar a misericórdia e a compaixão do Mestre. Lendo-os, tropeçamos o tempo todo com esse coração aberto e disponível aos que sofrem. A caravana de Jesus nunca atropela que lhe pede socorro. Sempre se detém ao clamor dos indefesos, em contraste mesmo com a atitude dos discípulos. Numerosas passagens podem servir de exemplo: o cego Bartimeu (Mc 10,46-52), a mulher que sofria de fluxo de sangue (Mc 5,25-34), a ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17), a mulher adúltera (Jo 8,1-11), a mulher encurvada (Lc 13,10-17), só para citar algumas.

São emblemáticos, especialmente, os episódios do filho pródigo (Lc 15,11-32) e do Bom Samaritano (Lc 10,25-37), onde Jesus faz resplandecer, por um lado, a atenção para com as vítimas da história e, por outro, a imensa alegria do Pai para com aqueles que se decidem retornar a casa. Ternura e carinho de um coração materno transparecem também na hora em que Jesus se despede dos discípulos, durante e após a última ceia, de acordo com os capítulos 13 a 17 do Evangelho de João.

As cartas neotestamentárias dão igualmente testemunho de que o coração de Jesus representa a Casa de Deus. Na Primeira Carta de Pedro, escrita aos “estrangeiros da dispersão”, o autor diz que, diante das perseguições e hostilidades de que são vítimas os que vivem fora da pátria, a união entre eles é a “Casa de Deus”. João, o apóstolo mais próximo do coração de Jesus, resume sua mensagem numa única frase: “Deus é amor” (1Jo, 4,8), lar aberto a todos que o buscam. Quanto às cartas de Paulo, é incontável o número de vezes em que aparece o nome de Jesus Cristo como um coração que se revela caminho para a morada de Deus.

Em síntese, os escritos do Novo Testamento deixam claro que o coração de Jesus é abrigo, compreensão, conforto para os doentes e pecadores, fracos e indefesos, pequenos e abandonados – sem qualquer tipo de discriminação ou preconceito. Aqueles que a sociedade abomina e marginaliza encontram predileção junto ao Mestre. Com isso, Ele revela que o Pai jamais fecha a porta de sua casa ao coração arrependido. Nunca deixa do lado de fora que procura sua face. Há aqui uma distinção fundamental entre o Deus distante do Antigo Testamento e o Deus de Jesus Cristo, tão próximo do coração que é chamado carinhosamente de “Abba = Pai”.

Ao longo da tradição católica, essa referência do Coração de Jesus como refúgio dos aflitos foi ganhando força crescente. De Portugal para o Brasil, ela manteve uma riqueza impressionante de imagens, quadros e expressões devocionais. O Coração de Jesus tem lugar destacado nos templos, sai pelas ruas em procissão e habita um número incalculável de casas. O segredo está em que são os moradores dessas casas e/ou os fiéis dessas práticas que, em verdade, habitam o Coração de Jesus. Este se converte em moradia dos que se sentem abandonados, em porto dos que navegam por mares tempestuosos, em pátria que desterrados.

O Coração de Jesus ganha tremenda popularidade nos meios populares porque nossos povos, não raro, sentem-se estrangeiros no interior do próprio país. Tendo muitas vezes negados os direitos básicos à dignidade do ser humano, buscam no Coração de Jesus uma terra que os acolha como filhos e filhas. Com maior razão ainda isso vale para os que se viram impelidos a deixar a pátria, abandonando a terra sagrada onde estão sepultados seus ancestrais. O Coração de Jesus congrega os imigrantes de todas as raças, línguas e nações, da mesma forma que congrega os sem teto, sem terra e toda a enorme multidão dos “sem”. A devoção ao Bom Jesus ou ao Menino Jesus refletem também a aspiração dos pobres pela segurança e solidez da Casa de Deus.

Mas essa devoção está ligada, ainda, à própria condição do ser humano sobre a face da terra. Como todos caminhamos errantes e estrangeiros sobre uma pátria estranha, o Coração de Jesus se converte numa espécie de ante-sala para a Casa de Deus, pátria definitiva da alma humana, como diz Santo Agostinho. Aliás, Ele mesmo se revela como “caminho, verdade e vida” , ao confortar os discípulos na hora da despedida: “Não se perturbe o vosso coração! Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Jo 14,1-7).

Sancionada lei que cria o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo

O dia 28 de janeiro será dedicado ao combate ao trabalho escravo no Brasil. O projeto de lei aprovado no Senado e na Câmara dos Deputados foi sancionado no final da última semana pelo vice-presidente da República, José Alencar, em Brasília. Junto à data, também será instituída a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

Em 2004, o dia 28 de janeiro foi marcado pelo assassinato de quatro funcionários do Ministério do Trabalho, três auditores e o motorista, quando apuravam denúncia de trabalho escravo na zona rural de Uma (MG).

José Alencar afirmou que se sentia privilegiado em sancionar a lei de importância história, política e social. “Todos aqueles que atuam para combater o trabalho escravo estão sendo homenageados nesta data”, disse.

Estavam presentes na assinatura da lei, representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) e da entidade em Minas Gerais, Ministério Público do Trabalho, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras organizações que fazem parte da Frente Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

Nos últimos 15 anos, o MTE já resgatou mais de 34.000 pessoas em condições de trabalho degradante ou análoga à escravidão no Brasil. Do total, cerca de 12 mil foram no Pará em fazendas e carvoarias. A Câmara dos Deputados ainda precisa aprovar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 438/01) que prevê a expropriação de terras em que haja comprovação da prática de trabalho escravo. A matéria está em pauta e pode ser votada ainda este ano.

Fonte: CNBB

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

No Combate ao Trabalho Escravo e Degradante


O SPM na Paraíba começou o mês de agosto com “Pé Direito”, pois foi retomado o trabalho de acompanhamento aos trabalhadores do corte da cana-de-açúcar por meio do projeto: “Combate ao Trabalho Escravo e Degradante junto aos Trabalhadores Rurais Temporários da Cana de Açúcar nos estados da Paraíba e Pernambuco”.

Esta ação, que em sua execução os agentes pastorais Darcy Lima, Flávio Martins e Roberto Araújo, tem como objetivo: “desenvolver uma ação integrada de intensificação do combate ao trabalho escravo e degradante garantindo o cumprimento dos direitos fundamentais junto aos trabalhadores rurais temporários da cana de açúcar nos estados da Paraíba e Pernambuco”.

Já no mês de agosto a equipe do SPM botou a “mão na massa” e desenvolveu uma série de atividades, entre elas destacamos:

a) A audiência com a Superintendência do Trabalho e Emprego da Paraíba na pessoa do Auditor Fiscal do Trabalho, Fernando Menezes.

Segundo Roberto Araújo esta reunião pode ser avaliada positivamente e teve um caráter informativo: “Na nossa conversa falamos de nossa preocupação com a situação do trabalhador assalariado no corte da cana de açúcar e como anda a situação deles no ponto de vista do Mistério Trabalho, fizemos um levantamento da Indústria da cana na Paraíba”. Outras constatações que nossa equipe fez foi que há uma ampla participação do capital estrangeiro (Bélgica, Alemanha e França) neste mercado e o setor agroindustrial emprega 40 mil trabalhadores no período da safra.

b) E a visita ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade de Caaporã/PB e ida ao Eito da Usina Tabu.

Nesta 1ª visita ao sindicato os nossos colaboradores conversaram com o presidente (Gilvan França), eles relataram sobre o trabalho que o SPM exerce há 13 anos acompanhando os trabalhadores temporários no corte da cana. Após este diálogo a equipe foi convidada a fazer uma visita aos trabalhadores no corte da cana, chegando lá encontram trabalhadores das cidades de Mogeiro, Itatuba e Fagundes – Região de atuação do SPM na Paraíba.

Segundo a equipe, em conversas com os trabalhadores já deu para perceber que as condições do alojamento não são ideais, eles também reclamaram sobre os equipamentos de proteção individual (EPI), alimentação e remuneração.

Em resumo o SPM na Paraíba, desde agosto, retoma um trabalho que sempre foi uma das principais razões de ser da Pastoral dos Migrantes, que a escolha pelos trabalhadores migrantes mais pobres, marginalizados e explorados pelo Capital.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

RUMO À 14a. ROMARIA DO MIGRANTE NA PARAÍBA



No dia 05 de agosto de 2009, celebramos a nossa primeira reunião com representantes da comunidade, em preparação para a XIV Romaria do Migrante. Este evento de missão teve seu iniciou a 15 anos passados, com os padres Escalabrinianos, ficando apenas o ano de 2008 sem ter sido realizado, e todo ano vem sendo puxado pela Pastoral dos Migrantes na Paraíba e pela Paróquia de São João Batista na cidade de Fagundes no Agreste Paraibano, na diocese de Campina Grande.

A reunião contou com representação de 10 pessoas da Pastoral dos Migrantes, vindas de João Pessoa, Campina Grande, Cruz do Espírito Santo, Itatuba e Fagundes. Já a Paróquia contou com 13 representantes, incluindo o Pe. Jaime, que nos acolheu com muito carinho e animação.

Arivaldo Sezyshta, coordenador regional da Pastoral, fez a oração inicial e logo em seguida aproveitou para iniciar os informes das ações do SPM naquela região, fazendo uma relação entre os compromissos do SPM com o Estado da Paraíba e as violações de direitos, que são constantes na vida dos migrantes, nesta área de origem.

Abrimos a conversa para todos e todas se manifestarem, quanto às suas expectativas, e como é Graça de Deus, as expectativas foram as melhores possíveis, e agora poderíamos partir para os preparativos da nossa ROMARIA DO MIGRANTE.

O tempo era curto para terminarmos todos os detalhes em apenas uma reunião, mas fechamos uma proposta de data que será 15 de novembro, e ainda fechamos o tema e lema. DIREITOS PARA TODOS! - NOSSA MISSÃO: LUTAR POR JUSTIÇA E PAZ! Também encaminhamos uma nova reunião para o dia 2 de setembro de 2009, para apresentarmos uma proposta ou mais, de cartazes, bonés e camisetas. Ficando o desafio de arregaçarmos as mangas e trabalhar no combate à desigualdade e às causas da migração forçada, ajudando as comunidades na construção de alternativas de desenvolvimento solidário e sustentável, que possibilitem vida digna para todos, construindo, assim, um outro mundo possível.

Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste

Da terra da Pedra de Santo Antonio para o Mundo!