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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A FORÇA QUE BROTA NOS QUINTAIS DO SEMIÁRIDO

Dona Maria de Lourdes Silva Santos, 62 anos, é uma agricultora da comunidade de Canudos, localizada na cidade de Boqueirão-PB. Casada com o senhor José Severino dos Santos, juntos construíram uma família formada por 7 filhos, sendo cinco mulheres e dois homens. O mais velho é chamado Josuel Severino, 40 anos, que nasceu dois anos depois do casamento, e a mais nova chama-se Josicleide, tem 28 anos, e é aquela que acompanha Dona Lourdes na lida diária no campo. 

Seu José sempre trabalhou duro no roçado para o sustento da família e, apesar dos afazeres de casa, dona Lourdes sempre o ajudava nas tarefas do campo. Mas ainda não era o suficiente para as necessidades da família. Foi quando ela passou a trabalhar como doméstica fora de casa, demonstrando ser uma mulher de fibra. Mesmo assim, continuou ajudando seu José na agricultura e cuidando da casa e dos 7 filhos. Ela conta que sempre teve papel ativo no sustento da família. “Me sinto feliz, quanto mais eu trabalho, mais sinto gosto, o terreno é meu, as plantas são minhas, fico muito satisfeita”, relata dona Lourdes, que se considera mulher riquíssima por ter um bom casamento e uma família feliz.  

Durante muito tempo a agricultora viveu em casas alugadas ou emprestadas, enfrentando insegurança
e muitas dificuldades. Emocionada, faz questão de enfatizar a maneira como a família realizou o sonho de conquistar sua terra. Seguindo os conselhos da irmã Maria Silva, dona Lourdes vendeu as poucas coisas que tinha, para pagar parte do terreno que, até então, pertencia ao seu cunhado. Com as economias que arrecadava criando porcos e cabras, foi lutando e durante cinco anos construindo sua casa, a qual ela chama carinhosamente de “meu ranchinho”. “Ainda não está acabada, mas estou satisfeita, graças a Deus, porque eu sofri muito com 7 filhos na casa dos outros”, explica dona Lourdes.

Atualmente, a agricultora vem  produzindo diversas hortaliças, leguminosas, fruteiras, cultivando sementes e criando algumas aves, utilizados no consumo da família, distribuídas entre a vizinhança e ainda comercializados na Tenda Agroecológica do Cariri – Boqueirão/PB. A atenciosa dona Lourdes dedica-se em especial ao cultivo de ervas medicinais para cura de diversos males de todos da casa e dos amigos. “Se tivesse água aqui tinha mais coisas, porque onde tem água tem vida”, lembra dona Lourdes. 

A família conquistou junto ao Programa Um Milhão de Cisternas - P1MC uma cisterna de placas de 16 mil litros para consumo humano e com o Programa Uma Terra e Duas Águas - P1+2, uma cisterna-calçadão de 52 mil litros, possuindo ainda um barreiro feito pela própria família, tudo para a convivência com a estiagem e água para produção. Sobre essas tecnologias sociais, disse Dona Lourdes: “A Cisterna pra mim é o céu.”.

Dona Lourdes ainda relembra sua infância “Minha mãe tinha que coletar água em cacimbas para as necessidades da família”, disse ela. Mesmo assim aprendeu muito com sua mãe, e enfatiza “eu não abro mão desse conhecimento”. Aliás, aprender é algo que a anima muito, apesar de não saber ler, fala com gosto dos cursos e intercâmbios de que participa, valorizando os encontros, reuniões e cursos, além das visitas que recebe em sua casa com satisfação, “sempre que ensino, aprendo muito”, nos diz Dona Lourdes. E é por isso que ela espera trocar ainda muitas experiências com outros agricultores e agricultoras.

Na casa de Dona Lourdes, a distribuição da água para a produção é feita utilizando garrafas PET, as quais são cheias com a água da cisterna, levadas até as plantações onde tem suas tampas furadas e enterradas de forma a gotejar na raiz das plantas, a água de cada garrafa dura até três dias aguando. A agricultora planeja ter um sistema melhor com mangueiras para o gotejamento.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

I FEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR DO INGÁ/PB

Acontecerá a I FEIRA DA AGRICULTURA FAMILIAR do Ingá, na próxima sexta-feira (14), na sede do SPM NE, localizada a Rua Antônio da Silva nº 53, bairro: Ananias em Ingá. 

A feira é uma realização da Central das Associações, na pessoa do Sr. Antônio Calú (Presidente da Associação), juntamente com o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável e o Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste, com o apoio da Prefeitura Municipal de Ingá - Secretaria de Agricultura e EMATER local.
A ideia é de que a feira aconteça quinzenalmente, por famílias agricultoras da região do Ingá, comercializando vários alimentos saudáveis, produzidos sem agrotóxicos.
O objetivo é oferecer produtos saudáveis aos consumidores, como também ser uma forma de comercialização da produção agroecológica dos agricultores e agricultoras da região.
Na feira serão comercializadas hortaliças, frutas, ovos, entre outros produtos da agricultura familiar.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

"O agricultor passou a ter ousadia"

Verônica Pragana - Asacom
22/10/2014
Imagine uma comunidade que, ao longo de 12 anos, passou a ter acesso à água potável para beber e produzir alimentos (água de comer), recebeu eletricidade, as casas deixaram de ter chão batido e o piso ganhou cerâmica, os homens e mulheres tiveram acesso a crédito mais facilitado para investir na sua criação animal e diversificar o plantio para além do milho, feijão e mandioca cultivadas no inverno. Outra conquista deste período tem a ver com mobilidade rural tanto pela melhoria das estradas que levam aos povoados, quanto pelo aumento do poder aquisitivo da população que passou a contar com a rapidez e comodidade das motos e carros. Esta situação é realidade não apenas para uma, mas para milhares de comunidades rurais cravadas no Semiárido brasileiro.

Ontem (21) pela manhã, mais de 50 mil pessoas, que vivem em comunidades rurais com essas e outras conquistas, localizadas em todos os estados do Nordeste e mais Minas Gerais, vieram a Juazeiro e Petrolina, no Sertão do São Francisco. Todos manifestaram, através da ocupação pacífica das ruas e praças, a mudança que suas vidas passaram. A multidão também mostrou que não aceita mais retrocessos com relação às políticas públicas direcionadas para a agricultura familiar na região semiárida.

"A partir de Lula, foram tantas conquistas que é difícil falar”, afirma Seu Felizvaldo, de Sobral, no Ceará 
“A partir de Lula, foram tantas conquistas que é difícil falar”. Essa foi a primeira frase dita por seu Felisvaldo Pereira Lima quando questionado sobre as mudanças ocorridas nos últimos 12 anos na comunidade rural onde mora e na sua vida.  Agricultor familiar agroecológico, como fez questão de ressaltar, assentado da reforma agrária e líder sindical, seu Felisvaldo percorreu de ônibus mais de 1.260 km para chegar em Juazeiro, na Bahia. Ele mora e produz na agrovila Recreio, no município de Sobral, no Ceará. A sua viagem foi longa pelo Semiárido adentro até chegar em Juazeiro para participar com alegria do ato público.

Organizada pelos movimentos sociais que lutam pelo fortalecimento da agricultura familiar no Semiárido, a manifestação também levou à Petrolina a candidata Dilma Rousseff, a ministra Tereza Campello, do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e do ex-ministro Miguel Rossetto, do Ministério de Desenvolvimento Agrário, além do governador da Bahia, Jacques Wagner. 

Seu Felisvaldo – Ainda na concentração da caminhada de Juazeiro para Petrolina, seu Felisvaldo organizou uma longa lista de avanços conquistados nos últimos 12 anos não só pela sua comunidade, como por todo município de Sobral. O primeiro ponto que destacou foi a reforma agrária. “Antes, Sobral tinha só quatro assentamentos, a partir do governo Lula ficamos com 26, que recebem assistência técnica”, sustenta ele, cuja família divide com outras 352 da agrovila Recreio uma área de mais de 59 hectares desapropriada de um latifúndio.

Para quem passou pela pior seca dos últimos 30 anos, seu Felisvaldo destacou com sorriso nos lábios que conseguiu manter sua produção de hortaliças e conta o segredo: “Em toda a minha área, faço captação de água da chuva.”

"Uma das primeiras políticas que chegou na comunidade foi as cisternas", conta Jacimeire, agricultora e liderança da comunidade Barro Vermelho
Da região de Feira de Santana
 - Da comunidade rural de Barro Vermelho, no município de Baixa Grande, na Bahia, veio Jacimeire Paula da Silva, agricultora familiar e presidente da Associação Barro Vermelho. Com jeito espontâneo, Meire, como é conhecida, assegurou que na agricultura só teve "maravilha" nos últimos anos. “O agricultor passou a ter ousadia. Se antes não saia nem pra ir na feira porque não tinha dinheiro, hoje entra com classe no mesmo lugar da madame e sai com classe.”

“Uma das primeiras políticas que chegou na comunidade foi as cisternas. Antes, era difícil ter água para beber. A gente bebia água de barreiro, às vezes até com sapo morto dentro, quando tinha perto da comunidade. Algumas vezes, tínhamos que pegar água na cidade, andando 5 km pra ir e mais 5 km pra voltar.”

Meire também destacou a importância do crédito e chamou de “caçulinhas” as tecnologias que guardam água para produção de alimentos, porque foram as últimas conquistas da comunidade. “Com elas, produzimos alimentos para comer e vendemos o excedente para o PAA [Programa de Aquisição de Alimentos] e PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar]. A Associação de Barro Vermelho vendeu para o PAA no último projeto R$ 110 mil, envolvendo 60 agricultores e agricultoras.”

Do Norte de Minas Gerais e do Vale de Jequitinhonha, veio uma comitiva de 150 pessoas. Entre eles, Jorge Rodrigues Pereira, coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e presidente da Cáritas Diocesana de Almenara. “Se comparar com o tempo de FHC [Fernando Henrique Cardoso], muita coisa melhorou. Hoje, não andamos mais a pé, nem a cavalo. Hoje, todos têm moto e carro. As casas não são mais de chão batido, o piso é de cerâmica. Minas não avançou na reforma agrária, mas a repressão policial mudou, não há tanta violência como antes.”

Fonte: http://www.asabrasil.org.br/ 

"Estamos aqui porque não vamos admitir retrocesso no Semiárido"



Participantes do ato público coloriram as ruas Juazeiro e Petrolina de vermelho | Fotos: Érica Daiane/Irpaa


“Nós estamos aqui, presidenta Dilma, porque nenhum nordestino, nenhum sertanejo, nenhum caatingueiro, nenhum quilombola, nenhum ribeirinho, nenhum pescador vai admitir qualquer retrocesso no Semiárido”. Esta foi a afirmativa que a presidenta Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), ouviu de Maria Cazé, dirigente nacional do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), ontem pela manhã (21), em Petrolina (PE).
A vinda da presidenta atendeu a um chamado de mais de três mil organizações que integram a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e de diversos movimentos sociais que se juntaram em defesa da continuidade das políticas que vêm favorecendo a população do Semiárido nos últimos 12 anos. Mais de 50 mil pessoas participaram do Ato, que teve início na Orla de Juazeiro e finalizou na praça da catedral de Petrolina, onde os organizadores do evento montaram um palco para que a multidão ouvisse o pronunciamento de representantes da ASA, dos movimentos sociais e de Dilma Rousseff.
Para chegar ao lado pernambucano, as/os militantes caminharam pela Ponte Presidente Dutra. Com bandeiras, cartazes, camisas, adesivos e gritos de ordem, a multidão fazia questão de expressar o apoio à reeleição de Dilma, considerando os avanços em diversos setores.
Depois do reconhecimento das conquistas, Naidison  aponta o que precisa avançar no Semiárido | Foto: Áurea Olímpia
O acesso à água, a distribuição de renda e o acesso ao ensino superior foram destaques nas falas nas ruas e nos palcos durante o Ato. “Nós temos possibilidade de moradia, nós temos água, nós temos assistência técnica, nós temos crédito. Nós temos uma gama imensa de programas e políticas, presidenta, que mudaram a realidade de vida dessa população. O que nós queremos é que estas coisas todas continuem”, disse Naidison Quintella, da Coordenação Executiva da ASA. Mas, ao declarar o apoio, Naidison também trouxe reivindicações pactuadas por todos os movimentos envolvidos: “Nós queremos também expressar alguns desejos e alguns sonhos que ainda temos em relação ao Semiárido”, citando anseios como uma Reforma Agrária adequada ao Semiárido, a garantia dos territórios das comunidades tradicionais, a revitalização do rio São Francisco, mais crédito para a Agricultura Familiar e a diminuição do uso de agrotóxicos “que contaminam as nossas vidas.”

Em seu pronunciamento, a presidenta Dilma disse se orgulhar das conquistas ressaltadas nas falas e da parceria com os movimentos sociais e a ASA. Pontuou também que, no Brasil, não havia oportunidade, “agora, junto com a garra, o esforço e com a luta de cada um que defendia uma vida melhor para a sua família, o governo garante oportunidades”. Ela leu bilhete enviado por eleitora e ergueu painel pintado durante a mística do ato por grafiteiros do Levante Popular da Juventude, que mostrou dois momentos históricos do Semiárido representados pela imagem de uma mulher com a lata d'água na cabeça e de uma casa com cisterna de consumo humano. Dilma destacou ainda os investimentos na educação, se comprometendo em dar continuidade.
O Ato contou com a participação de caravanas de todos os estados que integram o Semiárido brasileiro: Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Ceará, Piauí, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão e Minas Gerais. Estavam representados/as agricultores/as, sindicatos e federações de trabalhadores/as, movimento estudantil, pastorais, grupos de jovens, prefeituras, partidos políticos, organizações do campo e da cidade.

Fonte: Comunicação IRPAA - Portal ASA BRASIL - 22/10/2014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

V SEMINÁRIO DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO E DEGRADANTE

O Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste/SPM NE em parceria com a Universidade Estadual da Paraíba - UEPB, realiza nos 21, 22 e 23 de outubro o V Seminário Regional de Combate ao Trabalho Escravo e Degradante. O evento acontecerá no Centro de Humanidades da UEPB, localizado na cidade de Guarabira.  

O Seminário que tem como tema “Mundo do Trabalho, Tráfico de Pessoas e Migração” objetiva divulgar, alertar e conscientizar a sociedade, da existência de Trabalho Escravo e Degradante em todo o território nacional e de modo específico na Paraíba, busca ampliar e divulgar experiências de Combate ao Trabalho Escravo, com troca de experiências entre instituições públicas e privadas que possam contribuir para erradicação do Trabalho Escravo e Degradante, além de intensificar a articulação entre Pastorais, Universidades e Procuradorias do Trabalho dando agilidade e segurança aos trabalhadores que tiveram seus direitos violados.

O V SEMINÁRIO DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO E DEGRADANTE, que tem uma estimativa de 200 participantes, conta com as parcerias da UFPE, Comissão Pastoral da Terra e do Ministério Público do Trabalho e terão como debatedores dos temas desde Professores Universitários, membros do ministério público até trabalhadores rurais que já trabalharam em condições degradantes e ou análogas ao trabalho escravo.