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segunda-feira, 23 de junho de 2014

ASA PB discute melhorias na execução do caráter produtivo do P1+2

Juliana Michelle - Comunicadora popular SPM NE - ASA
Campina Grande/PB 
23/06/2014
Encontro reuniu representantes de entidades paraibanas | Foto: Juliana Michelle
A Comissão Água da Articulação no Semiárido Paraibano realizou, no dia 11 de Junho de 2014, no município de Areial (PB), um encontro reunindo representantes das entidades que estão executando os programas Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2). O objetivo principal do encontro foi discutir melhorias em relação ao caráter produtivo do P1+2, assim como questões relevantes sobre o sistema de produção e o uso da bomba elétrica nas implementações, a partir da visita a três propriedades de agricultores familiares da região.
A primeira família visitada foi a de Marinalva e José Onório, localizada no assentamento Cícero Romano, em Areial. O casal conquistou uma cisterna-calçadão, além do canteiro econômico de hortaliças. Eles adubam a lavoura e a horta com esterco produzido no arredor de casa, utilizando técnicas conhecidas através das capacitações do P1+2.

Também em Areial, em outra visita, na Comunidade de Arara, o casal José Evangelista Honorato e Marinalva de Lima Santos, que também conquistou uma cisterna-calçadão, retratou a autonomia da família na plantação e criação de animais, assegurando a soberania alimentar e geração de renda, como relata Marinalva: “Antes da cisterna-calçadão, a gente já plantava, mas hoje melhorou muito, porque antes a gente plantava, mas a água acabava. Hoje é só fartura: tem água e alimentação saudável o ano todo. A calçadão que trouxe os benefícios, hoje tem horta, água, criação de abelhas, criação de galinhas. Somos felizes aqui”, destaca.

Atividades contaram com visitas às experiências               | Foto: Juliana Michelle

A agricultora Maria Lucia dos Santos Silva, da comunidade de Lagoa do Final, com a água da cisterna-calçadão, tem uma vasta plantação de hortaliças, frutíferas e criação de animais. Adquiriu, através do caráter produtivo, três ovelhas, que já procriaram. Hoje Dona Maria já possui seis ovelhas. O destaque dessa propriedade visitada está no exemplo da agricultora, mulher guerreira, que criou os filhos sozinha e que soube aproveitar as oportunidades de melhorias da sua terra em todos os sentidos, sobretudo no incremento da produção.

Em todas as visitas foram observadas as conquistas das famílias através das tecnologias sociais de captação de água de chuva para a produção, com destaque para as impressões positivas dos visitantes, sobretudo nas melhorias que podem ser feitas para que o P1+2 contribua ainda mais na melhoria da qualidade de vida das famílias camponesas. Ao término das visitas, essas observações foram apresentadas e debatidas no grande grupo, com ênfase às melhorias necessárias e possíveis de serem feitas nos caráteres produtivos, o que merece atenção diferenciada, no sentido de buscar meios que ajudem a superar os desafios ainda encontrados pelos agricultores e agricultoras. E assim, a partir do que foi observado, contando com as opiniões e ideias dos presentes, da vivência dos agricultores e dessa troca de experiências, buscam-se novos olhares para que a ASA Paraíba continue sua missão junto aos agricultores familiares do semiárido paraibano.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

De olho na mídia

Bayeux: alunos da Escola Maria José Pinto escrevem livro retratando a história do Mário Andreazza

Foto:  Nilberlânio Silva / Bayeux em Foco
Foto: Nilberlânio Silva / Bayeux em Foco
O  "Mário Andreazza  Nosso bairro, Nossa gente", é uma sequência de vários trabalhos desenvolvidos por alunos da escola. Em 2013 vários projetos foram realizados por alunos da escola, entre eles um pequeno folheto que destaca o caos do transporte público do bairro, para realização de todas as atividades escolares a escola recebe apio da SPMNE (Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste).

"Este trabalho é de suma importância para não só a escola, mas também para a comunidade, uma vez que nossos alunos acabam conhecendo a história de seu bairro, conhecendo mais de sua origem. Outro ponto relevante neste trabalho é o seu valor social, uma vez que ele ajuda a desconstruir todo um preconceito existente contra o bairro e livra os nossos jovens das drogas", destacou a Diretora Geral, Jeane Braga.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

P1+2 chega ao Seu Odenias para aumentar a produção e realizar sonhos


Desde os cinco anos de idade, o Sr. Odenias Barbosa Muniz começou a aprender as primeiras lições na agricultura familiar. Os ensinamentos de seus pais e seu trabalho passaram a gerar a renda de toda sua família. Hoje, mais de trinta anos depois, ele aprimorou as práticas de manejo da terra e conta com incentivos para aumentar sua produção, a exemplo do Programa Uma Terra e Duas Águas.


Numa área de cinco hectares, localizada na comunidade Jurema, a cerca de 15km da cidade de Itatuba, Sr. Odenias produz quiabos, graviolas, abelhas, peixes e carneiros, sendo esses ovinos os responsáveis pela limpeza da área destinada às graviolas. “Tive a ideia de colocar carneiros dentro da área das graviolas porque eles não comem nem a planta e nem a fruta. Eles fazem a limpeza do terreno, comendo a vegetação rasteira, além de oferecer adubo. Com os carneiros, não preciso realizar essas atividades, e no final ainda posso ter a venda dos animais, quando preciso”, explica o agricultor.


Ovelhas substituem trabalhadores.
Em meio à sua produção no arredor de casa, a criação de abelhas é a sua mais antiga experiência. Ele nos conta que se dedica à apicultura há quinze anos e contabiliza cerca de 1.500 litros de mel por ano, que junto às dez toneladas de graviola que colhe a cada ano e os 2.100 kg de quiabos por semana formam a fonte de renda de sua família.

Além de toda essa produção, o agricultor dedica-se ainda à criação de peixes, que deverá aumentar com a chegada do barreiro-trincheira do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). A implementação já está em fase de conclusão e ele não vê a hora de começar a usá-la. “Com o barreiro, eu vou poder organizar a minha ainda pequena criação de peixes, que é um sonho, e vou também usar a água para irrigar uniformemente toda a minha produção, que hoje passa por revezamento: uma hora está nas graviolas e outra hora está no quiabo. Hoje a irrigação vem do rio e muitas vezes de forma lenta, devido à localização, mas com uma fonte d’água já dentro da minha terra, tudo ficará melhor. É só aguardar a conclusão do barreiro e esperar Deus mandar chuva”, comemora.

P1+2 aumentará produção de quiabos.
Os cuidados e a dedicação de Sr. Odenias para com a sua produção são visíveis, sobretudo no caso das graviolas, que trimestralmente trata de contribuir com o processo de polinização das plantas. Segundo ele, a prática ajuda na qualidade e tamanho das frutas. A maior graviola que colheu, destaca, chegou a pesar pouco mais de 9 kg. E agora, com a chegada da água para produção e a expectativa de melhorias na irrigação, ele acredita que seu trabalho só trará ainda mais felicidades a ele e à sua família, ao lado de sua mãe e irmãos, que colaboram diariamente nas atividades da terra.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA

A Diretoria da Associação Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste – SPM NE, no uso das atribuições que lhe confere o estatuto social, CONVOCA os/as sócios/as para a ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA a ser realizada nos dias 07 e 08 de fevereiro de 2014, às 10:00 horas, a Rua: Projeta S/N, Loteamento Village – Jacumã, na cidade de Conde - Paraíba, em primeira convocação, com a presença da maioria absoluta dos associados/as, e em segunda convocação meia hora depois.  

PAUTA DO DIA:
             1.    Avaliação de atividades e apreciação de relatórios
             2.    Planejamento 2014
             3.    Prestação de contas
             4.    Outros

Nota: Para efeito de “quorum”, declara-se que o número de associados nesta data é de 34 associados/as. 


Bayeux, 04 de fevereiro de 2014.
Shirley Luiz da Silva
Presidenta

Famílias do agreste da Paraíba visitam agricultores de Pernambuco

Famílias do agreste da Paraíba, participantes do P1+2, acompanhadas pelo SPM NE, visitaram propriedades e implementações e trocaram experiências com famílias do agreste pernambucano entre dias 21 e 23 de janeiro.
   

Com as implementações já concluídas e começando a fase da produção, agricultores e agricultoras participantes do Programa Uma Terra e Duas Águas - P1+2, dos municípios de Fagundes, Ingá e Itatuba deixaram suas atividades rotineiras e visitaram comunidades dos municípios de Jataúba e Vertentes, no agreste pernambucano. O grupo foi recebido por representantes do Centro Sabiá, instituição que também faz parte da ASA e acompanha as famílias da região.

Dentre as experiências visitadas, as de maior destaque por parte dos agricultores foram o biodigestor, a cisterna telhadão e o fogão ecológico, na comunidade Serra do Sobrado, em Jataúba.

No município de Vertentes, a experiência e persistência do agricultor Suelho incentivaram ainda mais os visitantes. No arredor de casa, Suelho e sua família possuem uma diversidade de fruteiras que contrasta com a vegetação local. Os cuidados e a dedicação fizeram da área um verdadeiro oásis em meio à vegetação de caatinga que predomina na comunidade de Riacho Direito.

Vilma Machado, assessora técnica do P1+2 em Vertentes, acolheu e acompanhou de perto as visitações e comemorou ao lado dos agricultores paraibanos. “Cada exemplo que se tem viajando, interagindo, conhecendo novas histórias é muito gratificante, é muito bom para o conhecimento dos agricultores. Com os intercâmbios e a troca de experiências existe a possibilidade de novos investimentos. São exemplos que são levados para casa”, destaca a assessora.

Uma das grandes entusiasmadas no intercâmbio foi Dona Lita, agricultora da cidade de Itatuba e responsável por uma inédita plantação de uvas na região. Além de agradecer aos que estiveram em sua companhia durante a viagem, ela sempre aproveitava para convidar a todos para conhecer sua comunidade, Serra Velha, e provar de suas uvas. A experiência de Dona Lita com o P1+2 está dando origem a um belíssimo cordel que muito em breve será compartilhado.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Investigação constata trabalho escravo e situação degradante em cidades da Paraíba

Foram encontradas práticas de trabalho escravo na cidade de Serra Branca (PB) e irregularidades nas atividades de trabalhadores do município de Água Preta (PE)

Divulgação
Trabalho escravo em Serra Branca
O Ministério Público do Trabalho, o Ministério do Trabalho e Emprego e a Polícia Rodoviária Federal apuraram denúncias anônimas e confirmaram a existência de trabalho escravo na zona rural do município paraibano de Serra Branca e irregularidades nas atividades de alguns trabalhadores do município de Água Preta (PE).
As denúncias chegaram à juíza titular da Vara do Trabalho de Monteiro, Maria Lilian Leal de Souza, por carta anônima. Ela disse que recebeu informações sobre trabalho clandestino na região do Cariri paraibano e solicitou à Procuradoria do Trabalho uma investigação dos fatos. 

Na zona rural de Serra Branca (cidade da região do Cariri paraibano, que fica a 234 quilômetros de João Pessoa), em estabelecimentos localizados na Pedreira do Tamboril e Pedreira do Sítio Serra Verde, foram encontrados 21 trabalhadores sem registros na CTPS e em condições de trabalho degradantes. Segundo o relatório do MPT, os empregados trabalhavam por produtividade e não eram fornecidos Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s). 

A equipe constatou, ainda, que havia manuseio de explosivos de forma artesanal e sem nenhum treinamento prévio, além da área não possuir sinalização e plano de emergência. No total, foram constatadas 36 irregularidades.

Durante a operação, os trabalhadores receberam o pagamento das verbas trabalhistas que juntas totalizaram pouco mais de R$ 60 mil e indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 10 mil. 

Os Auditores Fiscais do Trabalho ainda entregaram ao responsável pelo local 16 autos de infração com as irregularidade encontradas. O proprietário assinou um termo de ajustamento de conduta que obriga o total cumprimento da legislação trabalhista em vigor.
No município de Água Preta (PE) também foram verificados vários trabalhadores ruais em condições de trabalho inadequadas e a fiscalização feita por autoridades daquele estado.
Dentre as 23 omissões trabalhistas, a empresa Cachool Comércio e Indústria S.A não disponibilizava instalações sanitárias em número adequado e também não fornecia EPIs aos trabalhadores.
Os empregados afirmaram que não havia férias anuais ou depósitos fundiários. Diante das condutas ilícitas, a empresa teve 20 autos de infração lavrados por conta das irregularidade constatadas.

Ao todo, 3.508 trabalhadores foram beneficiados com a operação


fonte: PortalCorreio

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Intereclesial emblemático


Roberto Malvezzi (Gogó)

O 13º Intereclesial das CEBs tem, pelo menos, três elementos emblemáticos, como se fossem um divisor de águas entre os anteriores e o futuro das comunidades eclesiais de base.

Primeiro, ele foi realizado no Juazeiro do Norte, Ceará, nas terras do Pe. Cícero. Esse padre, influenciado por seu predecessor nas missões do sertão nordestino, Pe. Ibiapina, fez de sua vida uma radical opção pelos pobres. São das mesma linhagem os “beatos e beatas”, como Zé Lourenço, Maria Araújo e Conselheiro, pessoas que sentiram chamadas a dedicar suas vidas às populações esquecidas daquele tempo. Influenciados por Ibiapina, esses homens e mulheres fundaram suas comunidades inspirados nas primeiras comunidades citadas nos Atos dos Apóstolos.

É bom lembrar que há 150 anos, em tempos de seca, o sertão era praticamente um deserto. Foi aos famintos, sedentos, vítimas do cólera pela água contaminada, aos órfãos, que esses homens e mulheres dedicaram a plenitude de suas vidas. Por isso, para muitos, eles são os pioneiros no Brasil das atuais comunidades eclesiais de base e também da Teologia da Libertação, já que o ponto de partida eram os pobres, não como objetos de caridade, mas como sujeitos de sua história já ao final do século XIX.

Segundo, pela primeira vez um papa envia uma carta de apoio às comunidades eclesiais de base. O contentamento dos presentes era visível. Afinal, durante as últimas décadas, em grande parte do Brasil e do continente, essas comunidades foram abandonadas, quando não perseguidas e caluniadas, sobretudo por aqueles que desejam uma Igreja distante do povo e fechada em si mesma. Por isso, o povo também enviou uma carta de gratidão ao Papa.

Terceiro elemento é que não havia euforia e nem triunfalismo no Juazeiro do Norte, mesmo que tenha sido um evento grandioso, com belíssima liturgia e momentos de entusiasmo. Todos estão conscientes que, se a Igreja quer ser mesmo uma “rede de comunidades”, como diz o documento 104 da CNBB, então cabe um desafio pastoral imenso de formação das comunidades eclesiais de base, de retomada de sua organização, de apoio na formação em todos os níveis, da criação de espaços que lhes sejam próprios, liberação de pessoas, recursos e tudo mais que se faz necessário no cotidiano pastoral.

O novo é que elas sejam também missionárias, formando novas comunidades e novas lideranças. Além do mais, agora estamos em pleno século XXI, um contexto de mudança de época, com as novas tecnologias, as redes sociais, a pluralidade religiosa, pluralidade de valores, as mudanças radicais no clima do planeta, assim por diante. Esse é o desafio: como continuar tendo a inspiração originárias das primeiras comunidades num mundo em imensurável transformação?

Como será o futuro só a história dirá. Porém, quem tiver um pouco de boa vontade, pode ver aí claros sinais dos tempos.