PESQUISAR

terça-feira, 5 de outubro de 2010

1º SEMINÁRIO ESTADUAL DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO E DEGRADANTE.

Combate ao Trabalho Escravo e Degradante
será debatido em João Pessoa



“Na fé do migrante como protagonista do amanhã
A memória de nossos passos se faz profecia,
Rompemos fronteiras, abrimos novas veredas,
Por uma economia a serviço da vida!”
Pe. Alfredo J. Gonçalves, cs

O Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste SPM NE por meio do projeto de “Acompanhamento aos Trabalhadores Temporários Assalariados da Cana de Açúcar” promove nos 06 e 07 de outubro no Auditório da Procuradoria Regional do Trabalho da 13ª Região/PB o 1º SEMINÁRIO ESTADUAL DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO E DEGRADANTE.

O Seminário tem como tema “OS IMPACTOS DO AGRONEGÓCIO CANAVIEIRO, MIGRAÇÃO, TRABALHO ESCRAVO e VIOLAÇÃO DOS DIREITOS”, e dentre os seus diversos objetivos pode-se destacar:

a) Sensibilizar, articular entidades da sociedade civil organizada, pastorais sociais, estudantes, universidades sobre as condições de trabalho dos Migrantes Temporários assalariados da cana de açúcar na PB e PE;
b) Construir estratégias de fiscalização no Combate ao aliciamento de Trabalhadores Rurais e prevenção ao Trabalho Escravo e Degradante;
c) Articular entidades de Direitos Humanos para elaboração de denuncias a violação dos DHESCA’s.

O 1º SEMINÁRIO ESTADUAL DE COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO E DEGRADANTE é uma realização do Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste SPM NE, tem a colaboração da Comissão Pastoral da Terra, do Sindicato dos trabalhadores Rurais de Itabaiana, da Procuradoria Regional do Trabalho da 13ª Região/PB e o apoio institucional da MISEREOR.




SERVIÇO

Data: 06 e 07 de Outubro de 2010.
Local: Auditório da Procuradoria Regional do Trabalho da 13ª Região/PB
Inscrições: Gratuitas
informações: araujorob@hotmail.com
                   (83) 3253 9372 - (83) 9169 8604

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

12 DE AGOSTO DIA DO CORTADOR DE CANA

Assalariados da Cana na Paraíba. imagem: Darcy Lima (SPM NE)

Neste dia 12, dia escolhido para comemorar o cortador de cana, queremos:


- Render nossa homenagem a estes milhares de trabalhadores que, no dia a dia, deixam o suor de seus corpos nas terras dos canaviais brasileiros;

- Registrar nosso profundo respeito a todos trabalhadores que usam suas forças vitais para garantir a própria sobrevivência e a de suas famílias;

- Registrar nosso apoio e compromisso político a estes trabalhadores em torno da busca da justiça e dos direitos humanos do trabalho;

- Registrar nosso compromisso em defesa da transformação deste trabalho, extremamente penoso, num trabalho que cumpra sua função primordial, qual seja a de dignificar as pessoas, possibilitando-lhes bem-estar, realização profissional e, sobretudo, humana;

- Registrar nossa eterna luta para acabar com todas as formas abusivas de exploração e de discriminação que recaem sobre todos estes, cujo trabalho é o pilar básico do enriquecimento dos donos da terra e dos capitais da atividade canavieira, e também da projeção internacional do Brasil no tocante aos agro-combustíveis;

- Registrar a continuidade desta parceria com todos nos “eitos” e “talhões” da justiça e dos direitos humanos.


Um abraço fraterno da Pastoral dos Migrantes (Guariba)

Fonte: Pastoral dos Migrantes de Guariba

segunda-feira, 26 de julho de 2010

PRESERVAR E PRODUZIR EM PLENO VIGOR

imagem: Darcy Lima - SPM NE

Conforme o convênio firmado - BRA63692, no último dia 01 de julho, com a instituição MANOS UNIDAS o projeto de Recupereção Ambiental e Ed Ambiental PRESERVAR E PRODUZIR  do SPM NE voltou as suas atividades normais no litoral sul da Paraíba em quatro Assentamentos de Reforma Agrária: Nova Vida, Teixeirinha, Apasa e Capim de Cheiro.


Nesta nova etapa o PRESERVAR E PRODUZIR tem como foco principal o desenvolvimento sustentável dos agricultores beneficiários do projeto através da implantação de Sistemas Agroflorestais (click e saiba mais) e a Educação Ambiental junto aos beneficiários do projeto e seus familiares.


O projeto terá a duração de 01 ano e tem como equipe técnica: Darcy Lima, Kleber Mesquita, Gilmar Pereira e Felipe Silva.


Dentre as principais metas da ação, podemos destacar:

a) Constituição de um conselho gestor;
b) Reuniões com os beneficiarios;
c) Seminários de implementação, ed. ambiental e avaliação;
d) Capacitações em SAF's;
e) Caravanas Ambientais junto as escolas;
f) Comunicação;
e) Produção de 30 mil mudas e confecção de 04 Sistemas Agroflorestais.

GANHEI CORAGEM

Rubem Alves

... colunista da Folha de S. Paulo ...



"Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche.

É o meu caso.

Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.

Por medo.

Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe

acerca da hora em que a coragem chega:

"Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos".

Tardiamente.

Na velhice.

Como estou velho, ganhei coragem.



Vou dizer aquilo sobre o que me calei:

"O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.



Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus

como fundamento da ordem política.

Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar:

a democracia é o governo do povo.

Não sei se foi bom negócio;

o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,

é de uma imensa mediocridade.

Basta ver os programas de TV que o povo prefere.



A Teologia da Libertação sacralizou o povo

como instrumento de libertação histórica.

Nada mais distante dos textos bíblicos.

Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.

Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha

para que o povo, na planície,

se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.

Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso

que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.



E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!

Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!

Mas ela tinha outras idéias.

Amava a prostituição.

Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias

pulava de perdão a perdão.

Até que ela o abandonou.

Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário

pelo mercado de escravos.

E o que foi que viu?

Viu a sua amada sendo vendida como escrava.

Oséias não teve dúvidas.

Comprou-a e disse:

"Agora você será minha para sempre.".

Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa

numa parábola do amor de Deus.



Deus era o amante apaixonado.

O povo era a prostituta.

Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.

O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros,

porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.

As mentiras são doces;

a verdade é amarga.



Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola

com pão e circo.

No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos

sendo devorados pelos leões.

E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!

As coisas mudaram.

Os cristãos, de comida para os leões,

se transformaram em donos do circo.



O circo cristão era diferente:

judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.

As praças ficavam apinhadas com o povo em festa,

se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.

Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro

"O Homem Moral e a Sociedade Imoral"

observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.

São seres morais.

Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem.

Mas quando passam a pertencer a um grupo,

a razão é silenciada pelas emoções coletivas.



Indivíduos que, isoladamente,

são incapazes de fazer mal a uma borboleta,

se incorporados a um grupo tornam-se capazes

dos atos mais cruéis.

Participam de linchamentos,

são capazes de pôr fogo num índio adormecido

e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.

Indivíduos são seres morais.

Mas o povo não é moral.

O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.



Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,

segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.

É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.



Mas uma das características do povo

é a facilidade com que ele é enganado.

O povo é movido pelo poder das imagens

e não pelo poder da razão.

Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.

Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista

que produz as imagens mais sedutoras.

O povo não pensa.

Somente os indivíduos pensam.

Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam

a ser assimilados à coletividade.

Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.



Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.

Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.

Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,

o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.

Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.



O nazismo era um movimento popular.

O povo alemão amava o Führer.



O povo, unido, jamais será vencido!



Tenho vários gostos que não são populares.

Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.

Mas, que posso fazer?

Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,

de Saramago, de silêncio;

não gosto de churrasco, não gosto de rock,

não gosto de música sertaneja,

não gosto de futebol.

Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo,

eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos

e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno",

à semelhança do que aconteceu na China.



De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.

Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,

é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:

"Caminhando e cantando e seguindo a canção.",

Isso é tarefa para os artistas e educadores.

O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.


Rubem Alves

segunda-feira, 31 de maio de 2010

AGENTES DE PASTORAL







AGENTES   DE   PASTORAL
I   n   s   t   a   n   t   â   n   e   o   s



Presente em todo Brasil, um país de caras e sotaques mil
Presente entre os migrantes, sócio-dependentes e outros carentes

Atua como gestor, pastor, amigo ou simples observador
Escolheu servir, escolheu se doar

Andarilho por opção. Vê problemas e busca solução
Estuda, Caminha, Canta e Luta por outro tipo de Nação.

SER AGENTE é estar junto no translado e no movimento
SER PASTORAL é missão, compromisso, ideal.



Carta aberta

Bayeux, Paraíba,19 de abril de 2010

Prezados Senhores,

O Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste – SPM NE, entidade componente da Articulação no Semi-árido Paraibano – ASA PB, vem, por meio desta, expressar o reconhecimento às ações desenvolvidas pela Conab, nos últimos sete anos, em apoio à agricultura familiar desse país, e defender a manutenção desse compromisso neste momento crucial de mudanças na presidência da Conab, sobre a qual nos manifestamos para o governo e para a sociedade. Destacamos os avanços alcançados pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) no fortalecimento da Agricultura Familiar, promovendo uma relação direta e importante entre a produção e a comercialização da agricultura familiar. Este programa é extramamente relevante para a melhoria da qualidade de vida das famílias agricultoras e dos consumidores na perspectiva da soberania e segurança alimentar e nutricional. Avaliamos que estes avanços foram possíveis na medida em que estiveram à frente deste processo, pessoas comprometidas com a defesa e fortalecimento da agricultura familiar.

Para que possamos assegurar a continuidade e avanços futuros destas ações exitosas defendemos que tenhamos à frente da CONAB pessoas empenhadas e comprometidas com o protagonismo dos agricultores e agricultoras familiares. Neste sentido, destacamos o empenho e compromisso do Sr. Silvio Porto, Diretor de Política Agrícola e Informações, que no nosso entendimento, o credencia técnica e politicamente para estar à frente da CONAB, exercendo o cargo de Presidente da mesma. É o que defendemos.

Esta manifestação pública representa o nosso reconhecimento do importante papel desempenhado pelo Sr. Silvio Porto em relação às políticas de reestruturação da CONAB de apoio à agricultura familiar e de reforço do papel das organizações da sociedade civil na construção e implementação de programas, a exemplo do PAA.

Atenciosamente,

Arivaldo José Sezyshta
Coordenador

Carta do Haiti



D. Demétrio Valentini
Presidente SPM
Em nome da CNBB e da Cáritas, esta é a semana da visita ao Haiti. Para conferir de perto a situação, e ver melhor como dar continuidade à campanha em favor das vítimas do fatídico terremoto do dia 12 de janeiro.
Quando a viagem é importante, não se espera o regresso . Manda-se uma carta. E´ o que estou fazendo, na tentativa de transmitir ao menos algumas impressões, para depois com mais calma partilhar propostas concretas de cooperação com o povo haitiano.
Quando o avião estava sobrevoando Port au Prince, já dava para constatar a cidade arrasada. Certos quarteirões pareciam um amontoado de destroços, não um conjunto de casas. O Haiti ainda convive com os escombros . Não foram removidos. E convenhamos que não é fácil removê-los. Se anos depois da guerra, na Europa, ainda dava para ver algumas conseqüências da destruição, por que se imaginaria que o pobre Haiti fosse capaz de varrer da cidade e da memória os vestígios do terremoto¿ Por muitos anos, com certeza, o Haiti vai viver sob o espectro desta tragéd ia.
Do alto dava para ver, o que depois conferíamos de perto. Os espaços vazios, como praças ou campos de esporte, foram todos ocupados por milhares de tendas, para abrigar os que perderam suas casas, ou não tem a coragem de se abrigar debaixo de estruturas completamente comprometidas. Durante o dia, o povo se apinha nas ruas, muitos zanzando atônitos, todos buscando sobreviver, através de toscas mercadorias que procuram vender, ou no aguardo de alguma ajuda que possam receber.
Ao ver de perto esta realidade, voltava com freqüência a pergunta intrigante que teimava a se interpor diante da dura realidade deste povo que já era pobre e foi atingido duramente por esta catástrofe. Afinal, neste Caribe que leva a fama de exuberante e encantador, por que alguns países foram adotados pelo progresso, e outros ficaram relegados ao subdesenvolvimento¿ Sejam quais forem as razões que se alegue, o Haiti ainda paga caro por ter madrugado na sua independência, e ter sido ousado na abolição da escravidão já no início do século dezenove.
Impressiona ver casas de três ou quatro andares, que desabaram completamente e se reduziram a um amontoado de escombros. Com certeza ainda servem de cemitério para muitas vítimas.
Dá para ver com clareza que certos lugares sofreram mais que outros. As causas são diversas. Depende do roteiro que o terremoto parece ter privilegiado, atingindo em sequência certas regiões nitidamente mais danificadas. Mas com certeza depende também do tipo de construções, mais, ou menos resistentes a abalos císmicos. Depende do tipo de terreno, que precisaria ser analisado melhor antes de sobre ele se construir. São todas advertências, que agora precisam ser melhor levadas em conta, na perspectiva da reconstrução que a partir de agora se impõe.
Pois na verdade, nestes dias está acabando a primeira fase, a de socorro imediato. Começa a fase mais difícil, a da reconstrução. No dizer o Administrador Apostólico da Arquidiocese de Port Au Prince, é preciso transformar a calamidade em oportunidade.
No Haiti o mundo todo tem lições importantes a aprender. Entre tantas, uma sobressai. E´ urgente que o Haiti retome sua plena soberania, para se tornar ele próprio o protagonista de sua reconstrução, e para que a solidariedade que o mundo inteiro está disposto a oferecer, possa encontrar a maneira adequada de se exercer.
No final desta semana, a Cáritas Internacional, com a presença das Cáritas Latino americanas, se reúnem no Haiti para juntas refletirem sobre a maneira de colaborem na ingente tarefa de refundar o Haiti. Pois assim parece se apresentar o desafio comum que todos sentimos. Mas uma carta não conta tudo. Este pouco é só para aguçar o interesse para nos darmos conta das muitas causas que estão em jogo neste país que todos adotamos como interpelação do passado e como profecia de futuro.