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quarta-feira, 9 de abril de 2008

CISTERNAS: No combate às causas da Migração Forçada

Há 14 anos na Paraíba, o Serviço Pastoral dos Migrantes SPMPB tem atuado no combate às causas da migração de milhares de nordestinos, sobretudo paraibanos. Uma das principais causas dessa “Migração Forçada” é escassez de água causadas pelas longas estiagens do clima semi-árido e, agravada pela falta de acesso aos recursos hídricos existentes, principalmente pela inexistência de instrumentos para que cada família possa captar e armazenar a água que vem da chuva para o seu consumo e da comunidade.

Nesta conjuntura, o SPM PB vem trabalhando junto à diversas comunidades do Sertão, Cariri e Agreste paraibano na construção de Cisternas de Placas para que o povo possa ter uma convivência harmoniosa como o clima destas regiões.
Em 2007, na Paraíba, foram construídas 103 cisternas em 9 municípios, diante desse números estima-se que foram beneficiadas 620 pessoas diretamente e mais de 1000 indiretamente. Este ano esses números devem ser ampliados, pois existe uma perspectiva de construção de mais cem cisternas na região do Brejo e Cariri.

A cisterna é um extraordinário instrumento de motivação para que o homem do campo permaneça em sua terra Natal, e assim, dê um basta a migração forçada.



10 Mandamentos das Cisternas
Fonte: Articulação no Semi-Árido

1º. A água é presente de Deus e como tal não pode ser vendida, nem negada.
2º. Todas as pessoas, animais e plantas têm direito a água.
3º. Toda casa da zona rural deve ter a sua cisterna.
4º. A cisterna deve ser construída ao lado da casa, longe das plantas com raízes esparramadas e longe de fossas e currais.
5º. A cisterna deve ser cuidada:
* Lavar todos os anos antes da chuva;
* Pintar a parte externa de cal branca;
* Manter a cisterna sempre bem tampada;
* Proteger os suspiros e entradas de água com tela e pano fino;
* Guardar os canos depois das chuvas para evitar que rachem;

6º. A água da primeira chuva é para lavar o telhado da casa. Não pode ir para a cisterna.
7º. A água da primeira chuva juntada na cisterna, não pode ser misturada com outra água.
8º. A vasilha para tirar água da cisterna deve ser muito limpa e usada só para isso. Não deixar a vasilha encostar no chão, na terra ou em lugares sujos.
9º. A água da cisterna é para o consumo humano: beber e cozinhar. Assim vai durar todo o período da seca.
10º. Toda água para consumo humano deve ser tratada.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Programa Preservar e Produzir: março de 2008

Acompanhe as principais notícias da Paraíba, do Brasil e do mundo com relação à questão ambiental. O Preservar e Produzir: O Canal Direto com o Agricultor Consciente é o seu boletim radiofônico mensal sobre a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável.
Confira alguns destaques deste programa
@ Reflexão Ecológica Alexandre Tomás fala sobre as ações do Movimento SOS Rio Cuiá;
@ Educação Ambiental Reunião de trabalho na secretaria de educação de Pitimbu discute educação ambiental nas escolas rurais;
@ Fique Sabendo Aprenda como combater o Pulgão e a Cochonilha;
@ Dia de Quê Saiba por que o dia 19 de abril é o Dia do Índio;
CLICK E OUÇA O NOSSO PROGRAMA!
REALIZAÇÃO Serviço Pastoral dos Migrantes FINANCIAMENTO Cooperação Brasil/Alemanha – KFW, Governo Federal, Ministério do Meio Ambiente e PDA PARCERIA Rádio Comunitária Alhandra FM – 87.9, site http://www.anjosdejesus.com/ e Caaporã FM APRESENTAÇÃO Darcy Lima GRAVAÇÃO E EDIÇÃO Adriel Sales (A3 Estúdio).

segunda-feira, 3 de março de 2008

Programa Preservar e Produzir: fevereiro de 2008

O Preservar e Produzir: O Canal Direto com o Agricultor Consciente convida você a acompanhar as principais notícias sobre as ações de educação ambiental e desenvolvimento sustentável implementadas em nossa região (Litoral sul paraibano), no Estado da Paraíba e no mundo.

CONFIRA ALGUNS DOS DESTAQUES DO PROGRAMA
@ Igreja Católica lança Campanha da Fraternidade na cidade de João Pessoa;
@ Professores e alunos da UEPB fazem visita de campo a Assentamentos do Litoral Sul Paraibano;
@ Luis Sena (técnico da CPT) fala sobre seu trabalho no litoral sul paraibano;
@ Dia Internacional da Mulher é celebrado no Quadro Dia de Quê;
@ E ainda os quadros: Recanto da Poesia, Fique Sabendo e Reflexão Ecológica.

Quer saber mais?É só clicar e ouvir o programa.

REALIZAÇÃO Serviço Pastoral dos Migrantes FINANCIAMENTO Cooperação Brasil/Alemanha – KFW, Governo Federal, Ministério do Meio Ambiente e PDA PARCERIA Rádio Comunitária Alhandra FM – 87.9 e site http://www.anjosdejesus.com/ APRESENTAÇÃO Darcy Lima GRAVAÇÃO E EDIÇÃO Adriel Sales (A3 Estúdio).

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Programa Preservar e Produzir: JANEIRO DE 2008

O Preservar e Produzir: O Canal Direto com o Agricultor Consciente convida você a acompanhar alguns dos momentos que mais se destacaram nos programas em 2007.

Neste primeiro programa de 2008, você escuta a edição “Recordar é Viver” do Preservar e Produzir. É claro que aqui você encontra muita informação e entretenimento sempre antenado com as questões ambientais.

Quer saber mais?É só clicar e ouvir o nosso programa. Ouça e deixe o seu comentário.

CONFIRA ALGUNS DOS DESTAQUES DO PROGRAMA
@ Julho:
o Preservar e Produzir estréia na rádio Alhandra FM com uma entrevista com os técnicos do SPM;
@ Agosto: Serviço Pastoral dos Migrantes firma parceria com a UFPB;
@ Setembro: Professora Mariana Pereira fala sobre a alimentação e a relação com o meio ambiente;
@ Novembro: Jovens participam de capacitação para implantação de viveiros de mudas agroecológicos;

REALIZAÇÃO Serviço Pastoral dos Migrantes FINANCIAMENTO Cooperação Brasil/Alemanha – KFW, Governo Federal, Ministério do Meio Ambiente e PDA PARCERIAS Rádio Comunitária Alhandra FM – 87.9 e site http://www.anjosdejesus.com/ APRESENTAÇÃO Darcy Lima GRAVAÇÃO E EDIÇÃO Adriel Sales (A3 Estúdio).

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A face real do mundo virtual*

Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns “bugs” de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.

Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:


- Tio, dá um trocado?
- Não tenho menino!
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, compro um para você.

Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.

- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?
Percebo que o menino tinha ficado ali.
- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?

Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.
- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele.
Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:

- Tio, o que está fazendo?
- Estou lendo uns e-mails.
- O que são e-mails?
- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet. Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:
- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Tio, você tem Internet?
- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet, tio?
- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual, tio?

Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas.

- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Legal isso. Gostei!
- Mocinho, você entendeu o que é virtual?
- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.
- Você tem computador?
- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?

Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado.
Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'.
Ali, naquele instante, tive a maior prova do “virtualismo” insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!


*Autor desconhecido
Titulo: Darcy Lima

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Programa Preservar e Produzir: Dezembro de 2007

O último Preservar e Produzir: O Canal Direto com o Agricultor Consciente de 2007 trouxe muita informação e entretenimento para aqueles que estão ligados em ações de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

CONFIRA ALGUNS DOS DESTAQUES DO PROGRAMA
@ Assentamento Apasa:
Feira Agroecológica Ecosul completa 5 anos;
@ Assentamento Nova Vida: Agentes jovens são recrutados no Viveiro de Mudas;
@ João Pessoa: Militantes de movimentos sociais solidarizam-se com Dom Luiz Cappio;
@ João Pessoa: Confirmando parceria: SPM e UEPB firmam compromisso para contratação de estagiários.

Tudo isso e muito mais você só encontra aqui no Preservar e Produzir: O Canal Direto com o Agricultor Consciente. Quer saber mais? É só clicar e ouvir o nosso programa. Ouça e deixe o seu comentário.

REALIZAÇÃO Serviço Pastoral dos Migrantes FINANCIAMENTO Cooperação Brasil/Alemanha – KFW, Governo Federal, Ministério do Meio Ambiente e PDA PARCERIA Rádio Comunitária Alhandra FM – 87.9 APRESENTAÇÃO Darcy Lima ENTREVISTADOS Gilmar Pereira, Waldison de Lima, José Carlos Gomes, Gleyson Ricardo, Mônica Mugller, Desdenia Maria, Heleno Lira, Folha, Marceleuze Araújo, Suelen Maximino e Fernando Ferreira GRAVAÇÃO E EDIÇÃO Anyelle Sales (A3 Estúdio) e Adriel Sales (A3 Estúdio).

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Dom Cappio x Dom Aldo

Estimados amigos e amigas. Segue diálogo entre Dom Aldo (Diocese da Paraíba) e Dom Cappio (Diocese de Barra/BA), acerca do gesto do Frei contra a propaganda Enganosa da Transposição do Rio São Francisco.

Nota Carta do Presidente do Comitê Paraibano pela Integração das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco
João Pessoa (PB), 28 de novembro de 2007.
1 - Caro irmão Dom Luiz Flávio Cappio: Deus o ilumine e o proteja. Nossa vida a Deus pertence. Não temos o direito de tirá-la a qualquer título. 2 - O comportamento cristão leva-nos à coerência irreformável na defesa e promoção da vida. 3 - Por ocasião de sua primeira greve de fome, a Santa Sé lhe pediu, em carta que lhe foi entregue em mãos pelo Núncio Apostólico no Brasil, que desistisse dessa conduta. 4 - Diante da dádiva da vida, peço que você reveja a sua posição quanto à revitalização e à integração das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco, contempladas em uma obra que beneficia a doze milhões de nordestinos dos estados da Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. O planejamento técnico-cientí fico e a gestão administrativa e econômica da obra são de competência governamental através dos órgãos específicos. Não compete a nós bispos da Igreja intervir nesse mérito. 5 - Contudo, nós bispos e o povo da Paraíba e dos demais estados pleiteantes apoiamos a obra que favorece o desenvolvimento de nossas regiões do semi-árido, assoladas pelas estiagens inclementes. Quem tem sede apóia a obra! 6 - Peço que o caro irmão escute a voz do Espírito do Senhor que fala pelo clamor do povo sedento de água, de amor, de justiça e de paz.
Dom Aldo di Cillo Pagotto Arcebispo Metropolitano da ParaíbaPresidente do Comitê Paraibano pela Integração das Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco

Resposta de Dom Luiz Cappio a Dom Aldo Pagotto

Caro Dom Aldo,

Paz e Bem!

Recebi sua "Nota Carta" e, por respeito ao Sr. e pela oportunidade de esclarecer aos irmãos e irmãs paraibanos os significados de meu gesto, eu a respondo.



1- Concordo que nossa vida a Deus pertence e não temos o direito de tirá-la. Exatamente porque a minha não me pertence e sim a Deus, pois a ele já a entreguei há muito tempo, é que a ofereço pela vida de muitos. Não a estou tirando, apenas jejuo e rezo, como é da tradição bíblica e cristã, por tempo indeterminado, disposto a ir até o fim. Primeiro, direcionado a Deus, Senhor da Vida e da História, como sacrifício, para que Ele se compadeça de nós e mude o coração de homens cegados pelo poder e pelo dinheiro. Segundo, direcionado aos governantes deste país, como legítima forma de ação de um cidadão, esgotadas e infrutíferas todas as tentativas anteriores de amplos setores da sociedade fazerem-se ouvir e respeitar. É um gesto pessoal, mas de significado coletivo.

2- Se conhece a minha vida, sabe que meu comportamento atual não é nada mais que coerência irreformável com toda a minha trajetória de franciscano, padre e bispo a serviço da defesa e promoção da vida. Isso quis expressar em meu lema de bispo "Para que todos tenham vida" (Jo 10,10).

3- A Santa Sé, através do Núncio Apostólico, de fato me "pediu" que não lançasse mão do recurso da greve de fome. Tratou-se de apenas um "pedido". Quanto à expressão "greve de fome", usei-a da outra vez porque mais conhecida e por seu significado político. Desta vez, prefiro que seja "jejum e oração permanente".

4- Quanto ao projeto de transposição, o Sr. e outras lideranças esclarecidas que o defendem deveriam contar ao povo toda a verdade sobre esse projeto, suas reais finalidades, custos, mecanismos de cobrança pela água, traçados distantes dos sertões mais secos, interesses mercantis, etc, etc. Esse projeto não é solução, será mais problema. Continuar, a essa altura, insistindo no velho "discurso da seca", pregando um "populismo hídrico", a serviço da antiga "indústria da seca", agora moderno "hidronegócio", é um desserviço ao povo e uma perversão de nossa missão de pastores. O mérito aqui em questão não é técnico, é pastoral, pois "ovelhas" em risco cobram a solicitude do Bom Pastor. Foi assim que os bispos nordestinos, há quase 60 anos, com competência pastoral e apoio técnico, provocaram a criação da SUDENE.

5- O projeto de transposição não vai trazer verdadeiro desenvolvimento. A propaganda da irrigação no próprio Vale do São Francisco esconde a face dos danos sociais e ambientais e mesmo os sucessos econômicos são relativos, não é modelo a se propagar, precisa ser revisto urgentemente. Por que não fazem o mesmo empenho pelas 530 obras do Atlas Nordeste da ANA – Agência Nacional de Águas e pelas mais de 140 tecnologias da ASA e da EMBRAPA? Essas, sim, são soluções reais e bem mais baratas, resolvem o déficit humano de água nas cidades e promovem o desenvolvimento apropriado às diversidades rurais do semi-árido, sem ônus ao já tão sofrido povo nordestino e ao meio ambiente.

6- A voz do Espírito do Senhor sopra aonde quer (cf. Jo 3,8) e no clamor do povo ele exige que sejamos "simples como as pombas e espertos como as serpentes" (Mt 10,16).

Aceite meu abraço, extensivo a todas as irmãs e irmãos paraibanos,

+ Luiz Flávio Cappio
Bispo da Diocese de Barra – BA
Site: www.umavidapelavida .com.br

Sobradinho, 30 de novembro de 2007.
Festa de Santo André, mártir.