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quarta-feira, 18 de maio de 2016

COORDENAÇÃO EXECUTIVA DA ASA BRASIL DIVULGA CARTA DE POSICIONAMENTO SOBRE O ATUAL MOMENTO DO PAÍS

 

Aos Fóruns e ASAs Estaduais,

Nesse momento de extrema crise política, econômica e ética que vive o Brasil, a ARTICULAÇÃO SEMIÁRIDO BRASILEIRO – ASA BRASIL, uma REDE que articula cerca de 3 mil organizações da sociedade civil, e atua no Semiárido brasileiro em defesa da vida e garantia de direitos das pessoas, manifesta sua posição diante de tão grave golpe deflagrado contra a democracia, à justiça e aos direitos sociais do povo brasileiro.

Reconhecemos que a tomada do governo Dilma por uma elite gananciosa, machista, sexista, homofóbica e cruel, que nunca aceitou a derrota nas urnas e o avanço das conquistas sociais, significa não só a derrubada de um governo legítimo, mas o rompimento de um processo de construção de um país mais justo, igualitário, sustentável e democrático. Historicamente, a burguesia brasileira, que sempre controlou o estado a partir dos seus interesses e suas conveniências, possui suas raízes no latifúndio, na escravidão, no enriquecimento ilícito e na exclusão do povo trabalhador. É uma história de perversidade e de abandono da nação brasileira, que nesse momento se manifesta de maneira promíscua, esdrúxula e inaceitável.

O povo do Semiárido – mais de 22 milhões de pessoas - dos quais cerca de 8 milhões são agricultores e agricultoras familiares, sempre foram vítimas do processo de desconstrução desse território e do seu modo de viver. No entanto, nos últimos 15 anos, a ação da ASA em parceria com o Governo Federal, revelou outra história. As mortes, êxodo, saques, filas intermináveis de pessoas para receber uma lata d’água, frentes de serviços, compra de votos à custa da miséria, ficou na história como uma marca desumana de governos que sempre deram as costas ao Semiárido e ao seu povo. Agora, esse mesmo governo quer voltar ao poder pela força.

A ASA reafirma a virada dessa página cruel da história, graças à luta e ao protagonismo do povo do Semiárido, aliado às políticas públicas adequadas e voltadas para o bioma e sua gente, que trouxeram humanidade e vida à região. Foram e são políticas como o Bolsa Família, o Bolsa Estiagem, o Garantia Safra, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o Programa Água para Todos, em especial as cisternas de placas para água de consumo humano, as tecnologias de captação de água para produção de alimentos saudáveis, as cisternas nas escolas e as casas de sementes.

Todas essas ações e políticas têm a marca de um governo com um novo olhar para as pessoas, considerando a participação e a trajetória de um povo resistente e que quer construir sua vida e seus destinos.

Diante desse fatídico momento, provocado pelo vergonhoso golpe da burguesia brasileira, que mancha a Constituição Federal e fere de morte o processo democrático em curso no Brasil, nós da coordenação executiva da ASA, reunida nos dias 12 e 13 de maio, em Recife (PE), discutimos a conjuntura nacional e entendemos como urgente o diálogo com todos e todas que fazem parte da rede, no sentido de reafirmarmos o nosso rumo político e o nosso compromisso com a Democracia. Para reflexão coletiva consideramos:

1. Cada organização que faz parte da ASA deve preservar a ética, a transparência, a autonomia e sua legitimidade de sujeito construtor de políticas públicas, nas comunidades, nos territórios, nos municípios, nos estados e espaços políticos de atuação, sendo exemplo para o Brasil e o mundo;

2. A REDE ASA reafirma seus princípios e compromissos com a luta pelos direitos e a democracia, ecoando sua voz, na linha de aprofundar e ampliar as políticas que fazem do Semiárido um território vivo;

3. A REDE ASA mantém a firmeza e sua unidade na luta, tendo em vista a reivindicação das políticas públicas de convivência com o Semiárido, junto ao Estado Brasileiro, como um direito social do povo e uma obrigação do governo;

4. A REDE ASA apoia e participa, efetivamente, das iniciativas dos movimentos sociais e de toda sociedade brasileira, em prol de um país DEMOCRÁTICO, JUSTO E IGUALITÁRIO;

5. A trajetória de luta da ASA em defesa dos direitos dos povos do Semiárido é a mais pura afirmação da Democracia e, por isso, não reconhece a legitimidade de qualquer governo que não tenha sido constituído pelo voto direto dos cidadãos brasileiros, e repudia qualquer movimento politico ou jurídico que burle a Constituição Federal para usurpar o poder legitimo. Resistiremos a todo e qualquer retrocesso!

QUEREMOS UM SEMIÁRIDO VIVO E NENHUM DIREITO A MENOS!

Recife, 17 de maio de 2016

COORDENAÇÃO EXECUTIVA DA ASA BRASIL

FOLIA REALIZA OFICINA TERRITORIAL DE CAPACITAÇÃO DE COMISSÕES MUNICIPAIS

O Fórum de Lideranças do Agreste – FOLIA, realizou na última sexta-feira, dia 13 de Maio de 2016, no município de Salgado de São Félix/PB, uma Oficina Territorial de Fundos Rotativos Solidários, como Capacitação das Comissões Municipais dos municípios que integram o FOLIA. Estavam presentes representantes dos municípios de Aroeiras, Barra de Santana, Campina Grande, Fagundes, Gado Bravo, Ingá, Itabaiana, Itatuba, Mogeiro, Natuba, Riachão de Bacamarte, Salgado de São Félix, Santa Cecília e Umbuzeiro.  


A oficina iniciou com a mística de abertura e apresentação dos participantes de cada município. Em seguida, os três municípios: Salgado de São Félix, Barra de Santana e Itatuba, apresentaram um carrossel sobre as suas experiências com Fundo Rotativo Solidário, onde na oportunidade do debate em plenária, foram discutidas as impressões dos demais municípios sobre tais experiências, como também o fortalecimento dessas práticas. 


O vídeo Cordel do Fundo Solidário foi apresentado e recebido com bastante entusiasmo pelo grupo, que conheceram mais sobre a temática, tiraram suas dúvidas e debateram sobre possíveis oportunidades de iniciar um trabalho de FRS em seus territórios.
A formação foi finalizada com uma ciranda e oração.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

8ª CAMINHADA NA NATUREZA: "CIRCUITO URUÇU E SERRA DO CATOLÉ"

Convidamos a todos e todas a caminhar conosco mais uma vez por entre as trilhas da vida das nossas comunidades, durante a realização da 8ª Caminhada na Natureza “Circuito Uruçu e Serra do Catolé, que se realizará no dia 12 de Junho de 2016. Neste ano, junto a Caminhada será celebrada a abertura da 31ª Semana do Migrante, que tem como tema “Migração e Ecologia: O Grito que vem da Terra”, de 12 a 19 de junho em todo o Brasil, uma realização do Serviço Pastoral dos Migrantes que todos os anos promove uma semana de celebrações e reflexões em continuidade a Campanha da Fraternidade da CNBB, a partir dos processos migratórios que ocorrem em todo o planeta.


As atividades de turismo rural de base comunitária (a exemplo das Caminhadas na Natureza), como um espaço fundamental de interação com a vida em todas as suas formas, no qual temos a oportunidade de ver, ouvir e sentir a Mãe Terra e suas interações tão essenciais ao bem viver, a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Além de possibilitar reflexões sobre o nosso modo de vida, os padrões de consumo que temos adquirido ao longo do tempo, e como estes afetam a saúde da Mãe Natureza e das populações que estão à margem de uma parcela da sociedade privilegiada.

Neste espírito de interação e solidariedade, convidamos a todos a compartir essa vivência com a Natureza e com as comunidades e fortalecer nossas relações de harmonia e paz com a natureza e com as histórias do nosso povo. Caminharemos por moradias, escolas, igrejas, montanhas, lajedos, riachos e áreas agrícolas.

Iniciaremos a partir das 7h com as inscrições e café da manhã, com saída prevista para às 8h. 

Encerraremos com almoço que será servido na sede da Associação Comunitária dos Produtores Rurais de Uruçu.



Maiores informações através dos contatos: 

(83) 986130396/988595278/996643131.


Agradece a Coordenação
Caminhada na Natureza “Circuito Uruçu e Serra do Catolé

quinta-feira, 5 de maio de 2016

SPMNE realiza encontro de acompanhamento do P1+2, na comunidade de Serra Velha em Itatuba/PB.


O Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste (SPMNE) realizou no dia 28 de abril de 2016, na comunidade de Serra Velha, que fica a 12 km da cidade de Itatuba (PB), um encontro de acompanhamento do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), um projeto da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA). O evento contou com a participação dos agentes pastorais da sede do SPM NE que funciona em Ingá, como também da Assessora Técnica do P1+2, Camila Apocalipse.

O encontro teve como objetivo a visita de campo a família da agricultora Luzia Bezerra (Lita) para acompanhamento do P1+2, naquela região. As atividades deram início com o café da manhã, logo após, reunindo todos no alpendre de casa, dona Lita recitou uma poesia a qual preparou para o referido evento.






“Cumprimentando a vocês
Que vieram a Serra Velha
Em especial minha casa
Humilde, simples, singela
Sendo eu uma agricultora
Um dia fui professora
Não perdi o amor por ela...

...Nosso humilde semiárido
Onde a vida vem pulsar
Aqui o povo resiste
Pra na terra cultivar
Com coração de criança
Renovando a esperança
Que a vida vai melhorar...”





Em seguida, dona Lita e seu Luiz, apresentaram o mapa, feito pela família, simbolizando a casa quando chegaram para morar e depois o mapa expressando como se encontra a propriedade atualmente, após a interferência da família, como também a execução do projeto.


Acompanhados pela família, o grupo foi convidado a conhecer a propriedade e as diversas experiências existentes na casa de Lita. No espaço, encontram-se variedades de fruteiras, como uva, pinha, seriguela, cajarana, amora, maracujá, entre tantos outros espalhados por lá. 



No quintal da casa existe o tanque de reuso de água, experiência utilizada no reaproveitamento da água que vem da cozinha e que Dona Lita trouxe de um dos intercâmbios ao qual participou pelo SPM NE, na cidade de Boqueirão-PB. Outra experiência da família é a da fossa ecológica que tem ajudado não só a dona Lita como também a outros agricultores da região a não manterem os esgotos a céu aberto, contribuindo na manutenção da limpeza e higiene do lugar e evitando a proliferação de várias doenças.



No arredor de casa foi apresentada a cisterna de 52 mil litros, que armazena água para produção, e logo ao lado a horta de onde provem alimentação para família entre verduras e hortaliças, como também para a comercialização. Dona Lita e família tem uma criação animal entre galinhas, cabras, ovelhas, jumento e algumas vacas.



A Casa de Sementes é um lugar onde toda a comunidade deposita suas sementes da paixão e no ano seguinte pegam para plantar. Nesse sentido, o banco sempre está recebendo novos tipos de sementes, as quais servem a agricultores não só da Serra Velha, mas de toda aquela região.




Em seguida, entre muita emoção, sorrisos e lágrimas, cantoria, poesias e animação a agricultora conta
sua trajetória e de seu esposo Luiz. 






















O destaque dessa propriedade visitada, assim como da vida da família, está no exemplo da agricultora, mulher guerreira, determinada, cheia de esperança e amor, Lita que soube aproveitar as oportunidades de melhorias da sua terra, mesmo passando um tempo distante da terra.


Dentre as conquistas da família no geral, percebe-se que as tecnologias sociais de captação de água de chuva para a produção, sobretudo o P1+2, trouxeram melhorias significativas na qualidade de vida dos mesmos. Na vida de Lita e família, a vivência, os novos olhares, a troca de experiências, assim como a esperança e a confiança depositada, o amor com que ela trata a agricultura, transformou a sua vida, de sua família e de muitos agricultores ao seu redor.