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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Encontro Estadual de Comunicação da Articulação do Semiárido Paraibano discute a democratização da comunicação e partilha experiências territoriais

A comunicação popular como estratégia política para transformação social e a democratização da comunicação foram temas centrais do “I Encontro Estadual de Comunicação da Articulação do Semiárido Paraibano (ASA – Paraíba)”, realizado entre os dias 25 e 27 de março, no Day Camp Hotel Fazenda, em Campina Grande, Paraíba. 

No primeiro dia do encontro, organizações de três territórios integrantes da ASA Paraíba apresentaram suas experiências no campo da comunicação aos cerca de 40 participantes presentes no evento utilizando a metodologia do carrossel. Foram partilhadas as experiências do Coletivo das Organizações da Agricultura Familiar, que atua em 11 municípios no território do Cariri, Curimataú e Seridó Paraibanos, do Polo da Borborema, rede de sindicatos rurais que atua em 14 municípios da região da Borborema e as organizações Propac (Programa de Promoção e Ação Comunitária), Camec (Central das Associações Comunitárias do Município de Cacimbas e Região) e Cepfs (Centro de Educação Popular e Formação Sindical) que atuam em municípios do Médio Sertão Paraibano.

As experiências apresentadas têm em comum diversos pontos, como uma comunicação ascendente, enraizada nas práticas locais, construída na perspectiva da transformação social, que é resultado do fluxo de informações entre as famílias e sua comunidade e as organizações que as representam e a sociedade. Esse trabalho promove a socialização do conhecimento, das emoções, experiências e vivências que são a base do fortalecimento de um modelo de agricultura familiar agroecológica e mais além, um modelo de sociedade, baseada em princípios como a solidariedade e a união.

Comunicação popular e direito à comunicação

Ainda no primeiro dia do Encontro, foi realizada a mesa de debate: “Comunicação Comunitária, comunicação popular e direito a comunicação”, da qual participaram Glória Batista, da Coordenação Nacional da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), Maria de Fátima Pereira da Costa, agricultora da Comunidade Riacho dos Currais, município de São Bentinho, no Sertão Paraibano e Rosa Sampaio, jornalista e integrante do Fórum Pernambucano de Comunicação, de Recife.


Glória Batista iniciou sua fala fazendo um resgate da trajetória da ASA no campo da comunicação: “A criação da ASA surgiu como uma resposta a uma conjuntura em que o Semiárido era mostrado como um lugar feio, sem vida, não próspero. Então nós desencadeamos o nosso primeiro processo de comunicação, que foi entre as entidades, um intenso processo no sentido de nos fortalecermos enquanto rede para dizer que sim, é possível conviver aqui e o Semiárido é diferente de como é mostrado”, afirmou. 

Fátima Pereira dos Santos afirmou que os programas de construção de infraestruturas de captação e armazenamento de água da chuva, desenvolvidos pela ASA, representaram uma nova oportunidade para o desenvolvimento da sua comunidade e expressou a importância de uma comunicação libertadora, que permite a compartilhamento de saberes e a troca de conhecimento está imbricada nessa construção: “A comunicação tem um poder transformador, e a minha comunidade é fruto dessa transformação. Foi a partir da chegada das cisternas, dos momentos de formação, que tivemos acesso ao conhecimento e passamos a valorizar o local onde vivemos. Construímos nossa capela, que foi o nosso primeiro espaço para reuniões, um espaço de comunicação. Hoje possuímos uma unidade de extração de mel, um espaço de vivências e uma cozinha comunitária onde beneficiamos frutas para vender para o PAA e o PNAE, já temos um boletim comunitário com a nossa experiência e recebemos visitas de outras comunidades e de escolas”, disse a agricultora.
Rosa Sampaio falou sobre a necessidade dos movimentos sociais compreenderem a importância de enxergar a comunicação como um direito e como um serviço público, que precisa de controle social, de modo que possa servir ao interesse público, como proposta para isso, citou a campanha de coleta de assinaturas para uma lei de iniciativa popular que propõe a democratização da mídia: “Enquanto a gente não conhecer e não acessar esse direito, vamos continuar tendo muita dificuldade de nos sentir representados na mídia tradicional que está aí, que não considera as nossas experiências e que é uma das maiores responsáveis pela estigmatização da vida no campo e a criminalização das lutas. Nós temos direito de sermos representados, precisamos lutar por outro modo de visibilidade”.
Após a mesa, houve um debate sobre o conteúdo das três falas, onde o grupo refletiu sobre o trabalho de comunicação realizado pelas organizações da ASA Paraíba em seus territórios e de que forma ele contribui para a construção do projeto de convivência com o Semiárido defendido pelo conjunto de suas organizações. O debate abrangeu ainda uma análise do contexto atual de extrema concentração dos meios de comunicação, criminalização dos movimentos sociais e como está se construindo focos de resistência a essa realidade.  
No segundo dia de evento, três oficinas aprofundaram o diálogo em torno dos temas: Rádio, Ativismo e Mobilização Social e Redes Sociais.
O segundo dia do Encontro Estadual de Comunicação foi dedicado a realização de três oficinas temáticas: Rádio, Instrumentos de Ativismo e Mobilização Social e Redes Sociais. Nestes espaços, os participantes puderam aprofundar as discussões sobre as questões relativas a cada um dos três temas. Na oficina de Instrumentos de Ativismo e Mobilização Social foi feita uma reflexão sobre a contribuição dos diversos coletivos de agitação e propaganda no processo de lutas sociais na política desde o período da Revolução Russa até os dias atuais. Foi apresentado como proposta o desencadeamento de um processo participativo para a reconstrução da logomarca da ASA Paraiba e a produção de um vídeo sobre os 22 anos de história da Articulação no Estado. Além disso, os participantes ainda produziram um painel ilustrativo com o lema do último Encontro Nacional da ASA (Enconasa): “É no Semiárido que a vida Pulsa! É no Semiárido que o povo resiste!”.
A oficina de Rádio debateu o papel e o lugar da ferramenta na construção do projeto político da ASA, além de lançar um olhar sobre experiências bem sucedidas no campo das chamadas “Rádios Livres”, na conhecida e necessária, “Reforma Agrária do AR”, numa alusão ao movimento que se contrapõe a criminalização das rádios de inspiração comunitária e defende a democratização do acesso ao rádio.
O grupo que aprofundou o tema das Redes Sociais, foi além e debateu as novas tecnologias, quais as implicações do seu uso e de que forma podemos estar presentes nas redes, sem deixar de ter um olhar crítico para esta ferramenta, seus desafios e limitações.
O terceiro e último dia do Encontro foi dedicado aos encaminhamentos e definições práticas para fazer avançar no estado o processo de construção coletiva de uma política de comunicação da rede e também para pensar em formas de fazer as discussões do encontro serem irradiadas para todos os territórios, para um conjunto mais amplo de pessoas e organizações. Entre os encaminhamentos está a elaboração de uma agenda de atividades coletivas, a construção da fanpage estadual, o mapeamento das organizações do estado e das rádios comunitárias, a preparação para o encontro regional de comunicação, que ocorrerá em Mossoró-RN e o fortalecimento da campanha pela implementação da lei da mídia democrática.

O Encontro Estadual de Comunicação faz parte de um processo de eventos de formação destinados a debater o lugar e a importância da comunicação na construção do modelo de convivência que vem sendo construído pelas organizações da ASA em todo o Semiárido Brasileiro. Também faz parte das comemorações dos 15 anos da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e dos 22 anos da ASA Paraíba. 

terça-feira, 31 de março de 2015

Articulação do Semiárido Paraibano realizará em Campina Grande I Encontro Estadual de Comunicação

A Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), rede de cerca de 300 organizações
que trabalham para o fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica na Paraíba, realizará nos dias 25, 26 e 27 de março no Day Camp Hotel Fazenda, em Campina Grande, o I Encontro Estadual de Comunicação.

O objetivo do encontro é promover a reflexão sobre as estratégias de comunicação em cada território onde estão localizadas as organizações da ASA Paraíba e sobre o papel da comunicação na construção de um projeto de convivência com o Semiárido no Estado, além de debater a comunicação popular, comunicação comunitária e o direito humano à comunicação.

Participarão do evento cerca de 50 pessoas entre comunicadores e comunicadoras populares, coordenadores das entidades da ASA Paraíba e lideranças agricultoras dos sete territórios onde a rede está articulada. A programação de três dias contará com um carrossel de experiências, onde três organizações da ASA apresentarão suas experiências no campo da comunicação, haverá ainda oficinas sobre temas como redes sociais, rádio, cultura popular e instrumentos de ativismo e mobilização. Uma mesa debaterá a comunicação comunitária, comunicação popular e direito a comunicação.

O Encontro Estadual de Comunicação faz parte de um processo de eventos de formação destinados a debater o lugar e a importância da comunicação na construção do modelo de convivência que vem sendo construído pelas  organizações da ASA em todo o Semiárido Brasileiro e faz parte das comemorações dos 15 anos da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) e dos 22 anos da ASA Paraíba.


Programação:

25 de março, quarta-feira
9h – Mística de abertura
9h40 - Apresentação dos Objetivos do Encontro e da programação
10h – Carrossel de Experiências
12h30 – Almoço
14h30 - Mesa: Comunicação Comunitária, comunicação popular e direito a comunicação.
16h30 – Lanche
16h50 - Encerramento da mesa (síntese do dia) e encaminhamentos para o dia seguintes
19h – Jantar
20h – Noite cultural

26 de março, quinta-feira
8h – Dinâmica de integração
8h30 - Encaminhamento dos grupos para as oficinas temáticas
Oficina de Rádio | Oficina Instrumentos de Ativismo e Mobilização |
Oficina de Cultura popular | Oficina de Redes Sociais
12h30 – Almoço
14h – Socialização das oficinas
16h – Lanche
16h20 - Reflexão sobre diretrizes da comunicação da ASA Paraíba
19h30 – Jantar festivo

27 de março, sexta-feira
8h30 – Dinâmica de integração
9h - Síntese das diretrizes e encaminhamentos do encontro para fortalecimento do projeto politico de comunicação da ASA PB
12h – Mística de encerramento.

CONVITE: Qualificação de Doutorado

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS GEOGRÁFICAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA
LABORATÓRIO DE ESTUDOS DE ESPAÇO, CULTURA E POLÍTICA
NUCLEO DE ESTUDOS DO ESPAÇO AGRÁRIO E CAMPESINATO



CONVIDA

para o Exame de Qualificação de Doutorado


Titulo: RESISTÊNCIAS DOS CAMPONESES DO QUE HOJE É SUAPE: ENTRE
QUESTÕES DE DESENVOLVIMENTO E AGRÁRIAS


Autora: MERCEDES SOLÁ PEREZ


Orientador: Prof. Dr. Claudio Ubiratan Gonçalves (UFPE)
Examinador Externo: Prof. Dr. Valter do Carmo Cruz (UFF)
Examinador Interno: Prof. Dr. Nilo Américo Rodrigues Lima de Almeida (UFPE)
Coorientador: Prof. Dr. Jorge Ramon Montenegro Gómez (UFPR)
Suplente: Profa. Dra. Mônica Cox de Britto Pereira (UFPE)
Suplente: Prof. Dr. Bertrand Roger Cozic (UFPE)
DIA 31/03/2015 AS 14 hs LOCAL: AUDITÓRIO 5º ANDAR CFCH/UFPE.

quinta-feira, 19 de março de 2015

30ª Semana do Migrante


Semana do Migrante 2015
30ª Semana do Migrante
(14 a 21 de Junho de 2015)
Tema: Sociedade e Migração
Lema: Não ao preconceito, por direitos e participação! 

segunda-feira, 9 de março de 2015

VI Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia reunirá 5 mil agricultoras em Lagoa Seca-PB

Cartaz - VI Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia
Cerca de cinco mil agricultoras e lideranças rurais estarão reunidas em Lagoa Seca, na Paraíba, no dia 12 de março (quinta-feira), na 6ª edição da Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia. A atividade é realizada desde 2010 pelo Polo da Borborema, um fórum de sindicatos e organizações da agricultura familiar que congrega 14 municípios e mais de cinco mil famílias do Agreste da Borborema, com a assessoria da AS-PTA Agroecologia e Agricultura Familiar.
A concentração da Marcha será, à partir das 8h, na área externa do Centro Marista de Eventos, na entrada da cidade, às margens da BR 104. As 9h30, haverá a apresentação de uma peça, encenada pelo Grupo de Teatro Amador do Polo da Borborema. O espetáculo trará situações de violências vivenciadas pelas mulheres que buscam algum tipo de participação política e saem de suas casas à procura de conhecimento. A cantora paraibana Sandra Belê se apresentará na concentração e durante a caminhada.
Após a peça, a Marcha seguirá pela BR 104 e pelas ruas centrais da cidade, entrando em direção à Praça da Igreja Matriz, onde estará montado um segundo palco e uma feira de saberes e sabores, com a apresentação de produtos e experiências, um espaço de visibilidade da contribuição técnica, social, econômica e política das agricultoras para a agroecologia.
Durante todo o percurso, as mulheres seguirão carregando bandeiras, faixas, cartazes e cantando canções que tratam da realidade de desigualdade, isolamento, injustiça e violência a qual muitas mulheres ainda estão submetidas. As participantes vão ainda dar os seus depoimentos de superação e distribuir panfletos, dialogando com a comunidade local durante todo o percurso.
Além da participação das mulheres do Polo da Borborema, a Marcha também receberá caravanas vindas de várias regiões da Paraíba que compõem a Articulação do Semiárido Paraibano (ASA Paraíba), o Coletivo Estadual de Mulheres do Campo e da Cidade, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra da Paraíba (MST-PB) e o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTTC), entre outros movimentos de mulheres.
A Marcha - A Marcha é um momento de denunciar as desigualdades sociais e a violência contra mulher. É também a expressão da luta por direitos e por relações de gênero mais justas na agricultura familiar. Em todos os anos, o ato marca o encerramento de uma série de eventos municipais em que se faz uma leitura crítica das manifestações das desigualdades e a persistência histórica da cultura patriarcal. Busca-se ainda valorizar e dar a visibilidade as estratégias de superação encontradas pelas mulheres e afirmar seu papel na construção do projeto agroecológico para a região.
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Desde de 2014 o trabalho de preparação vem debatendo as questões propostas pela Marcha. “O processo preparatório da Marcha nesse ano foi bastante interessante. Podemos dizer que não paramos de marchar desde Massaranduba, pois o tema das desigualdades entre homens e mulheres perpassou todos os momentos de formação do Polo da Borborema. Contudo, vale destacar o processo de formação específico para marcha. Esse ano, foram mais de 35 encontros municipais e comunitários envolvendo perto de 1500 mulheres. Promovemos um encontro com as lideranças jovens do Polo que por sua vez, se fará presente de forma mais organizada na Marcha. Vale ainda destacar o processo municipal. Os educadores e gestores escolares da rede de educação de Lagoa Seca também participaram de um momento de formação específico e a pauta da Marcha será levada para dentro das salas de aula. É assim que a Marcha vai se consolidando como um forte movimento de mulheres na região da Borborema”, avalia Adriana Galvão Freire, assessora técnica da AS-PTA e da Coordenação da Marcha.

A Marcha pela Vida das Mulheres e Pela Agroecolgia é realizada em um dos 14 municípios que integram a dinâmica do Polo da Borborema. A primeira edição aconteceu em Remígio (2010) com um público inicial de 900 mulheres, em seguida foram realizadas nos municípios de Queimadas (2011), Esperança (2012), Solânea (2013) e Massaranduba (2014) quando marcharam mais de quatro mil mulheres. Em 2015 a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia conta com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lagoa Seca, CCFD, Misereor, Action Aid, CESE, Secretaria Estadual da Mulher e da Diversidade Humana e Prefeitura Municipal de Lagoa Seca.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O TRABALHO DAS MULHERES NO SEMIÁRIDO: UM EXEMPLO DE FORÇA E RESISTÊNCIA

“É bom trabalhar no roçado porque a gente vê fartura dentro de casa”. 

Essas são as palavras que a senhora Severina Matias Souza Nascimento (56) usa para descrever sua forma de conviver com o semiárido. Com sua trajetória de lutas, Dona Bira, como é conhecida, tem uma bela história de vida para contar. Filha de agricultores fazia parte de uma família grande de 10 irmãos, morando em uma casa pequena, sem terra para poder trabalhar, o que obrigava seus pais a trabalhar em terras de outras pessoas para poder dar de comer aos filhos. Dona Bira e seus irmãos não podiam estudar, pois precisavam, desde cedo, ajudar no sustento da família e nos trabalhos domésticos.  Após alguns anos da morte do pai, Francisco José Olímpio de Souza, dona Bira casou-se com José Roberto do Nascimento, e continuou enfrentando as dificuldades da vida para ajudar sua mãe, Dona Maria Matias, que ficou viúva com seis filhos menores de idade, e o trabalho só aumentando. Nesse período, no entanto, pode contar com a ajuda de seu esposo, que passou a enfrentar as lutas da casa, o que a fez sentir-se mais aliviada. Suas maiores conquistas são seus quatro filhos: Maria do Céu, Robélia, Robério e Rogério. Mas, como se fosse uma triste repetição do passado, ainda com os filhos pequenos, Dona Bira também ficou viúva, tendo que se virar para lutar ainda mais pelo sustento de sua família. Através da produção, principalmente, de milho e feijão, a família já havia conquistado sua casa própria em uma terra de dois hectares e como nunca esperaram as coisas caírem do céu, foi dessa terra que Dona Bira, sua mãe e sua irmã Josineide lutaram pelo sustento da família. Como o trabalho no roçado era mais pesado, continuaram a desenvolver a agricultura familiar nos arredores da casa, na comunidade Pedra D'água, localizada no município de Caturité, no cariri paraibano. 

Dona de muita garra e determinação, dona Bira não desanimou diante as dificuldades e ingressou no grupo de agricultores experimentadores, no ano de 2013. E foi através do grupo que passou a explorar e valorizar ainda mais seu arredor de casa cultivando suas hortaliças e o plantio de frutíferas, inicialmente para o consumo, mas foi daí que viu na agricultura uma forma de geração de renda para sua família. Passou a ter condições de comercializar o excedente como, pinha, ovos, pimentão, alface, coentro, etc; na Tenda Agroecológica do Cariri, que funciona em Boqueirão/PB.  Atualmente, dona Bira tem um quintal bastante diversificado que produz coentro, cebolinha, alface, pimentão, além de frutíferas como laranja, mamão, acerola, pinha, goiaba, limão e caju. É com um sentimento de imensa alegria que dona Bira conta que suas galinhas, além de serem fonte de renda, servem como alimento saudável para sua família. 


Dona Bira, sentindo-se realizada, ao relembrar que foi através dessa nova renda que viu a possibilidade de aumentar sua casa, pois foi juntando pouco a pouco o lucro da criação das galinhas, dos porcos, milho, feijão, entre outros, que conseguiu reformar a sua casa.  
A continuidade dessas conquistas só foi possível graças à chegada dos Programas de captação de água de chuva na propriedade de Dona Bira. Diz ela, com alegria: “hoje as cisternas são uma benção para não perder a água”, referindo-se à água das cisternas de beber e cisternas para produção que conseguiu conquistar através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2). Já sua mãe relembra outros tempos em que para conseguir água sem tratamento adequado andava muito distante: “muitos dias saí de madrugada, enchi a lata, quando voltei já era de manhã”, relata dona Maria.
Apesar de tantas conquistas, continua a buscar outras melhorias, “Ainda quero um manejo da água, gotejamento, no verão vai ser muito bom, quero a água da cisterna para vir para a horta,” explica dona Bira.  Com um sorriso estampado no rosto de toda família é nítida a felicidade que sentem em viver e trabalhar na própria terra, deixando claro que é possível viver dignamente no semiárido. Dona Bira lembra que a luta continua e que entre os sonhos ainda deseja “ver todo mundo se mover, se organizar e trabalhar para comer bem, pegar uma enxada e plantar para que todos tenham comida boa”.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

SPMNE PROMOVEU INTERCÂMBIO DE JOVENS DO PROJETO DE FOTO-COMUNICAÇÃO E PROTAGONISMO JUVENIL EM JACUMÃ

O grupo de jovens protagonistas do SPMNE (Bayeux/PB) e o Grupo Ruas e Praças da Cidade do Recife/PE realizaram este intercâmbio, com o intuito de  a profundar e trocar experiências de vídeos e fotografia, as atividades ocorreram no Centro de Formação Manoel Santiago em Jacumã, cidade do Conde-PB.



Entre muitos momentos de descontração, o encontro contou com bastante troca de conhecimentos em rodas de conversa, oficinas, debates avaliações, produção de vídeos e gravações de depoimentos.
No primeiro dia o evento recebeu alguns jovens de Recife e seguiram em visita a uma escola em Bayeux, gravaram um vídeo com a temática das drogas, e foram para Jacumã, onde se alojaram e iniciaram o entrosamento com os demais jovens do Grupo Ruas e Praças.

Esse encontro teve total planejamento e organização dos próprios jovens, desde a programação até os conteúdos trabalhados. E foi durante a oficina de vídeo e fotografia que os jovens trocaram muitos conhecimentos.


O momento final ficou por conta da avaliação sobre o encontro. Os jovens se avaliaram e avaliaram como foi a organização do evento, todos afirmaram participar de um encontro muito bom, com experiências valiosas, aprendizados coerentes sobre vídeo e fotografia, assim como de experiências de vida também. A experiência foi tão proveitosa que os jovens continuam se comunicando e planejando-se para um novo encontro.