A programação teve início com a acolhida aos participantes, entre os quais, também estiveram presentes assessores técnicos de entidades não governamentais e pastorais sociais que assessoram o Folia, como o Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste (SPM NE), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Centro de Ação Cultural (Centrac).
Os agricultores denunciam a extensão dos cortes nos programas que beneficiam a agricultura familiar, como o PAA, que sofreu uma redução que chega a mais de 90%. “Eles estão cortando aos poucos até chegar em nada”, reclama a agricultora do Assentamento Antônio Eufrozino em Campina Grande, Mônica Cristina de Oliveira Moura. “O que a gente vê é muita desigualdade social no país. Será que dois juízes que são casados vão abrir mão de receber cada um o seu auxílio moradia? Então porque o agricultor tem que escolher entre um benefício como o BPC e o Bolsa Família?”, questiona Fernando Xavier Pereira, de Itabaiana-PB, a respeito do recadastramento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) que visa cruzar dados e cortar benefícios, em caso de acúmulo.
Durante o encontro, também foram avaliados o andamento das comissões municipais, que são espaços de
articulação locais, onde se discute o trabalho e as ações de convivência com o Semiárido do Fórum. Foram levantados como pontos positivos a mobilização do território para a 7ª Festa Estadual das Sementes da Paixão e a contribuição dos guardiões, os processos de formação e os intercâmbios entre os municípios, as vendas para o PAA e PNAE, mesmo diante dos cortes e o fortalecimento de algumas comissões municipais.
Foram lembrados como pontos negativos a ausência de reuniões em alguns municípios e a dificuldade de reunir pessoas em torno das comissões, a fragilidade do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Sustentável em alguns municípios e a falta de continuidade dos programas de cisternas. “Os cortes no programas de cisternas tem prejudicado muito os municípios, pois as pessoas estão casando, ficando na comunidade, construindo suas casas e precisam desse apoio para continuar”, destaca a agricultora Solange Araújo, do Sítio Bernardo, em Aroeiras-PB.
As lideranças avaliaram ainda o trabalho a partir de alguns temas mobilizadores como água, sementes de animais e de plantas, mercados e Fundos Rotativos Solidários (FRS) quando levantaram alguns avanços e desafios para 2018.
As entidades de assessoria Centrac e SPM que atuaram em 2017 e seguem em 2018 como Unidades Gestoras de Programas como o P1+2 e o Cisternas nas Escolas, apresentaram um pouco do que foi o trabalho no ano passado até o momento. A noite foi encerrada com uma síntese e à noite os participantes se confraternizaram em uma festa carnavalesca, ao som de samba e do forró pé-de-serra.
O segundo dia de programação foi dedicado a reflexão sobre o que será prioridade à luz dos desafios e perspectivas para 2018 levantados no dia anterior, com relação ao fortalecimento das comissões municipais e ao processo de formação do Folia. Entre os pontos levantados estão: a discussão sobre o não recebimento das sementes distribuídas pelos governos; fortalecer os Fundos Rotativos Solidários como uma solução para a continuidade do trabalho; trabalhar o tema da violência contra a mulher e da divisão justa do trabalho doméstico; discutir a questão da juventude e o tema da economia solidária dentro do Folia; realizar reuniões das comissões temáticas a cada dois meses; trabalhar o armazenamento de forragem e a preservação das raças nativas. O evento foi finalizado com a definição de uma agenda de atividades territoriais e eventos estaduais e nacionais que terão a representação do Agreste a exemplo do Caravana das Águas e da Agroecologia da Paraíba que ocorre na Paraíba em preparação ao IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA).
Fonte: http://centrac.org.br/2018/02/15/forum-de-liderancas-do-agreste-planeja-acoes-para-2018/
Nenhum comentário:
Postar um comentário